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terça-feira, 20 de junho de 2017

HOSPÍCIO SÃO JOÃO BAPTISTA DA LAGOA


A foto de hoje mostra o Hospício de São João Batista da Lagoa em 11/10/1901, em foto de Malta, do AGCRJ. Esta foi a primeira enfermaria criada pela Irmandade da Misericórdia para responder à imposição do Governo Imperial. Este hospício foi inaugurado em 1852 e destinava-se a atender à população pobre das freguesias de Botafogo e Copacabana. O edifício foi construído na década de 1880 e ampliado na década de 1920. Transformou-se no Hospital São João Batista da Lagoa, onde funcionou também uma maternidade. Pelo que pude apurar o Hospital ficava na Rua da Passagem, mas não sei exatamente em que trecho.
 
Curiosidade: o “CORREIO DA MANHÔ de 10/11/1930 noticiava o movimento de outubro no Hospital São João Batista da Lagoa:
“O movimento de enfermos deste hospital, mantido pela Santa Casa de Misericórdia, foi o seguinte:
Existiam 76; entraram 112; saíram 104; falleceram 4; ficaram 80.
Nacionalidades: existiam 63 nacionaes; 16 estrangeiros; saíram 89 nacionaes; 15 estrangeiros; falleceram 4 nacionaes; ficaram em tratamento: 86 nacionaes; 14 estrangeiros.
Creanças: existiam 31; entraram 60; saíram 57; falleceram 7; ficaram 27.
Ambulatório attendeu 2.151 consultantes e a pharmacia aviou 2.027 receitas; foram praticados 219 curativos e 5 pequenas intervenções cirúrgicas; foram aplicadas 245 injecções de nº 914”.
 
NOTA: Com a descoberta do Treponema pallidum como agente etiológico da sífilis em 1905 por Fritz Schaudinn e Erich Hoffmann, desenvolveram-se estudos experimentais contra tripanossomas e espiroquetas. Em 1909, um bacteriologista japonês, – Sahachiro Hata, foi trabalhar com Erlich em Berlim e após experimentação de quase 3.000 compostos determinou o nº 606 como sendo o mais potente e seguro, sendo lançado na Alemanha com o nome de Salvarsan. Em 1913 Erlich recebe o Prêmio Nobel e lançou outro derivado arsenical que se chamou Neosalvarsan ou nº 914. Comercialmente denominado também de Novasernobensol, Neoarphesnanina, Acetilarsan e outros. Todos esses medicamentos eram derivados com pequenas variações, do arsênico.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

BELVEDERE DO GRINFO




O local das fotos de hoje é conhecido e familiar, muitos conhecem, outros já pararam aí, mas as informações são poucas. Vemos o Belvedere do Grinfo. Quem é o autor do projeto? Qual a data exata da inauguração? Desde quando está abandonado? Qual é o seu futuro?

A primeira foto do Belvedere da Estrada Rio-Petrópolis é do acervo do Rouen. A arquitetura desta construção é a conhecida como “pé de palito”.  Construído no final da década de 50, o Belvedere fica no km 89 da rodovia, na pista sentido Rio de Janeiro. O Belvedere foi inaugurado na década de 1960 para sediar um restaurante, o Disco, logo após a abertura da nova pista. Na época o restaurante era bastante movimentado, quase uma parada obrigatória para quem trafegava na Rio-Petrópolis. Consta que D. Helena Pavelka, durante certo tempo alugou este local para a excelente Casa Pavelka.

A segunda foto, de 1959, é do acervo da família Soares Leite, do ilustre, competente e saudoso obstetra Dr. Laércio. É dos bons tempos em que havia segurança para parar no Belvedere e apreciar a paisagem que se descortinava dali. Tinha tudo para dar certo, mas não deu. Lindo local, vista deslumbrante, farto estacionamento, infra-estrutura completa para restaurante, etc.

A terceira foto, do início da década de 70, é do acervo do desaparecido comentarista Manolo. Chegado há pouco ao Rio de Janeiro, apaixonado pelo Rio, explorava os arredores da cidade (reparem a moda da época com as calças “boca de sino”.

PS: o projeto lembra o MAC – Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, construído na década de 90 com projeto de Oscar Niemeyer.

sábado, 17 de junho de 2017

DO FUNDO DO BAÚ - CINZEIRO DO MOTEL PLAYBOY



Hoje é sábado, dia da série “DO FUNDO DO BAÚ”. E, da coleção do caro Rouen Michelin sai este cinzeiro do Motel Playboy (reparem a sutileza dos macaquinhos no fundo do cinzeiro).
 
A famosa rua dos motéis da Barrinha, que pode ser vista na terceira foto, fez um sucesso danado nos anos 60 e 70. O Motel Playboy era um dos destaques embora tivesse o grande inconveniente de estacionamento comum e aberto. Ao sair ficava-se na porta esperando o manobrista trazer o carro, exposto aos que chegavam e saíam, com os braços cheios de “souvenirs”. Entre eles o famoso plástico do coelhinho para ser colocado no parabrisa  dos fusquinhas.
 
O “roubo” dos cinzeiros era prática comum, entre outros itens (alguns chaveiros também, segundo já relatou aqui conhecido comentarista).
 
Nos primeiros tempos o acesso aos motéis a partir da Zona Sul era pela Estrada do Joá e, depois da inauguração do túnel, descia-se à direita após sair do túnel pela Rua Maria Luiza Pitanga ou dava-se a volta pela ponte da Barra. O destino podia ser o Xá-Xá-Xá, o Playboy, o Praiamar, o Serramar (Estrada da Barra da Tijuca 1020 CETEL 399-0150), o Mayflower (o melhor de todos, na Estrada da Barra da Tijuca 281, CETEL 399-1669).
 
Nas vizinhanças, entre outros, o Barra Tourist (Estrada da Barra 220, CETEL 399-0306), Viña del Mar (Estrada do Joá 1489 CETEL 399-0608), Hollywood, Havaí, o eterno Dunas (até hoje na ativa), Orly, Scorpios, Summertime, Elmo, Tokyo, Seventy Seven, Holliday (Rua Arabutã 126 CETEL 399-0650), Praia Linda (Av. Sernambetiba 1430 CETEL 399-0362). Para quem queria ir mais longe havia o Calipso (Estrada do Pontal 399).
 
Muitas vezes, antes, havia um “pit-stop” nas boates como Flamingo e Macumba. Ou outras mais ordinárias e baratas como Polvo e Piscina. Depois podia ainda se dar uma passada no Dina Bar, Convés ou Tarantela.
 
OBS: todos as informações acima são “de ouvir dizer”, é claro. E o cinzeiro Monsieur Rouen comprou na feira da Praça XV.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

CONGRESSO EUCARÍSTICO





Continuando com o tema “Congresso Eucarístico” vemos na primeira foto a placa comemorativa do XXXVI Congresso Eucarístico, realizado no Rio em 1955 na área recém-aterrada onde hoje está o Monumento dos Mortos da 2ª Guerra Mundial, que foi afixada na porta de milhares de casas do Rio de Janeiro de então. Na casa dos D´, na Rua Barata Ribeiro nº 589, não foi exceção.
 
Como minha mãe me explicou na época que a placa significava uma proteção para a casa, logo imaginei que funcionaria como algo semelhante a uma das marcas dos anéis do Fantasma, de Lee Falk, publicado pela Rio Gráfica Editora. Como vocês bem se lembram, o Fantasma, que montava o cavalo Herói e tinha como bicho de estimação um lobo chamado Capeto, namorava a Diana Palmer, sobrinha do tio Dave, e morava na selva protegido pelos pigmeus Bandar chefiados pelo Guran, tinha dois anéis, um com a marca do bem, que aplicava nas pessoas e lugares que queria proteger, e o outro com a famosa marca da caveira que ele aplicava no queixo dos criminosos com potentes socos. Pois bem, a placa do Congresso Eucarístico foi presa com 4 pregos na parede da frente de nossa casa mas, um dia, um ladrão entrou no pátio e roubou uma de nossas bicicletas. Perdi totalmente a confiança na tal Congresso Eucarístico...
 
Na segunda foto alguns itens de recordação do Congresso.

Na terceira foto vemos o projeto do Congresso de autoria de Lucio Costa, com algumas alterações, embora a essência tenha se mantido, desenvolvido por Alcides Rocha Miranda, Elvin Mackay Dubugras e Fernando Cabral Pinto.
 
Na quarta foto, da revista Manchete, vemos melhor o local do Congresso apresentado ontem.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

CONGRESSO EUCARÍSTICO






Conforme nos conta Carlos Reis, em Brasil Revista, o XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, que se realizou nesta mui leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, de 17 a 24 de julho de 1955, foi a maior, a mais imponente das assembléias desse gênero, já efetuadas em todo o orbe católico.

A Prefeitura Municipal desta cidade, tomando de ombros um notável empreendimento, conseguiu construir, com desmontes do Morro de Santo Antonio, a magnífica esplanada, onde teve lugar o grande certame. Duvidou-se, de começo, que se pudesse fazer área, tão espaçosa, em tão curto tempo. Mas Deus, decerto, ouviu as preces dos que se interessavam pelo local. Levantou-se, no fundo, na parte que toca a orla do mar, o Altar-Monumento, que se protegeu por uma enorme bandeira pontifícia. Neste Altar, ardeu, por sete dias, um círio monumental. Para acomodação dos fiéis, fizeram-se bancos cuja extensão daria uma fila de 96 quilômetros de comprimento.

No dia 17 de julho, realizou-se a procissão soleníssima da imagem de N. S. Aparecida, a padroeira do Brasil, procissão esta que, partindo da gare da Estrada de Ferro Central do Brasil, se destinou à praça do Congresso. Este cortejo arrastou perto de um milhão de pessoas.

O céu era riscado pelos refletores da Marinha de Guerra, projetando-se no escuro da abóbada celeste as cores do arco-íris. A procissão marítima de transladação do S.S. Sacramento, de Niterói para o Rio, esteve deslumbrante. O ostensório foi conduzido a bordo do caça-submarino "Grajaú". Em 24 de julho encerraram-se os trabalhos do Congresso.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

TEATRO PHOENIX



Nas fotos de hoje, das décadas de 20 e 30 do século passado, vemos o Teatro Phoenix, que ficava na Rua Barão de São Gonçalo (atual Av. Almirante Barroso) nº 65, esquina da Rua México, telefone 22-5403. Foi o Cine-Teatro Phoenix de 1914 a 1932, transformou-se no Cine Ópera de 1937 a 1944 e voltou a ser apenas o Teatro Phoenix até a década de 1950, quando foi demolido. Em seu lugar foi construído o Edifício Cidade do Rio de Janeiro
 
Houve várias tentativas para acabar com o teatro: em novembro de 1940, os proprietários fizeram um contrato com a Cia. Imobiliária Rex para a sua demolição, mas ele foi rescindido. Em 1948, o empresário Vital de Castro quis expulsar a Companhia de Sandro Polonio e Italia Fausta, que ali se apresentava, para transformar o teatro em cinema. Italia Fausta, fez com que todos os artistas mudassem para os camarins, formando uma barreira e transformou a situação num escândalo. Com isto o advogado Clóvis Ramalhete ganhou a questão em juízo e a companhia permaneceu no teatro. Em 21/06/1951, a Câmara Federal autorizou o Prefeito a desapropriar o teatro, incorporando-o ao Patrimônio Municipal, para que não fosse demolido. Mas, por falta de verbas, a desapropriação não foi feita. O JB de 20/08/1957 noticia que “foi interrompido, com pedidos de vistas dos desembargadores Bulhões de Carvalho e Roberto Medeiros, o julgamento pela 4ª Câmara Cível do mandado de segurança impetrado pelo Sr. Guilherme Guinle para derrubar o Teatro Phoenix. O mandado foi impetrado contra a Prefeitura do Distrito Federal, pois pretende o impetrante demolir o prédio para construir outro no mesmo local”. O teatro finalmente foi demolido em 1958 para dar lugar ao prédio de 22 andares.
 
Em 1951 Otávio Rauge, diretor de cena do teatro, fez levantamento informando que no térreo havia um grande “hall” de entrada, escadaria de mármore e ferro para acesso ao 1º e 2º andares, banheiros e lavatórios laterais, “hall” do elevador. No 1º um grande salão central com 5 janelas e mais 2 salas laterais, “foyers” e galerias, além de 6 camarins com lavatórios. No 2º andar outro grande salão central e também 2 salas laterais, “foyers” e galerias, além de 8 camarins com lavatórios.. Havia ainda no térreo 2 chapeleiras com lavatórios e banheiros. Na sobreloja mais 2 chapeleiras com lavatórios e banheiros. Havia recinto para a orquestra, tinha uma boca-de-cena amplas. No 3º andar havia um salão, 3 camarins, lavatórios e banheiros. No 4º andar havia um salão para ensaios de balé e mais 5 saletas para vestiário.
 
A lotação era de 713 lugares: no térreo platéia com 320 poltronas estofadas e 6 frisas; na sobreloja, balcão nobre com 135 poltronas estofadas, 12 frisas nobres e 2 camarotes especiais com ante-câmara, destinados à Presidência da República e à Prefeitura; no 1º andar, balcões de 1ª com 115 poltronas, 10 camarotes e mais 2 camarotes com ante-câmara; e no 2º andar, balcão de 2ª com 105 poltronas e 4 camarotes, além de 2 outros camarotes com ante-câmara.
 
Neste teatro apresentaram-se artistas famosos como Bibi Ferreira em “Sétimo Céu”, de Austin Strong, com tradução de Elsie Lessa. Ou em “Que fim de semana!” de Noel Coward, com tradução de Tyndaro Godinho. Italia Fausta se apresentou com “Dona e Senhora”, de A. Torrada e L. Navarro, tradução de C. Bittencourt e J. Wanderley. “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, foi ali apresentado por Maria Sampaio, Stypinska, Carlos Perry, Stella Perry e Graça Melo. Zeni Pereira se apresentou em “Amanhã será diferente”, de Paschoal Carlos Magno.
 
A 3ª foto foi enviada pelo Francisco Patrício.
 

terça-feira, 13 de junho de 2017

BONDE


Esta foto do bonde de nº de ordem 6 foi enviada pelo prezado Helio Ribeiro. Vemos o bonde com reboque trafegando na esquina da Avenida Rio Branco com Rua Santa Luzia.

Curiosidade: em 15/04/1902, às 17h30, quando mais intenso era o movimento de bondes da Cia. Jardim Botânico, rompeu-se um fio da rede de tração elétrica, paralisando por completo o respectivo tráfego.

Ficaram então todos os bondes subitamente imóveis e nos largos da Carioca e do Machado o povo foi se aglomerando rapidamente. Houve esperança de que aquela interrupção fosse rápida mas tal não aconteceu.

De repente, do meio da multidão, veio o grito de "QUEBRA!".

Muitos bondes foram destruídos e veio, para conter a turba, numerosa força de cavalaria.

O tráfego foi restabelecido às 19h10, voltando os bondes a circular.

Mas a revolta continuou e um grupo queimou um bonde em frente ao Palácio do Catete, exigindo a intervenção do próprio Chefe da Polícia, Dr. Edmundo Moniz Barreto.

Outro incidente se deu na Rua Voluntários da Pátria exigindo do delegado Dr. Paulino de Carvalho, com auxílio da patrulha de cavalaria, intervir, não antes dos turbulentos destruírem o bonde.