Vamos ver hoje uma postagem feita a partir de pesquisas de vários admiradores do Rio Antigo como Conceição Araujo, Achilles Pagalidis, Helcio Fraga, José A. C. Maia, Iara R. Teixeira, José Pougy, Cau Barata, Andre Decourt, entre outros, bem como de jornais como “O Globo” e “Correio da Manhã. A mim coube a pequena parte de coletar as pesquisas e acrescentar algumas poucas notícias de jornais da época.
Há citação de praças de
touros em Laranjeiras, Cinelândia, Campo de Santana, Largo da Lapa, Rua do
Lavradio, Quinta da Boa Vista, Jardim Botânico. Estes locais eram palcos
frequentados por muitos cariocas durante o período colonial e os primeiros anos
do século XX.
As touradas eram
realizadas nos moldes portugueses, onde os touros não eram sacrificados, mas
sofriam durante as touradas. No México e na Espanha os touros eram mortos.
Aqui no Rio, segundo “O
Globo”, as touradas foram suspensas em 1908, pelo prefeito Francisco M. Souza
Aguiar, embora tivessem retornado em 1922, em caráter excepcional, em praça de
touros na Praça da Cruz Vermelha, por ocasião das comemorações do centenário da
Independência.
FOTO 1: Laranjeiras, 1890
- Praça de touros (Brasiliana Fotográfica). Ao fundo, as palmeiras da Rua
Paissandu. No lado direito, a Rua Guanabara, atual Rua Pinheiro Machado. A praça
de touros ficava no cruzamento da Rua das Laranjeiras com Rua Ipiranga.
O Palácio Guanabara está lá, em frente à Rua Paissandu. O terreno onde seria feito o campo do Fluminense também está. O palácio não tinha os torreões laterais que conhecemos hoje, por este motivo não está reconhecível. Ele foi reformado em 1908 para hospedar o rei de Portugal, que viria para a exposição do centenário da chegada da Família Real. Mas acabou não vindo por conta de um pequeno contratempo: foi assassinado.
FOTO 2: Detalhe da foto anterior: A praça de touros foi construída junto ao curso do rio Carioca, de pedra e tijolos, com funções aos domingos nas temporadas
tauromáquicas vistas no Rio a partir de 1895.
A construção sobreviveu
até a década de 1930, quando a especulação imobiliária fez com que fosse
demolida.
FOTO 3: Segundo alguns autores,
as touradas foram introduzidas aqui no Brasil, no final do século XVII. Elas
aconteciam sempre em datas específicas e especiais, como feriados, nascimentos,
batismo, ou algum casamento envolvendo membros da coroa real portuguesa. Estes
eventos eram acompanhados de grandes festas com música, teatro e fogos de
artifícios, que duravam até quase uma semana. Já no século XIX, essas touradas
se profissionalizaram, passou a se exigir a cobrança de ingressos e, muitas das
vezes, tiveram caráter beneficente.
FOTO 4: Imagem interna da praça de touros das Laranjeiras (Acervo: Cau Barata). Talvez essa fosse a segunda maior da cidade, sendo a maior a do Campo de Santana, com capacidade para 5000 pessoas.
Já em 1901 o “Correio da
Manhã” noticiava que “promete ser toda de atrativos a próxima temporada de
touros portugueses, de Adelino de Almeida Raposo, chegados a bordo do paquete “Babilonga”.
Um dos destaques entre os
toureiros era Manoel Nieto, o “El Gordito”. Os bilhetes de acesso à Praça das
Laranjeiras podiam ser comprados na Confeitaria Liberdade, no Largo de São
Francisco de Paula.
FOTO 5: Nesta foto, também do
acervo do Cau, é de José Bento de Araújo, famoso cavaleiro, quando atuava na praça
de touros em Laranjeiras, em 1901.
ERRATA: ver publicação https://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com/2025/04/sobre-touradas-no-rio.html
FOTO 6: Esta é a imagem completa
da foto do acervo do IMS onde se vê a praça de touros da Rua Ipiranga, em Laranjeiras.
FOTO 7: Espectadores se aproximam
da praça de touros das Laranjeiras. Esta arena, construída em pedra, era conhecida
como “O Redondel das Laranjeiras”. A frequência a esses eventos era tão grande
que a Companhia “Jardim Botânico” que na época administrava o serviço dos
bondes - de tração animal naturalmente - criou desvios nas proximidades desses
locais para estacionar seus bondes aguardando a hora da saída dos de
espectadores.
FOTO 8: Este anúncio refere-se à
grande corrida beneficente realizada na Praça de Touros da Rua do Marquez de
Abrantes nº 20, em 04/11/1877, oferecida pelo "Club Tauromachico" em benefício
das populações flageladas pela seca nas províncias do Norte do Império.
Notem o último parágrafo
do anúncio, após a publicação do preço dos ingressos: “Ficando à generosidade
do respeitável público qualquer aumento, pelo justíssimo fim a que é destinado
o produto desta festa.”
FOTO 9: Aspecto de uma praça de touro perto de um gasômetro.
FOTO 10: Já este anúncio refere-a
uma grande tourada em comemoração ao aniversário de D. Pedro II, no "Largo
dos Curros" (nome recebido devido as touradas), antes de se chamar Campo
de Santana.
No final do anúncio se
pode ler: “Lidiar-se hão seis magníficos touros, havendo dois de reserva para supprir
a falta de algum delles.”
FOTO 11: Praça do Curro, por
Vieira Fazenda - Ilustração: Franz Josef Frühbeck - Campo de Santana
Para comemorar a
aclamação de D. João VI e os desposórios do príncipe D. Pedro havia o Senado da
Câmara feito construir um grande anfiteatro, no antigo Campo de Santana. Ali
realizou a elite em dias de outubro de 1818 pomposas festas populares:
cavalhadas, touradas, alardas e danças figuradas. A todas elas assistiram o
rei, a Família Real e o corpo diplomático, altos funcionários e imensa multidão
de todas as classes sociais, inclusive o clero. Tinha o anfiteatro seiscentos e
um palmos de extensão, trezentos e cinquenta e três de largura e setenta e sete
de altura.
No centro apresentava um
largo espaço de forma elítica, destinado propriamente aos festejos. Uma tela,
rezam os jornais do tempo e repete o padre Luiz Gonçalves, de seis e meio
palmos de altura, defendia a grande bancada, a qual, dividida por quatro coretos,
torneava toda a praça, começando e terminando em um majestoso pórtico
representando um arco triunfal. Este estava firmado sobre quatro colunas, por
cima das quais pousava a cimalha geral, que dali circundava toda a praça.
No alto do mesmo pórtico
notava-se o carro do Sol. Ao lado direito via-se a figura de Hércules a
subjugar o touro de Creta, e do esquerdo Mercúrio domando a vaca Io. Uma
platibanda almofadada corria por cima da cimalha geral, descansando sobre cento
e quarenta e oito colunas, que formavam o contorno da praça. No vão delas
contavam-se duzentos e noventa e seis camarotes em duas ordens. Na face oposta
ao arco destacava-se a magnífica tribuna real.
Abreviando extensa e
minuciosa descrição, cumpre dizer que o desenho da monumental praça foi de
Grandjean de Montigny, e a execução devida a José Feliciano de Oliveira, mestre
de obras, dirigido pelo arquiteto Manuel da Costa.
PS: No parte inferior vemos a casa de Paulo Fernandes (intendente de polícia de D. João VI) e o seu magnífico jardim, que foi destruído por ordem de D. Pedro I, seu desafeto. A casa foi demolida em 1906, quando a Rua Frei Caneca foi alargada. Ela ficava mais ou menos onde hoje é a Gafieira Elite.
FOTO 12: Em perspectiva tomada do
Monte de Paulo da Caieira (atual Morro do Livramento) vê-se o circo dos touros,
armado no Campo de Sant’Ana (na época chamada de Largo dos Curros devido as
touradas), o morro de Santa Teresa, os Arcos e trecho da cidade, entre 1810 e
1820.
- Desenho em nanquim e
aquarela, de autoria desconhecida.






































