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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

MERCEARIAS

O “Saudades do Rio”, como a maioria já sabe, conta a história do Rio antigo baseada nos documentos oficiais e, também, histórias vividas ou sabidas pelos comentaristas.

Hoje vamos falar da Gaio Marti, uma rede de mercearias citada pelo Helio Ribeiro na última postagem. Como conheci algumas lojas na Zona Sul, fui dar uma pesquisada e, aqui e ali, encontrei uma boa matéria para publicar.

Abaixo vemos vários endereços onde havia lojas Gaio Marti, embora nem todos estejam aí citados, como o da loja que existiu na Rua Rainha Elizabeth, na fronteira Copacabana- Ipanema.

FOTO 1

A história desta empresa é contada numa edição da "Revista da Semana" da seguinte forma:

"Uma das qualidades primaciais da gente portuguesa, qualidade essa que herdamos esplendidamente, é a tenacidade. Não a levam ao desânimo as dificuldades, nem as aparências atemorizantes conseguem fazê-la recuar. Quando resolvem efetuar uma obra, qualquer que seja a natureza dos seus objetivos, os filhos de Portugal a realizam de maneira positiva.

Os empreendimentos que, principalmente em nossa capital, se admiram são em grande parte devidos ao espírito vigoroso dos lusíadas.

Uma das mais prestigiosas e sólidas organizações da nossa metrópole é, nem há dúvida, GAIO, MARTI & C., que dispõe de magníficas filiais.

Todas estas casas, especialistas em líquidos e comestíveis de fabricação esmerada e escrupulosa manipulação – características, aliás, que consagram a sua vitória perante uma clientela escolhida e vastíssima – representam, no Rio de Janeiro, o que existe de modelar em armazéns modernos, desses que merecem a confiança da população e honram o progresso da nossa adiantada e linda cidade!

Em 1898, os sócios Manuel Jorge Gaio e José Francisco Martins fundaram GAIO, MARTINS & Cia, singela casa.

Foi exatamente em 1918 que a primitiva organização se ramificou em duas: em consequência, ficou a firma GAIO, MARTI & Cia, com seis casas, e composta dos sócios Manuel Jorge Gaio, Americo Ferreira Marti e Artur Ferreira da Costa.

Daí a sucessão de iniciativas, desdobramento de estoques e instalações apresentadas a primor, sucessão que confirma o gênio realizados dos portugueses, a culminar, hoje, nesta realidade empolgante: GAIO, MARTI & Cia. dispõe, atualmente de 20 estabelecimentos perfeitos em seu gênero, com 21 sócios, os quais haviam mesmo, em sua totalidade, sido auxiliares da grande e admirada firma."


FOTO 2

Esta loja eu conheci. Ficava em Ipanema, na esquina da Rua Teixeira de Melo com Rua Prudente de Morais, onde há hoje a “Casa do Médico”. Luiz C. Brandt publicou no Facebook esta foto da Rua Teixeira de Melo nº 32. Um dos comentaristas de lá, o prezado Luiz Antonio Almeida, ficou agradavelmente surpreendido, pois morava em cima da loja.

Carmen Evangelho lembrou que ali também morava “seu” Costa, o gerente, casado com D. Lucinda. Eram pais do Afonso e dos gêmeos Beto e Anita.

Em seguida, em conversa com Angela G., antiga moradora de Ipanema, ela lembrou que a família Gaio morava numa casa na Rua Rainha Elizabeth. Da geração dela eram os filhos do proprietário, Regina, Gaio e um terceiro cujo nome não lembrou. A casa era onde ficava guardado o material da rede de vôlei “Reno”, grande campeã em alguns torneios de vôlei patrocinados pelo “Jornal dos Sports” (já houve uma postagem aqui sobre este grupo da rede “Reno”).

Conversa vai, conversa vem, lembramos que na mesma esquina da Teixeira de Melo, do lado ímpar, funcionou havia um colégio feminino, o Mello e Souza, cujo endereço era Teixeira de Melo nº 27. Tinha turmas até o 4º ginásio. A partir de 1962/1963 o colégio foi vendido e passou a se chamar “Orlando Roças”, com turmas de Ginásio e Clássico. A quantidade de moças bonitas era enorme.

Este trecho da Teixeira de Melo, entre Vieira Souto e Prudente de Morais tem muita história.

Ali ficava no nº 25 a “Casa Vieirense”, que era uma loja de aluguel e consertos de bicicletas de um português chamado Jaime Valente. Ele jogava vôlei comigo na praia. Vivia de lá para cá com sua lambreta. Tinha, quando éramos meninos, o apelido de “Jaime Ladrão”, pois achávamos os preços dos consertos caríssimos.

Outra loja histórica é Tinturaria/Lavanderia Gheisha, no nº 14, que sobrevive até hoje.

A Leiteira das Famílias, era no nº 28, o famoso Bar Jangadeiro funcionou no nº 20, o restaurante L´Escargot no nº 22, o Gardenia no nº 14.

FOTO 3

A Gaio Marti patrocinava o programa "Musical Gaio Marti", na TV Continental, canal 9, com o violinista Fafá Lemos. Fazia um enorme sucesso e meu "velho" era um grande fã. Fafá fez uma carreira de muito sucesso no Brasil e nos Estados Unidos.


FOTO 4

Esta era a loja da Gaio Marti na esquina da Voluntários da Pátria com Dona Mariana, em Botafogo. Neste local, tempos depois e por mais de 60 anos, funcionaria a tradicional "Panificação Voluntários", que fechou as suas portas em janeiro de 2025. O fechamento, lamentado por muitos moradores, foi decidido pelos filhos do fundador, que administravam o negócio à distância a partir da Espanha. No local, será instalada uma nova farmácia, a "Drogaria Cristal". 

Junto à padaria podíamos comprar uma das melhores caipirinhas de limão do Rio. Feita pelo Gonçalo, engarrafada, era comprar, levar para casa, colocar gelo e pronto!

FOTO 5

Esta foto, na qual aparece a loja da Gaio Marti na esquina da Av. N.S. de Copacabana com Rua Francisco Sá, foi publicada pelo Luiz C. Brandt. 

Lena Leitão comentou que o prédio à esquerda é projeto de MMM Roberto e que a loja embaixo dele foi a Lurde's Boutique, de propriedade do pai dela.  À direita, o edifício Igrejinha que tem um bloco virado para a Av. Atlântica e outro para a Av. N.S. de Copacabana. 

E assim, um pequeno comentário do Helio, virou uma boa lembrança para muitos. Abaixo outras fotografias de lojas da Gaio Marti.

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21 comentários:

  1. E de um limão o Luiz fez uma limonada.
    Gosto quando escrevem essas histórias vividas pelos comentaristas. Isto não vai se ler em nenhum outro lugar.
    E quanta história tem esse pedaço da Teixeira de Melo.
    Minha mulher também estudou no Orlando Roças.
    E havia nessa quadra um excelente restaurante nos anos 80 chamado The Fox. Alguém lembra?

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  2. Bom dia, Dr. D'.

    Sempre aprendendo alguma coisa com este espaço. Até a postagem anterior não tinha ouvido falar dessa rede.

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  3. Os prédios onde funcionavam as filiais da Gaio Marti da Haddock Lobo 346 e da Conde de Bonfim 136, esquina de Marquês de Valença, ainda estão de pé. No da Haddock Lobo, em frente ao Municipal, funciona um restaurante do tipo "galeto". O prédio da Conde de Bonfim 498, quase esquina da Conde de Itaguaí, foi demolido, e o do número 696, idem.

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  4. O nome do restaurante da Haddock Lobo, 346 é Na Brasa Columbia, muito bom.

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  5. Eu achava que na minha infância tinha uma Gaio Marti, no Leblon. Certamente, confundi com o Mar e Terra que ficava Ataulfo de Paiva, no quarteirão do Cinema Leblon, mais para o lado da Almirante Guilhem . Eram mercearias concorrentes bem similares.

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  6. No resgate do Luiz, a loja ainda era importante em 1966. Quando ela acabou?

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  7. Eu lembro, Cesar. O The Fox ficava logo no início da Teixeira de Melo, pertinho da praia, do lado direito de quem vinha da Vieira Souto. Era do Sidnei Regis que tinha várias casas noturnas na área da praça General Osório. Na própria Teixeira de Melo ele abriu o "Anexo" ao lado do The Fox.
    A comida era excelente e o restaurante durou décadas ali.

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    1. Ali também havia o "Fazendola", um restaurante a kilo muito bom, mas que também fechou.

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    2. A Fazendola era na rua Jangadeiro e não na Teixeira de Melo, mas também era nas imediações da praça.

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  8. No local onde havia o Gaio Marti da Conde de Bonfim 696 há um grande prédio de apartamentos em cujo térreo há uma galeria de lojas. Esse prédio tem frente para a Conde de Bonfim, Uruguai, e Guaxupé. É o "Ile de France".

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  9. Caraca! Pensei que a Gaio Marti só tinha a filial da foto 7. Nunca imaginei que houvesse 20 delas. Atirei no que vi e acertei o que não vi.

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  10. Mauro Marcello, 08:23h: o "Na Brasa Colúmbia" tem uma filial dentro do shopping Nova América. Perdi as contas de quantas vezes já fui lá em datas comemorativas da familia. A comida é farta e boa. A última vez foi no mês passado, aniversário da minha enteada e do marido, que por coincidência nasceram no mesmo dia, em anos diferentes.

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  11. Aliás, pegando o gancho de pessoas com nascimento no mesmo dia e mês, em 2 de fevereiro nasceram minha ex, minha atual sogra, um enteado dela, o filho desse enteado e duas vizinhas dela.

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  12. Magnífico esse levantamento feito pelo gerente. Como de hábito.

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  13. Passei, durante as pesquisas, por um site de um neto do fundador com toda a história das três gerações à frente da firma. Mas lembrou aquele fotolog da "Menina Maluquinha", ou algo assim, com muitas informações pessoais meio complicadas. Achei melhor deixar de lado.

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  14. Ricardo Galeno, não tenho a data exata, mas acho que foi por volta de 1975. Li algo sobre a venda da rede para o Intermarché.

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  15. Bom dia Saudosistas. Curiosidade onde hoje é o Galeto Columbia, do outro lado na esquina oposta tem o bar Columbinha, cujo o dono (Adão) foi o fundador do Columbia, hoje Galeto Columbia.
    Costumo bater ponto quase diariamente no Columbinha ou no Columbia, depende onde esteja reunido a Confraria do Chope, nos finais de semana de garantido estar em um deles ou mesmo passar pelos dois.

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  16. Excelente trabalho de pesquisa.
    Eu também não conheci loja dessa rede, mas já tinha ouvido falar.

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  17. Já que não foi mencionada, lembro a efeméride:há exatamente 200 anos (29/8/1825) era assinado o Tratado do Rio de Janeiro, pelo qual Portugal reconheceu a independência do Brasil.
    De acordo com esse Tratado, o Brasil assumiu uma dívida de ₤1.400.000 contraída por Portugal junto a banqueiros ingleses a fim de combater a revolta brasileira;
    O Brasil fez um pagamento extra de 600.000 libras a Portugal, a título de indenização das propriedades portuguesas no Brasil;
    O Brasil prorrogou até 1844 o tratado de 1810 (que venceria em 1825) pelo qual as mercadorias inglesas pagariam taxa alfandegária de 10%, ante 25% dos outros países;
    O Brasil aceitou o princípio da extraterritorialidade: os súditos britânicos seriam julgados, no Brasil, pelas leis britânicas.

    Em suma: já começou errado.

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    1. Quanto ao último parágrafo, vamos chegar lá em breve, se não fizermos pé firme. Se é que me entendem.

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