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terça-feira, 21 de agosto de 2018

TEMPOS ANTIGOS



 
As fotos de hoje mostram coisas que praticamente desapareceram do cenário.
Ficaram na lembram a FICHA DE TELEFONE: havia poucos telefones na época. Os telefones públicos, grandes e pretos, funcionavam com fichas metálicas (não aceitavam moedas ou cartões). Ficavam dentro de bares, principalmente.
FOLHETO NO CINEMA: eram distribuídos junto à bilheteria. Davam a ficha técnica do filme em cartaz e anunciavam as próximas atrações e o que estava em cartaz nos outros cinemas da rede.
MOTORNEIRO: sempre de terno azul, com chapéu, bem como o condutor (que cobrava as passagens) e o fiscal (que controlava as cobranças).
FICHA DE ÔNIBUS: entrava-se pela porta traseira e comprava-se a ficha com o trocador. O preço e a cor da ficha dependiam do trecho a ser percorrido. Ao descer era obrigado depositar a ficha num recipiente ao lado do motorista. Era um desafio descer sem depositar a ficha (que servia também de "palheta" para jogar botão).
LAMBE-LAMBE: os fotógrafos que se encontravam nas praças. As fotos ficavam prontas na hora. Todos os nordestinos ali tiravam suas fotos para a Carteira Profissional.
VENDEDOR DE "CASQUINHA": vinham pela praia, tocando sua matraca de madeira e ferro ("ting-ling"). Vendiam as "casquinhas" e pirulitos de açúcar queimado.
LAVADEIRAS que, naquela época pré-máquinas de lavar, toda semana pegavam os lençóis, toalhas, e levavam para lavar. Faziam uma grande trouxa que levavam sobre a cabeça.
CARREGADORAS DE ÁGUA que, com a habitual falta d´água, enchiam latas enormes que equilibravam sobre a cabeça, após fazer um acolchoado com pano entre a lata e a cabeça.
PADEIRO, na sua bicicleta e seu cesto de vime, entregando o pão duas vezes por dia.
VIRGENS! (se alguma vez houve onze mil virgens, hoje, certamente, é artigo raro...).
LEITEIRO, com sua carroça alta puxada como um "burro sem rabo", com uma série de compartimentos e as garrafas de leite, de vidro, com tampas metalizadas. Ambos tinham a chave daqueles compartimentos na entrada das casas, onde se colocava o leite, o pão e as cartas.
AMOLADOR DE FACAS, que tocava uma melodia ao girar a roda de seu instrumento de trabalho.
GARRAFEIRO que gritava "compro jornal, revistas, livros velhos...".
NORMALISTAS que cedinho se dirigiam para a Central do Brasil para pegar o trem para o subúrbio (acho que mais nenhuma moça deseja ser normalista).
VENDEDORAS DE MAÇÃS CARAMELADAS que ficavam na calçada, junto com os FOTÓGRAFOS dos passantes.
MATA-MOSQUITO, com suas bandeirinhas amarelas e GUARDA NOTURNO com seu apito.
Todas aquelas pessoas simples que se vestiam com um TERNO BRANCO nos domingos. Os "PARAÍBAS" com seus "emplastros de sabiá" para tratar a "espinhela caída". Os LAVADORES DE CARRO, com uma estopa em forma de rabo de cavalo, os COSME E DAMIÃO com suas fardas cáqui e capacete de aço, sempre em dupla. Os COROINHAS que ajudavam a missa e repetiam, feito papagaios, os sons em latim do que deveria ser a resposta ao que o padre dizia ("Dominum vobiscum. Et cum espiritu tuo").
VASSOUREIRO, com vassouras e os espanadores de penas. O LANTERNINHA nos cinemas, todos de roxo, vigiando os namorados mais ousados e mostrando o caminho aos atrasados. O "FLASH-LIGHT" por conta da falta de luz. A GOMA ARÁBICA (de início o vidro vinha acompanhado de um pincel. Depois, com um bico de borracha no próprio vidro).
O HOMEM DA LIGHT. que a gente chamava sempre que o quadro de luz da casa "queimava a mufa". O CAMINHÃO DA COCA-COLA onde a gente trocava tampinhas premiadas por garrafinhas.
O CARRO PIPA que enchia as cisternas dos edifícios de água e o nosso pai achava um roubo. O “TAIOBA”, aquele reboque de bonde com os bancos de lado. O CORREIO DA MANHÃ que saía aos domingos, mas não saia às segundas. O GLOBO era o contrário: saía às segundas, mas não saía aos domingos.
As EDIÇÕES MARAVILHOSAS que algumas revistinhas em quadrinho lançavam só no Natal. A RÁDIO-RELÓGIO, o PERGUNTE AO JOÃO, O CÉU É O LIMITE, a RESENHA FACIT e por aí vai.

26 comentários:

  1. Periquito da sorte nunca mais vi mas funileiro e amolador ainda aparecem por aqui.

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  2. Bom dia.

    A palavra-chave de hoje é "praticamente". Alguns desses itens ainda são encontrados aqui ou ali. Vejo ainda vassoureiro, garrafeiros, amoladores de faca (mais raro), estes substituídos por cutelarias, os padeiros em bicicletas substituídos delas kombis.

    A ficha de telefone foi vítima da tecnologia, assim como mais recentemente o próprio orelhão e o telefone fixo vai pelo mesmo caminho.

    Cheguei a trocar chapinhas da Coca no caminhão. Hoje quase todas as promoções são pela internet...

    Os mata-mosquitos foram substituídos pelos agentes de saúde que chegam nas casas com aquele pozinho para colocar nos ralos.

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  3. Bom dia, luiz, pessoal.
    Acho que lembro de quase tudo citado, exceto bondes.As fichas de ônibus eram depositadas em uma caixa com armação de alumínio e paredes de vidro transparente. Havia uma placa, geralmente no teto do coletivo, dizendo "favor depositar a ficha na caixa coletora". Interessante que o sistema ainda funcionava nas linhas 233/234 que subiam o Alto da Boa Vista em meados dos anos 80. Um fiscal subia pela frente no último ponto antes da subida e passava com um saco, onde os passageiros jogavam as fichas.Quem não tivesse ficha, ou descia ou pagava a diferença.

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    1. Os bondes "Rita Pavone" em 1965 já possuíam "roletas" em uma época em que os ônibus ainda não as tinham. As linhas 614 Usina-Largo da Segunda Feira e 616 Santa Alexandrina-Usina, não tinham roleta. Aos Domingos havia uma "Domingueira" no Montanha Clube, isso nos idos de 1972, e o 614 subia a Edison Passos e descia a Estrada Velha da Tijuca para deixar a a meninada na porta do clube. A partir do Largo da Usina, o ônibus não mais abria a porta traseira para evitar o "calote" e só parava na porta do Montanha para o desembarque do pessoal. Em 1972 "a banda tocava afinada", a repressão estava no auge, a educação era muito melhor, e não havia doutrinação entre os jovens, já que os doutrinados ainda estavam por nascer. Quem viveu lembra...

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  4. Muitas coisas se perderam com o advento da modernidade. Minha avó tinha uma lavadeira no início da rua São Miguel e uma vez por semana meu avô levava uma trouxa de roupa juntamente com o "rol", que para quem não sabe, é sinônimo de lista. Depois de lavada, a roupa era entregue na casa de minha avó acondicionada em uma trouxa, depois de uma viagem de bonde. O folheto de cinema era conhecido como "programa". Muitos dessas atividades eram simples mas vivia-se feliz. Mas ficou faltando aqui aquela revistinha "desenhada e em preto e branco" e que era vendida clandestinamente nas bancas: A "revistinha de sacanagem"!. No "fora de foco", a escalada da violência aumentou com as ações das forças armadas, que tiveram dois militares mortos. Foram 60 presos, 40 armas e enorme quantidade de drogas apreendidos. No Alemão e na Maré as ações continuam. Mas os arrastões aumentaram. Dois agora pela manhã em Vila Isabel.

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  5. Na feira onde vou aos sábados,ainda existe um senhor que conserta panelas e amola facas,mas a sua presença já é intercalada,com falhas em algumas semanas.Entregadores hoje estão em motos e fazendo asneiras no transito e até mesmo vendedores de jornais em semáforos estão desaparecendo.Enfim muitas mudanças nos hábitos do dia a dia.Quem viu.....

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  6. Saudades do Rio.

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  7. Aqui na Ilha, tínhamos a figura do peixeiro, que após retirar o pescado dos covos, junto à praia, vendiam os peixes em cestos cobertos por folhas de bananeira...

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  8. Há pouco tempo apareceu por aqui um amolador de facas. Escutei o som agudo produzido por aquela traquitana e fui até lá para fotografar. Lembro bem do "guerrrrrefairo", gritado pelo português, de camiseta, boina, tamancos e uma cesta equilibrada na cabeça. Lembro de tudo isso aí, mas o melhor era, sem dúvida, os almanaques que os gibis publicavam no final do ano. Preciosidades!

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  9. Peralta, o implicante21 de agosto de 2018 12:13

    Tia Nalu posta no SDR via telex ou telegrama.

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    1. Peralta, ó implicante pivete, tia Nalu está em dia com as tecnologias mais avançadas: manda por código Morse.

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  10. Na minha rua ainda temos vários "serviços": Kombi do pão, com variedades de bolos; carro dos ovos (trinta ovos a dez reais); moto do gás.
    O incômodo é o som do alto falante, que invade toda a casa; no passado não havia este problema.

    Interessante analisar que tanto no passado quanto hoje esses vendedores não eram muito repreendidos pelo fato de não pagarem imposto...

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    1. Wagner, por aqui estão vendendo a 8 reais a cartela dos ovos brancos e a 10 a dos ovos vermelhos.

      Também passam carros do camarão e das mantas e redes, além do já citado carro dos pães e bolos ("carro das delícias"). E também carros e motos do gás.

      Tem também a kombi do verdureiro, com produtos orgânicos.

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  11. Boa tarde ! Assim, de pronto, me lembro de dois que não foram, ainda, citados. O empalhador de cadeiras e a vaca-leiteira. Havia ainda o empregado da CTB que sempre era chamado quando ocorria algum problema com o telefone fixo. Se puxar, é capaz de sair mais... Bons tempos ! Éramos felizes e não nos dávamos conta disso !

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  12. Dizem as más línguas que o Pastor vai sempre aos sábados na Feira Livre pois lá está também o "Periquito da Sorte". O que está escrito naquele papelzinho só Deus sabe e o Pastor que os esconde debaixo de 8 chaves para ninguém ter conhecimento. Um espanto.

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  13. Continuo aqui injuriado com a comissão técnica do Flamengo e tentando saber o que esta diretoria vai aprontar neste final de ano.Bom lembrar que está nas 3 disputas e depois fica rasgando seda para outro campeão e fazendo umas mágicas estranhas.Até agora não entendi a liberação do Everton para o São Paulo e o investimento feito no Vitinho que até agora não chegou assim como esse Uribe.Também fui contra a efetivação do Mosquito sem pilha que não tem caixa para dirigir alguns velhacos que ainda existem no plantel.O Vasco está lá com o Bigode mas garante que é interino e não pode ser de outra forma e o exemplo é o Zé Ricardo que em pouco tempo está no terceiro carioca.Não vai dar liga nunca e vai acabar como técnico emergente sempre,dirigindo América de Minas,Chapecoense,Vitória e outros do gênero.Estou injuriado a cada dia e não vejo bom final de temporada.

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  14. Na feira-livre aqui perto de casa ainda tem um paneleiro. E na minha porta passa uma Caravan vendendo camarão e filé de peixe frescos (?!). Fora a Kombi vendendo 30 ovos a R$10,00. Em Vila Isabel, até quando morei lá, em 2006, havia um padeiro que passava com a cesta de pães em uma bicicleta.

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  15. Minha mãe era lavadeira. A maioria das freguesas morava na nossa rua. Mas havia um casal de velhinhos que morava na rua General Caldwell, entre Frei Caneca e Mem de Sá. Eu ia até lá com ela, levando embrulhos de roupa lavada e engomada, e para isso pegávamos o bonde 66 - Tijuca, normalmente com um condutor que chamava todo o mundo de "Major". Chegando na casa deles, eu pegava um exemplar qualquer das "Seleções do Reader's Digest" e ficava lendo, até sairmos. Por isso, minha mãe fez uma assinatura da revista, para os anos de 1961 e 1962. Depois, não conseguiu mais pagar.

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  16. Era tempo da Guerra Fria, e quanto mais eu lia na Seleções artigos contra a URSS, mais simpatizava com eles e menos com os americanos. Em 1966, entrei para o CPOR e toda sexta-feira o coronel-comandante, de nome de guerra Ruas, fazia uma catilinária contra o comunismo. Entrava por um ouvido e saía por outro. Em 1971 fui alocado ao DOPS e não sentia pena nenhuma dos "subversivos" que de vez em quando apareciam por lá. Hoje, detesto americanos, russos e brasileiros. A idade traz sapiência e a gente passa a ver tudo negro, e não cor-de-rosa.

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  17. Mas voltando ao assunto de hoje: na minha rua, na Tijuca, passava na década de 1950/60 um possivelmente judeu gritando "Roupa velha... roupa de homem". Não me lembro se ele comprava ou vendia roupa.

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  18. E na década de 1950, antes das carrocinhas de leite, passava na minha rua um caminhão bem velho (talvez da década de 1930/40), que chamávamos de "vaca leiteira". A carroceria era uma pipa cheia de leite e os compradores levavam leiteira ou algum recipiente para encher numa torneirinha da pipa. O caminhão era anunciado por uma daquelas buzinas imitando o mugido de uma vaca.

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  19. Agora, olhando a primeira foto da série de hoje, não consegui evitar a admiração pelo andar da moça ao fundo da foto. Sempre achei extremamente sensuais as mulheres que ao andar mexem com os quadris lateralmente, fazendo com que a saia ou vestido balance também lateralmente. Seria lembrança do meu primeiro amor, de adolescência, que tinha esse andar? Talvez sim, talvez não.

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    1. Hélio Ribeiro, você não é o único "neste sítio" que gosta do que é bom. Quem não gosta de mulher com "remelexo" nos quadris? Não tem coisa melhor para "levantar o espírito". Em tempos de "ideologia de gênero", "Pablo Vittar", "esquerda doutrinada", "Tamy Miranda", e cia, não custa nada dizer que nada tem mais graça do que uma bela mulher!

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  20. A primeira foto é em Copacabana, na rua Raul Pompeia, junto de onde ficava o cinema Riviera.

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    1. Mencionei na semana passada esse edifício, que fica na esquina de Júlio de Castilhos.

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  21. Hoje em dia, temos a Kombi dos Ovos, a do Ferro Velho e o padeiro em um velho Chevette. Na Ilha do Governador, o tempo custa a passar...

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