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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

CENTRO



Em fotos de Milton Santos, do acervo do Correio da Manhã, vemos aspectos do Centro da cidade nos anos 50.
A primeira foto é uma grande vista do Centro, com destaque para o desmonte do Morro de Santo Antonio e o começo do Aterro do Flamengo.
A segunda foto mostra a região do aeroporto Santos Dumont no início do Aterro.
A terceira foto, já publicada anteriormente, mostra a Praça do Expedicionário, criada em 8/5/1947. Anteriormente conhecida como praça do Castelo, situa-se na avenida Presidente Antônio Carlos, em frente às avenidas Nilo Peçanha e Almirante Barroso. 
Com a palavra o mestre Andre Decourt: "Uma visão do Castelo e do bairro da Misericórdia, certamente nos primeiros anos da década de 50.
À esquerda vemos as construções do bairro da Misericórdia, um bairro que não existe mais, sepultado pelo prédio do Fórum, a via onde as pequenas construções dão frente é a Rua da Misericórdia, em seu antigo traçado que serpenteava pelas fraldas do morro do Castelo, onde nessa foto podemos perceber onde ele terminava.
As ruas internas eram das mais velhas da cidade como os becos do Cotovelo, Boa Morte, da Música e Travessa do Guindaste. Também ali ficava o Hotel Bom Jardim, cujo letreiro pode ser lido na foto em “tela cheia".
Ao fundo vemos os torreões do Mercado Municipal destruído sem muito sentido para a construção do viaduto da Av. Perimetral.
O prédio grande e com cúpula é o antigo Ministério da Agricultura, derrubado junto com o Monroe no governo Geisel como forma de desmoralizar e enfraquecer o Rio de Janeiro, privando-o dos símbolos da velha capital.
Na extrema direita aparece um pedacinho da Santa Casa .
No meio da foto aparece com destaque a Praça dos Expedicionários, um dos lugares que tinha tudo para ser um dos mais aprazíveis do Centro, principalmente pelo belo lago e chafariz.
O edifício do Jockey ainda não existe, sendo seu terreno usado como estacionamento, essa foto deve ter sido tirada num dia não útil, pois há poucos carros estacionados.
Há também um pequeno monumento num dos lugares mais improváveis na cidade de hoje, na confluência das movimentadíssimas avenidas Presidente Antonio Carlos e Almirante Barroso. Este pequeno monumento comemorativo do arruamento do Castelo foi removido quando houve o desfile das escolas de Samba na Pres. Antônio Carlos, se não me engano em 1974, por causa das obras do metrô na Pres. Vargas.
Uma curiosidade, sobre a Praça dos Expedicionários é que em seu subsolo se encontra o único grande abrigo antiaéreo do Rio de Janeiro, construído na época da 2ª Guerra Mundial. Era o primeiro de outros que seriam construídos, mas a guerra acabou e os aviões e navios do Eixo nunca apareceram... Há outros abrigos pela cidade, mas todos em prédios privados, muitos em Copacabana, onde inclusive existem prédios com lajes blindadas por chapas de aço. Hoje esse abrigo é usado como estacionamento do Tribunal de Justiça.
Esta foto possivelmente foi tomada dos prédios da Rua Debret.”
Os dois navios de guerra poderiam ser o cruzadores Barroso e Tamandaré, que foram construídos no final na década de 30. A curiosidade sobre esse local fica por conta de que antes da urbanização dessa praça e a construção do abrigo antiaéreo, depois estacionamento oficial, havia o campo de futebol do "Fura Rede", time dos funcionários e trabalhadores do extinto Mercado Municipal.

27 comentários:

  1. Cruzadores Barroso e Tamandaré foram construídos na década de 30, deslocavam 6.000 toneladas cada um e possuíam como armamento principal 15 canhões de 6 polegadas. Foram vendidos na década de 50 para o Brasil. Tinham os nomes de Philadelphia e St.Louis. Eram o que se chamava de "Cruzadores Ligeiros".

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  2. Ótimas fotos e excelentes informações do André Decourt.Confesso que a segunda foto,focando o Santos Dumnont me deixou confuso .Vou observar melhor.

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  3. A segunda foto impressiona. ângulo incomum. estou me situando.

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  4. Show de fotos! Cada uma delas vale uma aula. Na primeira, além dos destaques mencionados, vê-se a torre da Mesbla.

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  5. Bom Dia! A proa do Barroso foi cortada e levada para exercícios na Escola de combate a incêndios, da Marinha em Parada de Lucas.

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  6. A segunda foto é mais antiga que a primeira. Nesta o aterramento do trecho do Calabouço está completo. Na segunda se destaca o galpão que serviu para a instalação do Restaurante dos Estudantes, também conhecido como restaurante do Calabouço ou SAPS, como alguns o chamavam, demolido em 1967 para dar lugar ao atual Trevo dos Estudantes. O obelisco, ou um tipo de marco, foi herança de uma exposição no local onde uma das atrações foi uma baleia embalsamada a que deram o nome de Mobi Dick. Ficava exposta em cima de uma carroceria de carreta, exalando um cheiro terrível de formol. Até as agulhas que injetavam essa substância ficaram expostas. Seria interessante precisar a data da segunda foto para dissipar algumas dúvidas. Mas com certeza o restaurante foi inaugurado em 1955, mesmo ano do Congresso Eucarístico Internacional do Rio de Janeiro.

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  7. O Bairro da Misericórdia pode ser considerado "virtual", já que só existe em fotos e na memória de cada um. As mudanças realmente são impressionantes, mas não sou a pessoa indicada para comentá-las, já que existem comentaristas "entendidos" no assunto. Com relação à demolição do Palácio do Monroe, permitam-me discordar da gerência quanto ao motivo da demolição. Segundo rumores, o motivo foi uma "picuinha" entre Geisel e um outro militar cujo pai foi o Coronel Francisco Marcelino Souza Aguiar, autor do projeto de construção do palácio. Dizem ainda que a morte de J.K ocorreu devido à luta pela posse dos "despojos" e do "entulho" resultante da demolição. Mas são boatos.

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  8. O que eu mais lamento nesta área é a demolição do Ministério da Agricultura.Um prédio vasto,com estilo eclético, ainda que com vistas ao Neocolonial que predominou na Exposição de 1922.
    Esse lugar da terceira foto já não é grande coisa hoje em dia, mas durante décadas após a derrubada do Castelo, era um nada urbano, um vazio "preenchido" com projetos de ruas e prédios aqui e ali. A praça em questão só foi urbanizada 25 anos após a derrubada do morro...
    A Rua da Misericórdia agonizava, enquanto os "urbanistas" criaram mais um deserto urbano, que até hoje não tem identidade, nem estilo definidos. O prédio do Fórum, um mamute de vidro e concreto é um horror. A Av. Antonio Carlos é de uma grandiosidade inútil, pois termina da estreita e colonial Primeiro de Março. As Avenidas Almirante Barroso, Nilo Peçanha, Araujo Porto Alegre e Graça Aranha estão completamente tomadas por carros, vans, camelôs, transformando-as em um caos.

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  9. Se tirarmos uma reta da entrada da garagem subterrânea da Praça dos Expedicionários, podemos traçar hoje como era a desaparecida rua da Misericórdia. A foto também revela por que há uma inclinação tão grande na calçada no final dos pilotis do prédio do TJ na rua de D. Manoel, inclinação esta tão grande que há até uma pequena escada: havia aí um muro de contenção que não foi totalmente cortado quando o TJ foi construído, ou seja, essa região é uma colcha de retalhos urbanísticos.

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  10. Peralta, o implicante21 de setembro de 2017 12:20

    Tia Nalu estava sumida.Preocupada com o conflito entre Língua Plesa e Troca Letla...

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  11. Docastelo, será que a segunda foto é mais antiga que a primeira? Acho que não. O braço da baía de Guanabara está lá na foto de cima, incluindo a rampa dos barcos. Os detalhes não aparecem devido à distância.

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    1. Gustavo, se você conseguiu ver o tal "braço" está de parabéns. Além da distância a foto está muito escura. Daí eu mencionar a possiblidade de identificar a data da foto para dirimir as dúvidas.

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    2. Docastelo, clique na foto de cima em uma tela grande que vc verá o braço da baía de Guanabara da foto do meio.

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  12. Boa tarde a todos.

    Salvo engano, a terceira foto também foi postada em um dos meus falecidos "cantinhos" em uma série sobre os becos citados pelo Dr. D'.

    A primeira é muito parecida com uma do AGCRJ. A segunda realmente chamou a atenção pelo ângulo inusitado.

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  13. Sou obrigado a discordar do comentarista André Decourt com relação a implosão do Mercado Municipal que não só foi ao chão para dar lugar a Perimetral mas também porque era um lugar horroroso,onde imperava a sujeira e sobrava bagunça e confusão numa verdadeira afronta a qualquer tipo de controle da Saude Pública.Não sei se o comentarista em voga teria a coragem de consumir iguarias que ali eram comercializadas de qualquer forma.Eu passava direto e ainda fazia o sinal da cruz 3 vezes,pois sou Do Contra.

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  14. Boa tarde a todos.
    Recentemente, durante a derrubada da Perimentral, lembro da Prefeitura ressurgir com o chamado Bairro da Misericórdia e ficavam placas espalhadas no entorno da PÇA XV, explicando para onde era.
    Interessante ver como muitos bairros acabaram e também bairros que eram pequenos, como por exemplo, Derby Club.
    Luiz. Sugiro reutilizarmos esses abrigos construídos em prol da Segunda Guerra Mundial para os dias de hoje na Guerra Civil RJ.
    Seria interessante ressurgirmos com este modelo e adaptado para a guerra que enfrentamos hoje em dia nessa cidade.

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  15. Parece exagero, Wolfgang, mas o Rio está mesmo assim. Na escola de meus netos há um "bunker" no subsolo e quando há tiroteio no Dona Marta, o que atualmente é frequente, as crianças vão por um túnel que liga as salas de aula ao "bunker" para ficarem protegidas. Um escândalo!
    Mas o que esperar dos governantes após vermos a omissão de todos antes, durante e depois do que ocorreu há dias na Rocinha?

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    1. Luiz. Como você bem disse: "Parece um exagero, porém a realidade é essa".
      Sem querer fazer alarde por aqui mas jamais pensei de chegarmos no estágio em que chegamos.
      Quando o Estado e nem as Forças Armadas conseguem dar nenhum tipo de segurança para o cidadão de bem, é hora de abraçar da política de uma arma para cada cidadão.
      Sei de que o Joel imitará o DO CONTRA com esse meu comentário, sendo, óbvio, do contra a essa ideia, porém, é assim que eu vejo.

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    2. Wolfgang, leia na página 22 da edição de hoje de O Globo a coluna de Miriam Leitão tire as suas conclusões, pois já tirei as minhas. A jornalista está procurando "chifre em cabeça de cavalo" e vai acabar encontrando. A Globo deu um "tiro no pé" ao convidar o General Villas Boas para entrevista no programa do Bial. Foi cortar lã e saiu tosquiada. Parece que a Jornalista "tem memória fraca" e já esqueceu seu passado...

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  16. Aos "democratas de plantão" que tanto prezam as instituições e o direito de ir e vir, o que dizer? Qual a é única solução para isso? "Mudar através do voto"? (fraudado), confiar nas instituições? (corrompidas), ou nos políticos? (Traficantes e quadrilheiros). Todos sabem qual é a solução, mas poucos tem coragem de dizer...

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  17. Depois do comentário do Gustavo Lemos de 13.09 hs consegui me situar melhor em relação a segunda foto.Não sabia da existência do "braço de mar" que obviamente foi aterrado ou ainda tô confuso?*** O que ocorreu na Rocinha há dias foi um escândalo e mostra bem a situação do Brasil.Muitos não gostam das falas do Joel,mas ele não deixa de ter razão em muita coisa.Aquela situação foi caótica.

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  18. Não foi um escândalo, Belletti, mas, sim, um incomensurável espanto !

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  19. Peralta, ó pestilento implicante, nem língua pgesa e nem tloca letla. Tia Nalu fez silêncio porque em boca fechada não entra mosca.

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  20. O pedaço do Morro de Sto. Antônio onde ficava a favela foi o último dos que "passaram a régua". Atualmente resta só o trechinho do convento.
    Se traçarmos uma linha reta da Av. Mem de Sá, passando por baixo dos Arcos da Lapa e continuando até a Rua Teixeira de Freitas, direita da Torre da Mesbla, citada pela Nalu, chegando até as águas da Guanabara, veremos o local onde hoje temos a Marina da Glória, ou seja, nem tudo ali foi aterrado.
    A vigilância sanitária melhorou em relação ao que era até meados do século passado. Pelo menos em locais licenciados a fiscalização e o povo é mais exigente. Portanto o Mercado Municipal é bem melhor do que antes. Sim ele ainda existe, com outro nome, em Benfica. E se a antiga construção metálica ainda existisse na Praça XV, com certeza seria um local bem melhor do que era até os anos 50. E até com cafeteria no melhor estilo exigido pela sumida comentarista Evelyn.

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  21. Engraçado (maneira de dizer) que com o ocorrido na Rocinha (zona sul) rapidinho esqueceram do Juramento e Realengo. Claro, não ficam no "caminho" do Rock in Rio...

    Já é sabido que acontecerá uma megaoperação para adoçar o bico da população da zona sul após o fim de semana. Só que os traficantes também já estão sabendo...

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  22. Na terceira foto, não estou conseguindo identificar o prédio alto a direita, o que parece uma igreja...gostaria de saber que prédio é esse, alguém sabe?

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