O “post” de hoje apresenta fotografias da revista Fon-Fon e do acervo de Afranio Costa, além de textos pesquisados no “Correio da Manhã” e em um artigo de Eduardo Ferreira, que tem um “blog” sobre o assunto.
O Revolver Club foi uma iniciativa
do "sportman" Alberto Braga. Foi criado em junho de 1914. Tinha
"stands" de tiro na Rua Fonte da Saudade, na Lagoa. Braga não só
cedeu o terreno, mas também custeou a construção do estande de tiro. De linhas
sóbrias, com apenas oito “boxes”, o primeiro estande de clube construído no Brasil
seguiu o modelo europeu, com um piso superior utilizado para observar o
andamento da prova sem incomodar os competidores.
Destacavam-se como
atiradores o Alberto Braga, Eugenio George, Afranio Costa e o tenente Guilherme
Paraense.
O acesso ao clube para as
provas matutinas era feito através dos autos-avenidas da linha Largo dos Leões,
das 8 às 9 da manhã, de Mauá e que chegam até à porta do "stand",
informava o “Correio da Manhã”. Anos depois a indicação era usar o bonde
"Jardim Botânico".
As competições eram disputadas por agremiações como o Tiro Brasileiro do Leme, o Tiro de Nictheroy, Tiro Brasileiro da Pavuna, Tiro Brasileiro de Friburgo, Tiro de Revolver Icarahy e Tiro Vasco da Gama.
As características do
estande e do clube foram muito bem descritas por um interessante artigo da
época da fundação do clube:
“A situação da sede
social, além de aprazível, é apropriada para o tiro, pois a parte final da
linha de tiro é fechada por um “para balas” natural. A construção do stand é de
estilo moderno, proporcionando aos frequentadores excelente conforto. A linha
de tiro, além de optimo aspecto, presta-se perfeitamente ao tiro, pelas obras
nellas effectuadas, resultando a máxima segurança e commodidade aos atiradores,
durante os exercícios. Nas trincheiras do abrigo estão dispostas, em
aperfeiçoados apparelhos, nove alvos que funcionam com rapidez extraordinária,
auxiliados pela installação electrica. Há também um alvo a 15 metros para
aprendizes, quatro a 25 e igual número a 50 metros, para atiradores
classificados.”
Em 1919 foi inaugurado o
"stand" de tiro do Fluminense Futebol Clube, local onde no final do
século XX fiz meu curso de tiro.
Exemplo de reportagens que saíam com frequência no "Correio da Manhã" sobre as competições de tiro no início dos anos 20.
Em 1920 foi no
"stand" do Revolver Club que se realizaram as eliminatórias para as
Olimpíadas da Antuérpia, na Bélgica, com destaque para Guilherme Paraense, que
acabou por conquistar a primeira medalha de ouro olímpica para o Brasil, na
modalidade de pistola rápida. Afranio Costa conseguiu uma medalha de prata. A ida até o local de competição foi uma odisseia,
levando quase um mês. Foram na 3ª classe do navio Curvello, desembarcaram em
Lisboa e pegaram um trem até a Bélgica.
Ao chegarem em Bruxelas,
parte das armas e munição da equipe foram roubadas. Afrânio Costa, Sebastião
Wolf, Dario Barbosa, Fernando Soledade e Guilherme Paraense chegaram ao campo
de Beverloo, onde estavam concentradas as equipes de tiro esportivo. Os
brasileiros tinham apenas 200 munições calibre 38, quando cada atleta
precisaria de 75. Com tantas dificuldades durante a viagem, desde más condições
de sono, fome, até o furto de seus armamentos, a equipe brasileira de tiro
chegou aos jogos de moral baixa e não imaginava a reviravolta que aconteceria. A
delegação norte-americana cedeu parte de seu arsenal: 2 mil cartuchos e duas
pistolas Colt, feitas especialmente para os competidores americanos usarem nas
olimpíadas. Uma atitude de fair-play que dificilmente seria vista nos dias de
hoje.





















