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segunda-feira, 3 de maio de 2021

REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA

Em 14 de Maio de 1837, um grupo de 43 emigrantes portugueses do Rio de Janeiro reuniu-se na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga Rua Direita (hoje Rua Primeiro de Março), nº 20, e resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes na então capital do Império de ilustrar o seu espírito.

O Gabinete Português de Leitura teve a sua primeira sede no sobrado do nº 83 da Rua de São Pedro e, em 1842, se transferiu para a Rua da Quitanda, onde ocupou um prédio de três pavimentos, de fachada azulejada e beiral de telhas de canal esmaltadas em Alcobaça.

No entanto, o espaço necessário para guardar os numerosos livros que possuía tornou-se exíguo e, em 1850, a diretoria viu-se obrigada a procurar novo abrigo, na Rua dos Beneditinos.

Como a biblioteca não parasse de aumentar, este edifício acabou por deixar de atender às exigências da associação, sendo então adquirido em 1876 um terreno na Rua da Lampadosa, atual Rua Luís de Camões para a construção de nova sede, onde funciona até hoje.

Reparem que não havia o "Real" no título do frontão. O título "Real" só foi outorgado pelo Rei de Portugal em 1906. O interessante é que Portugal tornou-se república em 1910, mas o título ficou. O Real Gabinete é a maior biblioteca de autores portugueses fora de Portugal.

Foto de Marc Ferrez, de 1895, colorizada pelo mestre Reinaldo Elias.


Em 10 de Junho de 1880, tricentenário da morte de Luis de Camões, com a presença do imperador D. Pedro II, do ministro do Império Barão Homem de Mello e do Presidente da Câmara Municipal Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, é lançada a primeira pedra para a construção da nova sede do Gabinete Português de Leitura. O projeto escolhido foi o do arquiteto português Rafael da Silva Castro, com seu traço neomanuelino a evocar a epopeia camoniana.

O edifício, primeira construção no Brasil com estrutura em ferro , importado da Europa, tem toda a sua fachada erigida em pedra de lioz vinda de Portugal, com estátuas de Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, do Infante D. Henrique e de Luís de Camões sobre as mísulas da fachada. Foi inaugurado em 10 de Setembro de 1887, com a presença da Princesa Isabel e do Conde D’Eu. Os trabalhos de construção tinham sido dirigidos pelo arquiteto Frederico José Branco e as pinturas e decorações em relevo estiveram a cargo do artista Frederico Steckel. O RGPL funciona como Museu, Biblioteca totalmente informatizada, com um acervo de 350.000 publicações, Centro de Estudos Multimídia, Centro Cultural e Polo de Pesquisas.


O belíssimo Real Gabinete Português de Leitura é um prédio estilo neo-manoelino, que se caracteriza pela exuberância plástica, o naturalismo, a robustez, a dinâmica de curvas e o recurso a motivos inspirados na flora marítima e na náutica da época dos Descobrimentos. Visitar suas suntuosas instalações é um ótimo programa no Rio de Janeiro.


O prédio está bem conservado, tanto em suas fachadas quanto em seu interior. 


Um aspecto do interior do Real Gabinete Português de Leitura, local que a maioria dos cariocas não conhece. 

22 comentários:

  1. Uma biblioteca belíssima. Uma pena que as novas gerações tenham o hábito de ler como a última das prioridades. Depois do "desastre Paulo Freire", o nível da educação brasileira não poderia ser pior.

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  2. Olá, Dr. D'.

    Passei algumas vezes em frente, mas nunca entrei, infelizmente.

    Algumas cenas do filme "O Xangô de Baker Street" foram filmadas lá. Outras produções de TV também. Atualmente deve estar com restrições no funcionamento.

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  3. Sempre quis entrar, mas nunca fui.

    É uma pena a falta do hábito da leitura do povo brasileiro em geral, fenômeno que se vê em todas as classes. Para os pobres ainda seria em parte justificável por motivos óbvios; mas os ricos, que detém o poder econômico e político, essa ignorância produz consequências perversas.

    Uma curiosidade: lembro-me que numa ocasião lá no início dos anos 80 eu estava na fila do ônibus 397 (Lgo São Francisco - Campo Grande) nesta Rua Luiz de Camões e achava engraçado que várias pessoas paravam em frente deste prédio e fazia o "sinal da cruz"...

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  4. Tudo é uma questão de opinião. De um lado Paulo Freire, um educador de renome internacional, reconhecido como um dos grandes da área, com o time do outro lado que conta com Decotelli (que nem tomou posse por falsificar o próprio currículo), Weintraub (um acusado de racismo e semialfabetizado) e Vélez Rodríguez, que nem sabia o que estava fazendo no ministério, é demais para mim.

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    1. Seja de que lado for, a realidade é que a Educação brasileira está uma bosta. Os exames do PISA que o digam. E o roto falando do esfarrapado.

      Não interessa aos cleptocratas da esquerda, direita ou centro ter uma população instruída, mais difícil de manipular, enganar e comprar com esmolas.

      Portanto, não há nada a esperar de bom na Educação. O status quo é muito conveniente para a bandidagem política.

      Parem de se acusar mutuamente. Estão defendendo o Al Capone e acusando o Lucky Luciano. E vice-versa.

      Métodos são teóricos. O que importa é a implementação deles.

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    2. No "meu tempo", "no seu tempo", e no tempo de todos os "antigos" que são a grande maioria "neste sítio", existia uma educação de qualidade, e a prova disso é que o conteúdo do blog é excelente. Mas faço uma pergunta: existe algum comentarista regular aqui que tenha menos 45 anos?

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    3. Se o método Paulo Freire é tão bom assim e está sendo aplicado na Educação há tantas décadas, por que essa tragédia na formação dos alunos, praticamente todos saindo como analfabetos funcionais?

      Imagino um designer famoso que projeta um móvel espetacular e se torna conhecido mundialmente. Para fazer o móvel, são necessários mogno, boas ferramentas e marceneiros habilitados.

      Aí o dono da empresa encarregada da confecção fornece pinho de terceira, ou aquelas ferramentas de plástico para crianças, ou contrata pedreiros. Ou tudo isso ao mesmo tempo.

      Assim tem sido a condução da Educação há décadas: pinho de terceira, ferramentas de plástico e pedreiros. O resultado é o que sabemos.

      O método Paulo Freire pode ser revolucionário na teoria; o resultado prático é uma bosta fedorenta. Culpa de quem?

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    4. Estudei todo o curso primário no Instituto de Educação, um colégio público do antigo Estado da Guanabara cujo ingresso era bastante concorrido. Foram cinco anos onde adquiri uma base sólida da qual me valho até hoje, pois o ensino fundamental é o alicerce para o futuro. Assim era o ensino ministrado nas escolas públicas do passado. O Curso de Admissão que fiz no Colégio de São Bento foi o último a ser realizado antes da reforma do ensino. Nesses anos adquiri o gosto pela leitura e pela pesquisa, supervisionado por um corpo didático por excelência, bem qualificado e bem remunerado, diariamente presente ao hasteamento da Bandeira Nacional. E atualmente como está sendo tratado o ensino público fundamental? As escolas são bem estruturadas, o sistema didático é bem aplicado por professores bem qualificados e bem remunerados? E a disciplina é adequada? A resposta é do conhecimento de todos. E nessa "egrégora educacional" em tom cinza bem escuro, ainda há uma agravante: As "cotas raciais", onde "minorias" como negros, pardos, e indígenas oriundos de escolas públicas, tenham acesso direto e às universidades públicas. Tendo um ensino fundamental precaríssimo e um ensino secundário deficiente, como será o brilhante trajeto universitário de um estudante depois desse "notável currículum vitae?" E depois de formados tais estudantes serão "especialistas em que?" A resposta todos já sabem...

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  5. Apenas a título de curiosidade, destaco que o Real Gabinete possui um dos cinco exemplares da edição "princeps" (1572) d'Os Lusíadas existentes no Brasil, proveniente do Colégio de Jesuítas de Setúbal. Além desse, a Biblioteca Nacional tem dois, comprados de um livreiro no Porto; o exemplar da Academia Brasileira de Letras foi-lhe ofertado por Guilherme Guinle; e o do Instituto Histórico e Geográfico pertenceu a D. Pedro II, podendo-se ler neste a inscrição, em letra do século XVI: "Luís de Camões seu dono".

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  6. Bom dia a todos. Uma das mais belas construções do centro da cidade, uma pena que tenha pouca divulgação e seja pouco visitada nos dias de hoje. Entrei muitas vezes no seu interior, cheguei a fazer uma pesquisa no ginásio consultando os principais escritores Portugueses desde Camões até os nossos dias, coisas que nos dias de hoje as crianças fazem pela internet, com copiar e colar sem aprenderem nada, trabalhos e pesquisas que não levam a lugar nenhum.

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    1. Em 1969 o poeta português Abílio Manuel Guerra Junqueiro foi objeto de um "Reality Show" na antiga TV Tupi quando uma jovem estudante e pesquisadora suburbana mostrou a qualidade do nível do ensino público do passado respondendo sobre a sua obra no programa J.Silvestre. Quem não lembra da "Noivinha Pavuna?"

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  7. É gratificante, uma delícia, ver que esta belíssima construção e riquíssima em temos históricos e arquitetônicos, continua intacta e até hoje preservada. Caso não o fosse, estaríamos mais uma vez aqui a lamentar o seu desaparecimento. Já adentrei apenas em uma ocasião.

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  8. Sem dúvida um rico acervo, instalado em uma bela edificação.
    Confesso que sempre faço confusão entre essa instituição e o Liceu Literário Português, situado na Av. Alm. Barroso.
    Ainda bem que nunca um visitante da cidade me perguntou onde fica um ou o outro porque eu poderia inverter os locais.

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  9. Boa Tarde! Na juventude fui leitor, depois que comecei a trabalhar e namorar,não sobrou mais tempo. falta um dia.

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  10. Uma jóia que ainda preservamos. Espero que continue assim, acervo impressionante em um prédio histórico. Todo carioca deveria conhecer.
    A massa falida entregou a Uni-Rio toda a biblioteca da Gama Filho, até faz pouco não tinham retirado por falta de verba. Assim preservamos nossos livros e cultura.

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  11. Andrei Lobaczewski3 de maio de 2021 14:20

    Ler um livro cada vez mais se tornará algo raro. Num tempo em que os iluminados "cancelam" Monteiro Lobato por "racismo", Schakespeare por ser um representante da "cultura branca e patriarcal" e outras obscenidades só podemos temer pela futuro da literatura. Quanto ao sucesso dos "métodos pedagógicos" adotados no Brasil acho que o desempenho patético dos nossos estudantes nos exames internacionais já diz tudo o que se precisa saber.

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  12. Falha minha não ter entrado no Real Gabinete. Os "ixpertos" ricos não sabem que os "nerds" pobres vão tomar o lugar deles por lerem muito e aprenderem. É assim o ciclo. o dinheiro muda de mão em grande parte pela cultura. Aprendo na Magica do Saber, nos mesmos colégios do Presidente do SdR. DEi para meus filhos o anzol, não o peixe. A vida mostra que os abusos financeiros do início geralmente resultam em desastres.Existe uma geração acadêmica ralando muito. Hoje assisti um debate com o historiador Lira Neto, craque. Promovido pela Universidade de Campina Grande e cheio de gente assistindo. Frequento um grupo de Whats App de Direito e Arte. A turma do NE produzindo muito, se habilitando para bolsas do DAAD na Alemanha. Um dos debatedores, meu amigo Marcílio Franca, da Paraíba é visiting professor em Berlim e Torino.Ativo intelectual não ocupa espaço. Já disse em debates: se uma das provas do BBB fosse sobre literatura (com liros previamente informados) estimularia a audiência. Falta na Malhação um herói leitor.Similia similibus curantur.

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  13. Já visitei 02 vezes o Real Gabinete Português e ele é extremamente lindo, a primeira fazem muitos e muitos anos e a segunda foi em 2019, é sensacional a beleza desse lugar e como está conservado.

    Porém, a Biblioteca Nacional ganha de todos, é um verdadeiro passeio pela história do Brasil, quando ocorriam exposições era muito aprendizado em apenas uma visita, já vi muitos documentos históricos do nosso país ali na minha frente.

    Falando em leituras, estou lendo "O sol é para todos" de Harper Lee, livro premiado e considerado um dos maiores livros de literatura do século XX, ganhador do Prêmio Pulitzer, recomendo a leitura.





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  14. Houve muitos fatores para a queda do Ensino Público. Desde falta de interesse dos governantes em ter um povo educado e eventualmente questionador até a incrível deterioração dos valores de antigamente. A falta de respeito impera até em colégios particulares da elite. Não se pode punir o aluno de nenhuma forma que os pais logo fazem um escarcéu. Quanto ao ensino público com a proliferação de faculdades quase ninguém mais quis seguir carreira de professor. Se outrora as professoras primárias eram moças da classe média oriundas da zona sul da cidade e de bons bairros da zona norte hoje em dia são pessoas mal preparadas e que têm pouca bagagem para ensinar. Pode parecer preconceito mas é o que vejo acontecer. A baixa remuneração dos professores não atrai bons quadros. O cenário é desolador.

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    1. A professora Monique, mãe do menino Henry, é professora do ensino fundamental da rede pública e era diretora de uma Escola Municipal na zona oeste com um vencimento bruto de cerca de quatro mil Reais. Um salário baixo em razão da importância da função desempenhada. Os doze mil reais restantes que compunham o total da remuneração de dezesseis mil reais se deviam ao fato de ocupar um cargo comissionado por indicação política, provavelmente como "fantasma". "Isto é o Brasil"...

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  15. Afirmar categoricamente que o ensino público era melhor antigamente também recorre a uma falácia: melhor pra quem?
    Só aqueles que tinham sorte, pistolão ou estar mais preparado é que conseguiam uma vaga.

    Minha mãe "dormiu" várias vezes na porta de escolas publicas e assim mesmo não conseguiu vagas para todos os meus irmãos; o número de escolas simplesmente não atendia à demanda. Ademais, existiam provas pra entrar no ginásio e também provas pra entrar nas raríssimas escolas técnicas. Pedro II, Colégio Militar e Institutos de Educação eram quimeras; não eram para o "bico" de qualquer um. Dos mais pobres, só os muito preparados e dotados de melhores condições familiares pra sentar o traseiro e estudar é que conseguiam a proeza de passar para umas escolas dessas.

    Conversando com pessoas na faixa dos setenta a oitenta anos que estudaram em escolas públicas, percebe-se um certo cuidado do uso correto da língua e das operações fundamentais de matemática - via de regra, gabam-se por saber a tabuada de cor -, mas é só isso. Aqueles que não seguiram nos estudos, a grande e esmagadora maioria, estacionaram num nível médio, ou baixo. Muitos, é verdade, se aprimoraram e se desenvolveram nas atividades dos próprios trabalhos e ocupações.

    Ou seja, como tudo no Brasil antigamente, era um país de poucos, daqueles que dispunham de uma condiçãozinha melhor; isso, sim, era perpetuar o "status quo".

    Se as escolas de ensino básico e médio já eram escassas, dirá as universidades, que eram um feudo da classe média alta.

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  16. Falam de "desastre Paulo Freire" (sic) e temos uma hecatombe há pouco mais de dois anos, com uma média de menos de um ano por "ministro" (sic).

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