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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

TOURADAS NO RIO

Vamos ver hoje uma postagem feita a partir de pesquisas de vários admiradores do Rio Antigo como Conceição Araujo, Achilles Pagalidis, Helcio Fraga, José A. C. Maia, Iara R. Teixeira, José Pougy, Cau Barata, Andre Decourt, entre outros, bem como de jornais como “O Globo” e “Correio da Manhã. A mim coube a pequena parte de coletar as pesquisas e acrescentar algumas poucas notícias de jornais da época.

Há citação de praças de touros em Laranjeiras, Cinelândia, Campo de Santana, Largo da Lapa, Rua do Lavradio, Quinta da Boa Vista, Jardim Botânico. Estes locais eram palcos frequentados por muitos cariocas durante o período colonial e os primeiros anos do século XX.

As touradas eram realizadas nos moldes portugueses, onde os touros não eram sacrificados, mas sofriam durante as touradas. No México e na Espanha os touros eram mortos.

Aqui no Rio, segundo “O Globo”, as touradas foram suspensas em 1908, pelo prefeito Francisco M. Souza Aguiar, embora tivessem retornado em 1922, em caráter excepcional, em praça de touros na Praça da Cruz Vermelha, por ocasião das comemorações do centenário da Independência.

FOTO 1: Laranjeiras, 1890 - Praça de touros (Brasiliana Fotográfica). Ao fundo, as palmeiras da Rua Paissandu. No lado direito, a Rua Guanabara, atual Rua Pinheiro Machado. A praça de touros ficava no cruzamento da Rua das Laranjeiras com Rua Ipiranga.

O Palácio Guanabara está lá, em frente à Rua Paissandu. O terreno onde seria feito o campo do Fluminense também está. O palácio não tinha os torreões laterais que conhecemos hoje, por este motivo não está reconhecível. Ele foi reformado em 1908 para hospedar o rei de Portugal, que viria para a exposição do centenário da chegada da Família Real. Mas acabou não vindo por conta de um pequeno contratempo: foi assassinado.

  

FOTO 2Detalhe da foto anterior: A praça de touros foi construída junto ao curso do rio Carioca, de pedra e tijolos, com funções aos domingos nas temporadas tauromáquicas vistas no Rio a partir de 1895.

A construção sobreviveu até a década de 1930, quando a especulação imobiliária fez com que fosse demolida.


FOTO 3Segundo alguns autores, as touradas foram introduzidas aqui no Brasil, no final do século XVII. Elas aconteciam sempre em datas específicas e especiais, como feriados, nascimentos, batismo, ou algum casamento envolvendo membros da coroa real portuguesa. Estes eventos eram acompanhados de grandes festas com música, teatro e fogos de artifícios, que duravam até quase uma semana. Já no século XIX, essas touradas se profissionalizaram, passou a se exigir a cobrança de ingressos e, muitas das vezes, tiveram caráter beneficente. 


FOTO 4Imagem interna da praça de touros das Laranjeiras (Acervo: Cau Barata). Talvez essa fosse a segunda maior da cidade, sendo a maior a do Campo de Santana, com capacidade para 5000 pessoas. 

Já em 1901 o “Correio da Manhã” noticiava que “promete ser toda de atrativos a próxima temporada de touros portugueses, de Adelino de Almeida Raposo, chegados a bordo do paquete “Babilonga”.

Um dos destaques entre os toureiros era Manoel Nieto, o “El Gordito”. Os bilhetes de acesso à Praça das Laranjeiras podiam ser comprados na Confeitaria Liberdade, no Largo de São Francisco de Paula.


FOTO 5Nesta foto, também do acervo do Cau, é de José Bento de Araújo, famoso cavaleiro, quando atuava na praça de touros em Laranjeiras, em 1901.

ERRATA: ver publicação  https://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com/2025/04/sobre-touradas-no-rio.html


FOTO 6Esta é a imagem completa da foto do acervo do IMS onde se vê a praça de touros da Rua Ipiranga, em Laranjeiras.


FOTO 7Espectadores se aproximam da praça de touros das Laranjeiras. Esta arena, construída em pedra, era conhecida como “O Redondel das Laranjeiras”. A frequência a esses eventos era tão grande que a Companhia “Jardim Botânico” que na época administrava o serviço dos bondes - de tração animal naturalmente - criou desvios nas proximidades desses locais para estacionar seus bondes aguardando a hora da saída dos de espectadores.


FOTO 8Este anúncio refere-se à grande corrida beneficente realizada na Praça de Touros da Rua do Marquez de Abrantes nº 20, em 04/11/1877, oferecida pelo "Club Tauromachico" em benefício das populações flageladas pela seca nas províncias do Norte do Império.

Notem o último parágrafo do anúncio, após a publicação do preço dos ingressos: “Ficando à generosidade do respeitável público qualquer aumento, pelo justíssimo fim a que é destinado o produto desta festa.”


FOTO 9Aspecto de uma praça de touro perto de um gasômetro.


FOTO 10Já este anúncio refere-a uma grande tourada em comemoração ao aniversário de D. Pedro II, no "Largo dos Curros" (nome recebido devido as touradas), antes de se chamar Campo de Santana.

No final do anúncio se pode ler: “Lidiar-se hão seis magníficos touros, havendo dois de reserva para supprir a falta de algum delles.”


FOTO 11Praça do Curro, por Vieira Fazenda - Ilustração: Franz Josef Frühbeck - Campo de Santana

Para comemorar a aclamação de D. João VI e os desposórios do príncipe D. Pedro havia o Senado da Câmara feito construir um grande anfiteatro, no antigo Campo de Santana. Ali realizou a elite em dias de outubro de 1818 pomposas festas populares: cavalhadas, touradas, alardas e danças figuradas. A todas elas assistiram o rei, a Família Real e o corpo diplomático, altos funcionários e imensa multidão de todas as classes sociais, inclusive o clero. Tinha o anfiteatro seiscentos e um palmos de extensão, trezentos e cinquenta e três de largura e setenta e sete de altura.

No centro apresentava um largo espaço de forma elítica, destinado propriamente aos festejos. Uma tela, rezam os jornais do tempo e repete o padre Luiz Gonçalves, de seis e meio palmos de altura, defendia a grande bancada, a qual, dividida por quatro coretos, torneava toda a praça, começando e terminando em um majestoso pórtico representando um arco triunfal. Este estava firmado sobre quatro colunas, por cima das quais pousava a cimalha geral, que dali circundava toda a praça.

No alto do mesmo pórtico notava-se o carro do Sol. Ao lado direito via-se a figura de Hércules a subjugar o touro de Creta, e do esquerdo Mercúrio domando a vaca Io. Uma platibanda almofadada corria por cima da cimalha geral, descansando sobre cento e quarenta e oito colunas, que formavam o contorno da praça. No vão delas contavam-se duzentos e noventa e seis camarotes em duas ordens. Na face oposta ao arco destacava-se a magnífica tribuna real.

Abreviando extensa e minuciosa descrição, cumpre dizer que o desenho da monumental praça foi de Grandjean de Montigny, e a execução devida a José Feliciano de Oliveira, mestre de obras, dirigido pelo arquiteto Manuel da Costa.

PS: No parte inferior vemos a casa de Paulo Fernandes (intendente de polícia de D. João VI) e o seu magnífico jardim, que foi destruído por ordem de D. Pedro I, seu desafeto. A casa foi demolida em 1906, quando a Rua Frei Caneca foi alargada. Ela ficava mais ou menos onde hoje é a Gafieira Elite. 


FOTO 12Em perspectiva tomada do Monte de Paulo da Caieira (atual Morro do Livramento) vê-se o circo dos touros, armado no Campo de Sant’Ana (na época chamada de Largo dos Curros devido as touradas), o morro de Santa Teresa, os Arcos e trecho da cidade, entre 1810 e 1820.

- Desenho em nanquim e aquarela, de autoria desconhecida.

 

 

domingo, 20 de outubro de 2024

DO FUNDO DO BAÚ: DRINKS (2)

 

                 QUEM É O DRINKWISER? (2), por Helio Ribeiro

                    (Continuação da postagem de ontem)

 

1)     HANKY PANKY

Vale 5 pontos.

Criado por Ada Coleman, líder da equipe do American Bar de Londres, esse coquetel é requisitado pela sua elegância e, claro, pelo sabor bastante expressivo. 

 

É feito com London Dry Gin, vermute doce e Fernet. Este último dá um toque mentolado delicioso à bebida.

 

2)      RABO DE GALO  e  RABO DE GALINHA

Vale 2 pontos.

Rabo de galo é a tradução literal de cocktail, mas alho não tem nada a ver com bugalho. Cocktail é um termo genérico para qualquer drink resultante da mistura de mais de uma bebida. A origem do termo é bastante controversa.

O rabo de galo surgiu na década de 1950 para atender à demanda de imigrantes italianos por vermutes de sua terrinha natal. Com o tempo se espalhou pelo país todo, adotando inúmeras variações e tendo direito até a campeonato nacional.

Um rabo de galo legítimo é composto por cachaça e vermute vermelho (Circolo Rosso ou Carpano). A composição clássica é 60 ml de aguardente e 30 ml de vermute. Além de gelo e limão.

Um derivado do rabo de galo é o rabo de galinha, composto por 50 ml de cachaça, 25 ml de Cynar 70, 3 dashes de bitter de laranja e casca de limão Taiti.

Vale 4 pontos.

Você sabe o que é Cynar? Eu não sabia. É um bitter à base de alcachofra, criado em 1952 pelo empresário veneziano Angelo Dalle Molle. Outras 13 ervas e plantas entram na composição do drink. Quais são é segredo do Grupo Campari, atual detentor da marca.

 

3)      HI-FI  e  SCREWDRIVER

Vale 1 ponto.

É um drink nacional composto por vodka, refrigerante de laranja e gelo. O nome deriva de um programa de TV do início dos anos 1960, “Crush em Hi-Fi”. Em algumas versões a vodka é substituída por cachaça.

O screwdriver (chave de fenda, em inglês) é parecido com o hi-fi, substituindo o refrigerante de laranja pelo suco da fruta.

A composição de ambos é parecida, com 50 ml de vodka e 100 ml de refrigerante ou suco de laranja, dependendo de ser hi-fi ou screwdriver.

 

4)      CAMPARI

Vale 2 pontos.

É um bitter servido como aperitivo, composto pela infusão de mais de sessenta ingredientes, combinados e macerados num malte de água destilada e álcool. Seu sabor adocicado num primeiro momento se torna amargo a seguir. Pode ser tomado puro ou com gelo, e neste caso o amargor diminui. O teor alcoólico varia entre 20,5 a 28,5%, dependendo do país onde é vendido.

Foi criado entre 1862 e 1867 pelo italiano Gaspare Campari. A fórmula se manteve inalterada esse tempo todo e é um segredo do Grupo Campari, de Milão.

 

5)      STEINHÄGER

Vale 4 pontos.

Bebida destilada à base de zimbro. Surgiu no século XV na aldeia de Steinhagen, na Westphalia, atualmente pertencente à Alemanha. Na produção, as frutas de zimbro são esmagadas junto com grãos de trigo. Após fermentada, a mistura é destilada em alambiques. Desde 1989 a bebida é considerada uma denominação de origem protegida pela legislação da União Europeia. Na Alemanha a bebida não pode sofrer adição de nenhum componente além dos originais.

Se misturada a chope, o resultado é conhecido como submarino.

 

6)       MANHATTAN

Vale 4 pontos.

Considerado um dos seis drinks básicos. Composto por uísque, vermute doce e bitters. A receita original usa uísque de centeio (rye whisky), mas também podem ser usados uísque canadense, Bourbon, blended whisky ou Tennessee whiskey.

Normalmente é servido mexido com gelo e coado em uma taça sem gelo, decorado com uma cereja marasquino. Mas pode ser servido on the rocks, num copo de uísque.

 

7)       OLD FASHIONED

Vale 4 pontos.

É considerado o campeão de popularidade mundial. Preparado com uísque, bitter, açúcar e uma fatia decorativa de laranja. Foi batizado como old fashioned em 1880.

Há muitas variações de preparo do drink.

 

8)      COSMOPOLITAN

Vale 4 pontos.

Celebrizado pelo seriado Sex and the City, cujos personagens viviam com um copo desse drink na mão, é feito com vodka, licor de laranja ou suco de limão, e cranberry, que dá a cor avermelhada ao drink.

OBS: Cranberry é uma fruta pouco conhecida no Brasil. Também assume os nomes de arando, airela ou oxicoco.

 

----  FIM  DA  POSTAGEM  ----

sábado, 19 de outubro de 2024

DO FUNDO DO BAÚ: DRINKS

 

 QUEM É O DRINKWISER? (1), por Helio Ribeiro

Nas postagens deste fim de semana vamos descobrir quem é o drinkwiser, anglicismo que inventei para indicar o maior conhecedor de drinks. Para tal, serão apresentados vários drinks, cada qual valendo pontos para quem os conhecer. Só conta pontos quem já experimentou o drink várias vezes. Quem apenas o provou por curiosidade ou em raríssimas ocasiões não pontua. Confio na honestidade de todos.

Na noite de domingo saberemos quem é o drinkwiser. Este terá direito a experimentar o drink Moscow Mule ou o Sazerac, no bar de sua preferência, pago com seu próprio dinheiro. Bom incentivo, não?

1)      POIRE

Vale 4 pontos.

É um destilado francês de pera, já que o nome deste fruto naquele idioma é justamente poire. A Suíça também é um grande produtor dessa bebida.

O ideal é servi-la em pequenas taças, entre 6 e 8 graus centígrados. Dizem que é um ótimo digestivo, ingerido após as refeições, mas muitos a bebem sem esse objetivo.

Um dos maiores divulgadores do poire no Brasil foi Ulysses Guimarães, que costumava servir a bebida durante reuniões políticas, daí sendo originada a expressão Turma do Poire para o grupo. Reuniões de bêbados. Isso explica muitas coisas, não é? Agora entendi tudo.

 

2)      DAIQUIRI

Vale 2 pontos.

Bebida de origem cubana feita com rum, suco de lima e açúcar (ou xarope). Tem uma longa história. O nome deriva de uma mina de ferro e uma praia situadas perto de Santiago de Cuba.

Consta que a bebida surgiu em 1905 quando um engenheiro da referida mina, ao entreter convidados, percebeu que o gin servido havia acabado. Usou então rum, que era apreciado pelos trabalhadores da mina. Daí em diante é uma longa história.

Quem estiver interessado nela, consulte  https://pt.wikipedia.org/wiki/Daiquiri.

A composição varia muito, porém originalmente era feita colocando-se bastante gelo picado num copo alto, depois uma colher de açúcar, sumo de um limão espremido e completando-se com rum, mexendo bem para misturar tudo.

 

3)  NEGRONI

Vale 5 pontos.

É considerado o drink mais vendido no mundo. A origem deste drink é o Milano-Torino, conhecido como Mi-To, feito com Campari e vermute doce. Esse drink era o favorito do Conde Camillo Negroni, que após uma viagem às Américas pediu que o bartender acrescentasse gin à mistura.

O Negroni é assim composto por uma dose de gin, uma de Campari, uma de vermute tinto e uma rodela de laranja. Junte gelo e sirva.

 

4)  CUBA-LIBRE

 Vale 1 ponto.

Um dos mais famosos drinks do mundo. Em alguns países possui outro nome, como Cubata na Espanha e Roncola no Chile. Fulanos dizem que Cubata é um drink diferente, usando gin no lugar de rum; beltranos dizem que a diferença é o uso de rum escuro na Cubata. O que dizem os sicranos?

Reza a lenda que o Cuba-Libre foi criado no ano de 1898, quando Cuba lutava para se livrar da Espanha com a ajuda dos EUA. Dizem que um tal capitão Russel, das tropas americanas que ocuparam Cuba na época, resolveu misturar Ron Bacardi Carta Oro com refrigerante Coca-Cola no The American Bar e fez uma saudação gritando “Por una Cuba libre”. Mas não se sabe se isso é verdade, pois alguns dizem que a Coca-Cola só chegou a Cuba em 1900, dois anos depois do regresso de Russel aos EUA.

A composição varia de lugar para lugar. O refrigerante pode ser Coca-Cola ou Pepsi. A proporção entre rum e cola também varia. Geralmente são 50 ml de rum claro com 100 ml de cola, num copo longo com gelo e decorado com uma rodela de limão dentro ou fora, ou com sumo de limão.

 

5)      SAMBA EM BERLIM

Vale 1 ponto.

É a versão brasileira da Cuba-Libre, substituindo-se o rum por cachaça. Consta que durante a II Guerra Mundial os pracinhas recebiam Coca-Cola enviada para as tropas aliadas, que a ingeriam na temperatura ambiente. Os pracinhas achavam a bebida amarga, pois a Coca-Cola ainda não era muito conhecida por aqui. Então resolveram misturar cachaça com o refrigerante. Posteriormente se adicionaram gelo e uma rodela de limão, fazendo com que a bebida ficasse muito parecida com a Cuba-Libre, sendo batizada de Samba em Berlim. Acaso ou não, houve em 1943 um filme com esse mesmo nome.

Não sei se a origem do drink é essa mesmo, porque os pracinhas não combateram na Alemanha e sim apenas na Itália.

 

6)       MARGARITA

Vale 4 pontos.

De origem mexicana (embora alguns o considerem americano). Há mais de uma versão sobre o nome da bebida.

A composição é 45 ml de tequila, 22,5 ml de sumo de limão, igual quantidade de xarope de agave (um tipo de cactus azul) e sal na borda (opcional).

Outra composição é 60 ml de tequila, 30 ml de suco de limão, 15 ml de licor de laranja triple sec. Rodela de limão e sal na borda (opcional).

 

7)       MARTINI

Vale 1 ponto.

Bebida composta por gin e vermute seco, mexido com gelo, coado e servido numa taça com azeitona decorando.

Há muitas variações de Martini, sendo a mais comum a chamada dry Martini. A composição pode ser: 75 ml de gin seco e 15 ml de vermute branco seco.

 

8)       MOJITO

Vale 5 pontos.

Drink cubano, composto por rum branco, açúcar, hortelã, limão e água gaseificada.

 

----  CONTINUA  AMANHà   ----

P.S.: Vendo as fotos, eu me pergunto se ao me manter abstêmio eu não acabei perdendo boas coisas.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

PELO FLAMENGO

FOTO 1: Este é o trecho na altura da Praça Paris. Pelos modelos deve ser por volta de 1964/1965. Na pista em direção à Zona Sul são automóveis de três origens diferentes. Um americano (Impala coupê 1963), um nacional (Aero Willys 64/65) e um francês (Citroen). Na outra pista o indefectível Fusca e o que parece ser uma Rural Willys.

No final de 1963 as pistas do aterro já estavam prontas e em 1964 as passarelas vistas na foto já eram utilizadas.

Consta que na construção das pistas a intenção era dar a sensação de amplitude e limitar a velocidade e por isto as curvas não foram compensadas. Isto teria acarretado muitos acidentes.


FOTO 2: Estamos no ano de 1974. Nesta foto aparece o famoso "Volkswagen Zé do Caixão". As linhas retas e as maçanetas na porta lembram um caixão. 


FOTO 3: publicada pelo "O Clone"  e comentada pelo Rouen.

Conta o Rouen: “Ao fundo os dois primeiros prédios da Av. Rui Barbosa, à direita o Ed. Barão da Laguna com os n° 20, 40, 60, 80 e 100. À esquerda, o Ed. Hilton Santos de nº 170. No espaço vago atrás do ônibus ficava o Posto Texaco, na curva da Amendoeira, mais precisamente Av. Oswaldo Cruz nº 61 (Em cima do posto havia a boate Nazaré, tel. 245-5023 - quando adolescente entrar lá era meu sonho).

Quanto aos carros temos um Fiat e um Peugeot 203, um mero Cadillac (o luminoso redondo Texaco do posto aí aparece atrás do Dodge e antes do lotação e uma sombra quadrada branca era um luminoso da Pirelli, um Anglia com alguma autorização especial no para-brisa.”

Esta postagem seria a de amanhã. Mas saiu publicada hoje por engano. Fica assim mesmo.

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

RUA MIGUEL LEMOS


Na década de 1950 eram famosas as "turmas de rua" do Rio - as tipo "juventude transviada" como as da Barão da Torre, da Barão de Ipanema, do "Camões", a da "República" (do Peru, Copacabana), a da Urca e as do "bem", como a da Miguel Lemos (Copacabana). Esta era liderada por Cristiano Lacorte e se reunia no bar do "Fernando Vascaíno", na esquina da Miguel Lemos com N.S.de Copacabana.

Na foto vemos o Lacorte em sua cadeira de rodas, na esquina da Miguel Lemos com Aires Saldanha. Ele foi o representante oficial da torcida brasileira em 1958, acompanhando a conquista do 1º campeonato mundial de futebol, na Suécia.

Esta turma, por esta época, fechava a Rua Miguel Lemos (uma das únicas na Zona Sul a fechar) para seus bailes. Faziam halterofilismo na academia da esquina de Djalma Urich com N.S.de Copacabana (onde havia, no 4º andar, um anúncio luminoso de um atleta exercitando os bíceps).

Torciam pelo Lá Vai Bola, Pracinha, Maravilha ou Dínamo, no futebol de praia. Na TV Rio, aos domingos, assistiam ao boxe do TV Rio Ringue e, às 6as.feiras, ao "Noites Cariocas", com as vedetes da época.

Foi esta turma que flagrou o faquir Príncipe Igor fraudando o público, tomando laranjada durante seu período de jejum (antes comuns, desapareceram os faquires). Estudavam no Melo e Souza ou no Mallet Soares (alguns fizeram o primário na Escola Pública Cócio Barcelos).

Discutiam o supersupercampeonato de 1958 entre Vasco, Flamengo e Botafogo. Torciam por Adalgisa Colombo. Tomavam gemada em pó da Kibon e usaram Alpargatas 7 Vidas, de lona com sola de borracha. Só podiam tirar a camisa quando pisavam na areia e levavam para a praia boias feitas com câmaras de ar de pneus.

 Dançavam, de "smoking", nos bailes do Fluminense, do Caiçaras, do Clube Naval, ao som de Steve Bernard, Ed Lincoln, Waldir Calmon. Assistiam às lutas de Helio (ou Carlson?) Gracie com Waldemar Santana.

No Bob´s da Domingos Ferreira, comiam sanduíche de salada de atum e tomavam suco de laranja, sundaes ou Ovomaltine, pois ali ainda não se vendiam refrigerantes. Assistiam ao Noite de Gala (com Ilka Soares) e aos Espetáculos Tonelux (com Neide Aparecida). Tomavam Hi-fi (Crush com vodka) ou Cuba-libre (rum com Coca-Cola). Iam até São Conrado para um chope no Bar Bem. Ouviam a Rádio Mayrink Veiga e a Tamoio (e a Continental, na transmissão do futebol).

Acompanhavam, com o Brasil inteiro, o episódio da curra de Aida Curi, jogada (?) do edifício Rio Nobre (Av. Atlântica 3388), quando fugia de Ronaldo Castro e Cássio Murilo.

Viam a garotada colecionar álbuns de figurinhas, se contorcer nos bambolês e assistir ao Falcão Negro e sua amada Lady Bela.

Cristiano Lacorte deu seu nome à Travessa que une as ruas Miguel Lemos e Djalma Urich, ali onde ficava o teatro da Brigitte Blair.

O poste tipo "respiradouro" eram para das câmaras subterrâneas de transformadores da Light, que existiam por toda a cidade onde a rede de média tensão já era embutida e normalmente funcionavam da seguinte maneira: a grade de baixo sugava o ar fresco e a de cima expulsava o ar quente depois de passar por dentro da câmara. Quando eram muito grandes havia dois, um colocando ar fresco e o outro retirando ar quente.

 Nos anos 70 eles começaram a sumir pois foi criado um sistema em que os exaustores eram colocados em bueiros no chão (aqueles que saem vento quente.

 Hoje eles só existem onde as câmaras subterrâneas ainda não foram modernizadas ou em locais em que as inundações são muito fortes (aqui em Ipanema ainda há um, com certeza).



Nesta foto, de 1958, na esquina da Rua Miguel Lemos com Avenida Atlântica, podemos ver o poste de iluminação (lâmpada única) na calçada da Av. Atlântica, dois rapazes em pé sobre o que imagino ser um "traffic control" (o guarda de trânsito abria a caixa e podia alterar o tempo dos sinais), o poste do próprio sinal de trânsito e o poste fino com a indicação das ruas (além da placa presa na parede do edifício da esquina). 

Era um tempo de falta d´água, da construção de prédios em Copacabana com os chamados de "paraíbas" usando o "emplastro de sabiá" - aquele esparadrapo cheio de furinhos - para curar "espinhela caída". Me fascinava ver como descarregavam o caminhão de tijolos - punham-se vários operários em fila indiana e os tijolos eram jogados, dois a dois, de mão em mão. Num instante acabavam. O serviço nas obras começavam às 7h com o tocar do sino, interrompiam-se para almoço das 11h às 12h, e recomeçavam até as 16h. 

Era o tempo das "macacas de auditório" (o atual "politicamente correto" não permitiria nomeá-las assim) gritando pelo Cauby, Emilinha e Marlene, da Caracu com ovo. 

O sonho da rapaziada era uma lambreta, a camisa de nylon, o cigarro com Continental, Mistura Fina, Colúmbia ou Hollywood. Era moda dar uma volta na manga curta da camisa para mostrar o muque e, também, na barra da perna da calça Lee (jeans). Todos tinham que saber saltar do bonde andando. E usavam pente Flamengo (inquebrável). 

As casas eram regularmente visitadas pelos "mata-mosquito", que deixavam uma bandeirinha amarela presa na porta da casa  durante a visita. A missa era na Igreja de São Paulo Apóstolo, ali na Rua Barão de Ipanema, onde o vigário era o Padre Zelindo e a missa mais concorrida era a do Padre Colombo (todos Barnabitas). 

As mulheres usavam anáguas, combinações, cintas, sutiãs com enchimento. Neste ano de 1958, foram "certinhas do Lalau": Aida Campos, Célia Coutinho, Eloísa, Ilka Soares, Jussara Ney, La Rana, Liana Duval, Marly Tavares, Pochi Quatrocchi e Tereza Costelo. 

E, inesquecível, era ouvir as aventuras de Jerônimo, o herói do Sertão, na Rádio Nacional, com Aninha e o Moleque Saci: 
"Quem passar pelo sertão vai ouvir falar 
Do herói desta canção que eu venho aqui cantar 
Se é por bem vai encontrar o Jerônimo protetor 
Se é por mal vai enfrentar o Jerônimo lutador 
Filho de Maria Homem nasceu 
Serro Bravo foi seu berço natal entre tiros de tocaia cresceu 
Hoje luta pelo bem contra o mal 
Galopando vai em todo lugar 
Pelo pobre a lutar sem temer 
O Moleque Saci pra ajudar 
Ele faz qualquer valente tremer"


Nesta fotografia vemos Cristiano Lacorte, na Suécia, junto a jogadores da seleção brasileira. Da esquerda para a direita vemos Pelé, Mauro, talvez o Oreco, Moacir, Dida e, sentado, Djalma Santos.

Cristiano, vítima de poliomielite, com a ajuda do pai resolveu acompanhar a seleção brasileira na Copa do Mundo da Suécia. O chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, acolheu Cristiano junto ao grupo. Ao embarque no Galeão compareceram muitos amigos para as despedidas e desejos de boa sorte. Cristiano viajou com a seleção, mas consta que pagou todas as próprias despesas.


A turma da Miguel Lemos foi ao Galeão receber Cristiano Lacorte na volta da Suécia como campeão do mundo. Houve festa em Copacabana neste dia.

Foi eleito vereador pelo Rio. Morreu poucos anos depois em acidente rodoviário.