Estas são as
cadernetas dos alunos do Colégio Santo Inácio, que tinham que ser apresentadas
diariamente. Ali se anotavam a presença, os avisos, as advertências, as notas
ao final de cada mês. Nesta época não tínhamos telefone em casa, dada a
dificuldade de se conseguir um. Os que aparecem nas cadernetas são da casa de minha
bisavó ou de uma “extensão” do telefone da casa de um amigo de meu pai (dada a
falta de telefones na época, a CTB permitia este artifício. Quando alguém
ligava o telefone tocava nas duas residências (a dele era em Ipanema, na Barão
de Jaguaribe) e nas duas residências eram atendidos.
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sábado, 6 de fevereiro de 2021
DO FUNDO DO BAÚ - COISAS ANTIGAS
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021
PRAÇA XV E ADJACÊNCIAS
Vemos a
região da Praça XV e parte do Aeroporto Santos Dumont no ano de 1951. De cima
pra baixo vemos o terminal da PAA/Panam/Panair, hoje III Comar, terminal de
hidroaviões do Santos-Dumont, hoje Instituto Cultural da Aeronáutica, pavilhão
de Caça e Pesca da Expo 22, já muito modificado. Demolido, no lugar existe o
salão do Clube da Aeronáutica. Pavilhão da Estatística da Expo 22, hoje Centro
Cultural Saúde dos Portos. O torreão sobrevivente do Mercado onde está o
Restaurante Albamar. À direita o Museu Histórico Nacional, na época
provavelmente ainda com as cicatrizes da demolição dos acréscimos da Expo 22. Esta
região foi desfigurada pela construção da Perimetral, que viria abaixo após
alguns anos de vida. aquele flutuante quadrado sobrevive e hoje em dia é o
Argonauta, localizado a algumas dezenas de metros da Mureta da Urca, em frente
ao Bar Urca.
Esta é aparte nacional da Expo de 1922, construída sobre o antigo cais da cidade, vendo-se no primeiro plano, a contar da direita, as adaptações do Mercado, o coreto de música e os pavilhões de Estatística e de Caça e Pesca. Em segundo plano, os pavilhões de Viação e Agricultura e do Distrito Federal e os palácios dos Estados e das Grandes e Pequenas Indústrias. À direita, o aspecto angular da Exposição, destacando-se no primeiro plano um trecho sobreexistente do Morro do Castelo e as instalações da Santa Casa de Misericórdia. No plano central as cúpulas torreões e coberturas dos pavilhões nacionais e estrangeiros e, ao fundo, a extensa área conquistada à Guanabara com o desaterro do Castelo.
O Pavilhão de Caça e Pesca na Exposição de 1922.
Outro ângulo da demolição. Neste local seria construído o Clube da Aeronáutica.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
FUSCAS
As fotos de hoje, enviadas pelo Gustavo Lemos, mostram os Fuscas do pai dele, Aluizio Lemos, nos anos 50. Todos os carros são alemães.
As primeiras mostram o
Fusca na calçada da Praia de Ipanema, na confluência da Vieira Souto, Francisco
Otaviano e Francisco Bhering. Vemos, à direita, o clássico Edifício Marambaia, de 1936, cujo endereço é Avenida
Francisco Bhering, nº 33. Com dez andares e dois apartamentos de cerca de 200
m2 por pavimento, o Marambaia é o edifício alto mais antigo do bairro. Foi
construído pelo engenheiro João Carlos Vital, que foi presidente do IRB
(Instituto de Resseguros do Brasil) quando de sua fundação e, anos depois, foi
prefeito do Rio nos anos 50.
Vital morou em uma das unidades por alguns anos. Em outra unidade moraram meus amigos e colegas de colégio, os Tebyriçá.
Tinham inúmeras irmãs e acho que a tia Nalu conhecia algumas delas.
As outras fotos são junto
à Pedra do Arpoador.
Obiscoitomolhado
certamente falará da vigia traseira oval, do quebra-vento, dos parachoques,
etc.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
AUTOMÓVEIS
1) Qual desses carros você gostaria de ter tido?
2) Em que local eles estão?
3) Você consegue identificar todos eles e o ano de fabricação?
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
AVENIDA ATLÂNTICA
Com a inestimável
colaboração do Maximiliano Zierer na descrição dos locais, vemos hoje mais
cinco casas da Avenida Atlântica em fotos do AGCRJ. Zierer é um dos maiores conhecedores da história da Av. Atlântica.
Vemos a Vila Normanda,
pertencente ao proprietário dos Diários Associados, o jornalista e magnata
Assis Chateaubriand. Ele adquiriu esta casa de Celina Guinle de Paula Machado,
que a usava somente como casa de veraneio.
Chateaubriand faleceu em
1968 e a casa foi demolida logo em seguida, em 1969. No seu lugar foi erguido o
edifício Vila Normanda, na Av. Atlântica nº 2406, que manteve o nome original
da casa, que ficava perto da esquina da Rua Figueiredo Magalhães (numa das
esquinas ficava a mansão de James Darcy, já vista várias vezes por aqui).
Este era o casarão da
família Dias de Castro, atual edifício Av. Atlântica, no nº 2172, na esquina da
Rua Hilário de Gouveia. Pertencia ao engenheiro paulista Ernesto Dias de
Castro, que também era proprietário do prédio de 12 andares e 23 apartamentos
vizinho à direita desta casa, o edifício Dias de Castro, que permanece até hoje
no local, no nº 2150 da Av. Atlântica.
O casarão foi construído
em 1922 e demolido em 1981. O projeto foi de Gastão Bahiana, que projetou
várias outras casas em Copacabana, além da igreja de Nossa Senhora da Paz, em
Ipanema.
Esta casa com torre
ficava próxima da Rua Bolivar. Construída na segunda metade da primeira década
do século XX foi demolida em 1962 e em seu lugar foi erguido o edifício Pedra
Branca, na Av. Atlântica nº 3130.
Esta mansão ficava no
Leme. Quando foi construído tinha frente para a Rua Gustavo Sampaio e os fundos
para a Av. Atlântica, como várias outras como já comentamos por aqui. Pertencia
aos irmãos Ludolfi, proprietários da Cerâmica Brasileira e construtores do
edifício Ceramus, também no Leme, na Av. Atlântica nº 792. No local desta casa
da foto temos atualmente o edifício Mare Nostrum, na Av. Atlântica nº 822.
Este casarão geminado ficava no quarteirão entre as ruas Francisco Otaviano e Joaquim Nabuco, no Posto 6. Ali funcionou a partir dos anos 50 a sede da Cultura Inglesa. Foi demolido no início dos anos 70 junto com seu vizinho, o prédio art-déco da TV Rio, antigo Cassino Atlântico.
domingo, 31 de janeiro de 2021
DO FUNDO DO BAÚ - COISAS ANTIGAS
Década de 1950 - Era
obrigatório a compra e o uso destes cadernos no Colégio Santo Inácio. O papel
interior era ótimo, mas o uso destes cadernos acabou no início dos anos 60.
Foram substituídos por cadernos do Ministério da Educação, fabricados pela
FENAME (Fundação Nacional de Material Escolar). PS: não sei a razão da sigla
ser Fename. Não deveria ser Funame?).
Década de 1950 – as lições do "Pequeno Manual de Civilidade", adotado no Colégio Santo Inácio, nos ensinava a se comportar socialmente, em meio a risadas abafadas pelo insólito das lições. A lição 46, por exemplo, falava do nariz: “este órgão deve ser tratado com cuidado especial; ninguém ignora que ele pode ser um foco de infecção, de pestilência e de micróbios perigosos, se não houver com ele o asseio e o tratamento exigidos pela higiene e os bons costumes. O nariz é um laboratório químico; seja sempre limpo. É repugnante e intolerável ver uma pessoa, criança ou não, introduzir os dedos no nariz. Além de repugnante é muito perigoso, porque não raras vezes produz uma irritação que aos poucos vem a ser uma ferida que desprende cheiro fétido, insuportável. Um dos atos que todo homem educado deve executar com atenção é usar discretamente do lenço para a limpeza do nariz; no entanto, poucos são os que o fazem com civilidade. Primeiro, deve-se usar somente um lenço limpo; segundo, desviar-se das pessoas com que se fala; terceiro, não o fazer com estrépito, nem ruído inconveniente; quarto, não desdobrar o lenço à guisa de bandeira; quinto, não olhar, em companhia, o muco nasal; sexto, dobrar o lenço de modo que os cantos envolvam o centro; sétimo, não segurar o lenço na mão durante uma conversa, nem o deixar em cima de uma mobília: mesa, piano, banco ou cadeira. O espirro é um reflexo involuntário. É próprio dos fátuos e dos caipiras espirrar com estrépito, querendo, por um barulho inconveniente, mostrar a força de seus pulmões. Deve-se espirrar abafando o espirro no lenço, e se o movimento for muito súbito, a mão ao menos deve servir de anteparo à boca. São inconvenientes, não só em sociedade como em toda parte, os trejeitos com as bochechas e o nariz; assim também são detestáveis pigarrear, fungar, rosnar, roncar, etc.: todos estes ruídos devem ser absolutamente evitados”. Nestes tempos atuais, de absoluta falta de civilidade, como faz falta este livro.
Década de 1960 – a elegante
caneta Parker 51 (ou 61?) recebida num aniversário.
Década de 1970 – meu
primeiro passaporte, de capa dura, de tamanho maior que o atual, expedido pela
Secretaria de Segurança Pública - Instituto Felix Pacheco, e o Certificado de
Vacina contra varíola, obrigatória naquela época e feita "com vacina
liofilizada ou líquida preparada conforme as normas recomendadas pela
Organização Mundial de Saúde". A vacina era aplicada pela Secretaria de
Saúde - SUSEME, do Estado da Guanabara, credenciada pelo Ministério da Saúde de
acordo com o Decreto nº 57.394/65.
Década de 1960 - Cedo percebi a necessidade de aprender inglês. E uma das formas encontradas foi fazê-lo através das revistas em quadrinhos. Estas quatro aí de cima, que ainda repousam junto a tantas outras em meu baú, foram compradas numa grande banca de jornal que havia na esquina da Av. N.S. de Copacabana com a Rua Santa Clara, junto à loja Barbosa Freitas.
sábado, 30 de janeiro de 2021
DO FUNDO DO BAÚ - COISAS ANTIGAS
Aproveitando a ideia do
Helio Ribeiro de ver as coisas antigas que se tem em casa, aí vão alguns itens:
Década de 1940: Medalhão que enfeitava a
cabeceira do berço e depois da cama por alguns anos. Hoje repousa no
fundo de uma caixa. Segundo minha mãe representa o meu “Anjo da Guarda”, que me acompanharia por toda a vida.
Década de 1940: Caderneta da Caixa
Econômica aberta por minha madrinha em meu nome. Ela
todo mês colocava um dinheirinho na conta. Pois bem: já adolescente fui ver que a
fortuna que eu imaginava se resumia a uns poucos centavos. O dinheiro desvalorizou
de tal forma que virou pó.
Década de 1950: o "POLIOPTICON" foi um excelente presente. Comprado na loja Lutz
Ferrando da Av. N.S. de Copacabana uma caixa com um conjunto de lentes e tubos que, através de
roscas, se atarraxavam, permitindo fazer lunetas, binóculos, lupas,
microscópios, etc. As peças vinham acondicionadas nesta caixa de cor cinza e
cada uma delas tinha um número gravado. Um manual, que acompanhava o produto,
descrevia as peças que tinham que ser utilizadas para a montagem de cada
aparelho. Era possível, então, ver as estrelas, estudar as formigas, olhar a
lua, observar a vizinha através da janela...
Década de 1950: A festa de encerramento do ano letivo, chamada de "Solene
Distribuição de Prêmios" do Colégio Santo Inácio, a abertura da sessão
solene, começava assim: "Para maior glória de Deus, proveito
das letras e para fausta e honrosa memória, proclamam-se os nomes dos alunos do
Colégio Santo Inácio que no ano de mil novecentos e (...), por seu bom
comportamento e aplicação, ou por seu progresso literário mereceram prêmio ou
menção". E aí começava a distribuição de medalhas. A cor de cada fita tinha um significado: verde-amarelo, prêmio
por comportamento: vermelho com faixa dourada, prêmio em matéria de língua
estrangeira; amarelo-branco, frequência integral à missa obrigatória, aos
domingos pela manhã, na igreja do colégio; vermelho-branco, prêmio em alguma
matéria da grade curricular; branco-amarelo com a medalha arredondada, prêmio
na matéria Religião; verde-amarelo com símbolo de esporte, prêmio de campeão em
alguma modalidade esportiva. A mais cobiçãda, com fita azul-claro, faixa dourada e escudo colorido, a medalha do Prêmio de Excelência, dada ao melhor aluno entre os 160 de cada série, nunca ganhei.
Década de 1960: um exemplar da revista
MAD, da qual eu era fã. Suas gozações eram antológicas haja vista o próprio
"slogan": "Written and illustrated by the usual gang of
idiots". Seu "editor", Alfred E. Newman, que aparece na foto,
tinha sempre um pensamento tipo: "An electronic computer and a bikini swim
suit are very much alike...they both eliminate a great deal of guesswork!"
Seus desenhistas eram famosos e faziam sátiras de filmes, de personagens da
política, dos problemas do mundo. As tiras de "Spy vs. Spy" tinham
cenas fantásticas. A seção "The lighter side of ..." era um dos
grandes sucessos da revista. O personagem do desenhista Don Martin era um dos
que mais me divertia. E na última página, o "Mad fold-in" onde se via
um desenho que ao se dobrar a página no sentido vertical conforme marcado, se transformava
num novo desenho totalmente inesperado. E ainda se treinava o inglês. Era fã.
Década de 1960: meu ampliador velho de
guerra, um "Federal of Brooklyn", modelo 315, nº de série F-25579,
fabricado pela Federal Manufacturing and Engineering Corp. - Brooklyn - N.Y.
Resiste bravamente aqui, apesar de ter um medo pavoroso de Mme. D', que sempre
ameaça jogar fora "este traste imprestável, que só ocupa espaço". Mas
ele sabe que tem um fã ardoroso, defensor de sua permanência "ad
eternum", como um dos símbolos de outros tempos. Tempos de ir ao Centro, no J. Alencar, no Edifício Darke, no 19º andar,
comprar os produtos para fazer o revelador e o fixador. Tempos de ter 3 bacias
para fotos 18x24 (para revelador, água e fixador) e outras 3, muito maiores,
para fazer "posters". Tempos de revelar os filmes de 35mm numa
"cumbuquinha" de plástico, num improvisado quarto escuro, e dizer
muitos palavrões quando o rolo de filme prendia dentro da
"cumbuquinha". Tempos de conhecer novos fornecedores, como a Pan
Photo na Rua Buenos Aires ou o Honório na Rua Montenegro, de comprar pinças com
ponta de borracha, de descobrir que se podia usar uma lâmpada vermelha comum,
muito mais barata que a lâmpada própria para quarto escuro. Tempos de fazer
grande sucesso com as meninas por conta das fotos ampliadas, de levar broncas
terríveis em casa devido às manchas causadas pelos respingos do revelador na
pintura da parede do quarto, de usar a banheira cheia de água para lavar as
fotos depois de fixadas e de usar todas as paredes do banheiro para secar as
fotos.






















