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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

BONDE PRAIA VERMELHA


 
Um dos passeios que gostaria de fazer seria no bonde 4, Praia Vermelha. Ir da Urca até ao Tabuleiro da Baiana.
As duas fotos, de épocas diferentes, mostram o bonde na Urca e no Centro.
A primeira foto mostra o bonde de nº 1772, com anúncio do Sapólio Radium na dianteira. Notar o estilo do reboque. O bonde já fez o retorno em direção à Av. Pasteur e está saindo da circular que existia em frente à estação do bondinho do Pão de Açúcar, tendo o prédio do IME ao fundo.
Na segunda foto vemos o bonde de registro 184, "Praia Vermelha", na Av. 13 de Maio com Av. Rio Branco. À esquerda, na direção do poste com a faixa branca indicativa de "parada", a Biblioteca Nacional, concluída em 1910. O prédio do Supremo Tribunal Federal está encoberto pelo bonde. Ao fundo, as cúpulas do Colégio Militar e do Edifício Lafond, que foram demolidos.
A sensação de uma vida tranquila, correndo lenta, com todos os que aparecem na foto portando paletó, as mulheres com vestidos longos, são coisas de um outro mundo. Passageiros sobem e descem pelo lado direito. O lado esquerdo está com a barra de proteção e o estribo está recolhido. Algumas lonas de proteção contra sol e chuva estão arriadas.
O piso da Avenida Rio Branco era de asfalto importado da França. Foi a primeira aplicação urbana de asfalto do Brasil. Era de alta densidade e resistência, custando os "olhos da cara".
À direita está o prédio da Câmara dos Vereadores, vulgo "Gaiola de Ouro". Devia estar em início de construção na época da foto.
Salvo engano, esta linha de bonde foi a primeira a ser extinta por Carlos Lacerda, em 1962.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

LARGO DO MACHADO




 
Esta fotografia, do início do século XX, provavelmente de 1910, e que mostra a região do Largo do Machado, é tão boa que permitiu uma série de detalhes, que estão expostos nas fotos secundárias.
À direita vemos o prédio da Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico, com seu relógio marcando 10h35min. Ao lado deste local, talvez onde está a padaria e confeitaria (com persianas merecendo uma troca), seria construído, anos depois, o Cinema São Luiz, cuja inauguração se deu em 22/12/1937. O famoso Café Lamas era vizinho (uns dois prédios depois) do prédio da Ferro Carril e, já no final do século XIX, se notabilizava por ficar aberto 24 horas.
Junto ao prédio da Ferro Carril vemos um enorme "out-door": "A belleza depende da saúde. Vinol dá saúde".
Observem que a Rua do Catete "entrava" na direção do Largo, o que deu motivo para o Metrô devastar o lugar. Aliás o traçado sinuoso dessa rua dá pistas de sua origem relacionada ao braço do Rio Carioca que saía na Glória. Acho que alguns sobrados sobreviveram até os dias de hoje.
Ao fundo, no alto do sobrado, na direção do grupo de palmeiras, o anúncio "Usem só Calçado Rocha". Nesta calçada, em frente dos "Calçado Atlas", na porta da sapataria um grupo de alunas de colégio em seu uniforme branco, com chapéu e barras escuras ao nível da cintura. Atravessando a rua, à esquerda, duas lavadeiras com suas trouxas na cabeça. Uma carroça puxada por cavalos segue um "moderno" automóvel de placa 528 (é preciso aumentar bastante a foto para esta visualização).
 Os anúncios nas grades que protegem as árvores da ilha são da loja "Parc Royal". A ilha é a famosa "Ilha dos Prontos", tão falada por Luiz Edmundo, que surpreendentemente sobreviveu no meio dos automóveis até os anos 50, talvez por ficar desalinhada com a Rua do Catete.
Um belo poste de iluminação está semiescondido pelas árvores, sendo que, encostado na primeira delas, um provável funcionário do Lamas, com avental, descansa na sombra. Vários funcionários da companhia de bondes podem ser vistos pela rua.
Sob o anúncio de "Vinol" há um anúncio de água mineral e, pregados no tapume, cartazes de cinema onde se pode ler: "King of entertainers and entertainer of kings - Raym...".

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

FÉRIAS

 
Com esta foto de Milan Alram, de 1953, para que gosta de automóveis, o "Saudades do Rio" fará uma pausa para merecidas férias.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

IPANEMA



 
Foto 1: Nesta foto do Acervo do Colégio Notre Dame vemos a Praça Nossa Senhora da Paz (antiga Praça Coronel Henrique Valladares), em Ipanema, no início do século XX. A esquina em primeiro plano é a da Rua Barão da Torre com Rua Joana Angélica. Uma Ipanema quase só de casas ou prédios baixos, antes da especulação imobiliária do final dos anos 60 e da década de 1970. Foi a época da destruição do bairro antigo por construtores como Sergio Dourado. A Praça foi ajardinada pela primeira vez em 1932. Em 1936 o Prefeito, Cônego Olimpio de Mello, alterou o nome de Praça Coronel Henrique Valladares para Praça Nossa Senhora da Paz.
Foto 2: Foto do Acervo do Colégio Notre Dame vendo-se a Igreja de Nossa Senhora da Paz, na Rua Visconde de Pirajá esquina da Rua Joana Angélica, desde o terraço do Colégio Notre Dame (Rua Barão da Torre). Foi construída a partir de 1918, em homenagem à paz depois da 1ª Guerra Mundial. Foi projetada por Gastão Bahiana, numa releitura do estilo neobizantino. Tornou-se a matriz da paróquia de Ipanema em 1920. Pode-se observar que na Rua Joana Angélica, só há construções baixas na quadra entre a Rua Visconde de Pirajá e Rua Barão da Torre, permitindo a visão da Igreja. Hoje só existem edifícios altos neste trecho. À direita da Igreja vê-se o prédio onde funcionou o Colégio São Francisco de Assis e, bem à direita, parcialmente, o prédio do Cinema Pax. A Igreja de Nossa Senhora da Paz, na década de 1960, teve como vigário o controvertido e polêmico Frei Leovegildo Balestieri, que ali instalou ar-condicionado para conforto dos fiéis ("quem gosta de calor é o Diabo no inferno!"). Também criou a "missa do iê-iê-iê" e instalou ao lado da Igreja a Casa Nossa Senhora da Paz, com serviços médico-assistenciais. Dando vazão a seu lado empresarial, montou uma pequena indústria de azulejos no subúrbio, ganhou o controle do guarda-volumes na Central do Brasil e construiu o Center Hotel no Centro da Cidade. Em 1952 já havia inaugurado o Cinema Pax e, anos depois, abriu um rinque de patinação (o Gelorama), um boliche e um teatro de arena, tudo para arrecadar fundos para a Igreja. Chegou a ser sócio do Canecão. Exagerando, imaginou demolir a Igreja para a construção de um "shopping", onde ao lado de butiques e lanchonetes, haveria uma capela, segundo Rui Castro. Uma violenta campanha d´O Pasquim sustou a idéia e a Igreja está lá até hoje. Acho até que o "nosso" frei foi incluído naquele mural do Ziraldo no Canecão...
Foto 3: O Cine Pax, visto à esquerda em foto da década de 1950, bonito prédio "art-déco", com suas colunas no alto da escadaria, foi inaugurado em 30/10/1952 e funcionou até 1977, quando foi substituído pelo Novo Pax, que foi demolido em 1979 e em seu lugar surgiu o Forum de Ipanema, um "shopping" luxuoso, nas galerias de um arranha-céu. Mais adiante, acho que no prédio que está em construção na mesma quadra, funcionou o cinema Roma-Bruni a partir de 1971, depois Bruni-Ipanema e, finalmente, Star-Ipanema.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

MONUMENTO A CUAUHTEMOC




 
A primeira foto foi garimpada pelo prezado Julio Reis no site do Aterro do Flamengo. Vemos na praça, popularmente chamada de Praça do Índio, localizada no encontro da Praia do Flamengo com as Avenidas Oswaldo Cruz e Rui Barbosa, conhecida até o início dos anos 1960 como “Curva da Amendoeira”, o monumento projetado pelo arquiteto mexicano Carlos Obregón Santacilia, que homenageia Cuauhtemoc, o último imperador asteca.
Simbolizando a amizade entre o México e o Brasil, foi presenteado pelo governo daquela nação em setembro de 1922, por ocasião das comemorações do centenário da Independência do Brasil. A inauguração pelo embaixador mexicano, Dr. José Vasconcellos, aconteceu em 16 de setembro, data nacional do país e contou com a presença do presidente Epitácio Pessoa. O discurso do embaixador do México na ocasião foi uma peça que os brasileiros fixaram a memória. Não só pela elegância do estilo e pela eloquência de suas palavras, como também pelas afirmações categóricas sobre a amizade constante e abnegada entre as duas nações. Ditas após o horror que foi a 1ª Guerra Mundial, refletem a fé de um alto patriotismo a serviço da solidariedade humana. O documentário cinematográfico da cerimônia foi destaque nos cinemas cariocas, entre eles o Cinema Atlântico, na Av. N. S. de Copacabana nº 580 (neste local, anos depois, funcionou o Cinema Ritz, que tive a oportunidade de frequentar).
A segunda foto, do livro do Paulo Scali, mostra uma disputa no Circuito da Amendoeira, composto pelas vias públicas que circundam o Morro da Viúva: a reta da Av. Osvaldo Cruz (Av. de Ligação) e as curvas da Av. Rui Barbosa (Av. do Contorno). O nome do circuito derivava de uma enorme árvore amendoeira que ficava numa curva próxima de uma das extremidades da Av. Osvaldo Cruz. Vemos bem a estátua e o prédio antigo da esquina.
A terceira foto já é do final das obras do Aterro, mostrando como mudou o trânsito na região.
A quarta foto, do importante fotógrafo húngaro Gyorgy Szendrodi, faz parte daquele grande lote do início dos anos 70 no Rio. O fotógrafo está na própria praça e o prédio antigo da esquina já havia desaparecido, dando lugar a um arranha-céu.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

BONDE LEME


 
As duas fotos coloridas foram garimpadas pelo Nickolas e a P&B é uma foto do mesmo local, quase na mesma época, anos 50.
Vemos o bonde 5-Leme cujo trajeto era: Tabuleiro da Baiana - Senador Dantas - Luís de Vasconcelos - Augusto Severo - Largo. da Glória - Catete – Senador Vergueiro – Praia de Botafogo - Passagem - General Góis Monteiro - Túnel Novo - Prado Junior - N. S. Copacabana - Antônio Vieira - Gustavo Sampaio - Praça Almirante Júlio de Noronha.
O prezado comentarista Lahire Marinho já comentou que o bonde 5-Leme fazia a volta num rodo no final da Rua Gustavo Sampaio, na Praça Almirante Julio Noronha.
Existia, também, um pequeno desvio que ia até ao centro do rodo, para alguns bondes que ali estacionavam, pois não voltavam de imediato.
Na última foto vemos que o desvio saía da linha do bonde que estava fazendo a volta na praça, como também da linha que estava voltando, fazendo um Y.

domingo, 6 de janeiro de 2019

PRAIA DE IPANEMA

 
Esta fotografia, garimpada pelo prezado J. C. Cardoso tem a seguinte descrição: "O Rio de Janeiro maravilhoso" -  "A capital do Brasil dispõe de numerosas e belas praias. Vemos acima a Avenida Niemeyer, observando-se ao fundo a praia de Copacabana".
 
Foi publicada no "Tesouro da Juventude", em 1955. Como podemos observar o estagiário identificou a Praia de Ipanema como sendo a de Copacabana...
 

 
Esta segunda foto foi obtida do ângulo oposto, em 1965, e mostra a Praia de Ipanema a partir do Arpoador. É do livro "Rio de Janeiro", como as fotos mostradas no decorrer da última semana.