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quinta-feira, 9 de maio de 2024

BONDES

 Hoje vamos ver fotografias de bondes que, pelos meus alfarrábios, não apareceram por aqui nos últimos dez anos.

FOTO 1: Um bonde lotado trafega pela Rua Senador Dantas, no Centro.


FOTO 2: O bonde de nº 61, da linha "Jardim/Leblon" , no cruzamento das ruas Jardim Botânico com General Garzon. Aparentemente seria a época da conclusão das obras de instalação da sede do Jockey Club na Zona Sul (o Jockey estaria na Lagoa, no Jardim Botânico ou na Gávea?), o que se efetuou no final da década de 20. Observar que a Rua Jardim Botânico era dividida ao meio pelos postes de iluminação, além de contar com uma pequena calçada.


FOTO 3: Segundo W. Stiel, o ramal que ia da Estação de Campo Grande até ao local chamado "Ilha", foi inaugurado em 1918. "Ilha" seria corruptela de "William", proprietário de terras naquela região. 

O trecho de 20km tinha 4 seções. O bonde estaria próximo do Hospital Rocha Faria. Depois ia pela Estrada do Monteiro, Estrada do Mato Alto, Estrada da Matriz e Estrada da "Ilha". 


FOTO 4: Foto em frente à Câmara de Vereadores, na Praça Floriano. O bonde da frente, embora não se possa ler o letreiro, na tabuleta há a indicação do trajeto: "Bento Lisboa, S. Vergueiro, Rua da Passagem". 

O segundo bonde é da linha "Largo dos Leões". A ausência de faróis no ônibus da Excelsior indicava que eles não circulavam à noite. Ou então era uma propaganda da Light, que também provia a iluminação pública, mostrando que as rus principais eram tão bem iluminadas que o motorista não precisava de faróis para conduzir. 

E sobre o assunto, assim se manifestou o ilustre Professor Pintáfona:
"Célere Mecenas da Cultura Brasílica, Guardião Incansável do Saber Cidadão, Quintessência da Nobreza Meridional Brasílica, Douto, Culto e Casto Dr. D', 
Há muito alienado deste sacrossanto templo da cultura sebastiana, prostro-me ante os pés do egrégio luminar Montegrino em busca de perdão por meu comportamento relapso. A minha avançada idade, somada aos incontáveis compromissos exigidos pelas Academias de Ciência de todo o Orbe Terrestre, impediram-me de aceder mais amiúde o seu insígne sitio internético de convívio virtual, Fórum de notáveis e assembléia de sábios, detentores das chaves do conhecimento de nossa Muy Leal e Heróica Urbe. 
Hoje não me estenderei em comentários e merecidas loas, pois em um átimo sairemos da Mansão Pintáfona, sita à Rua da Pedreira da Candelária, em direção ao Trapiche Mauá, onde embarcaremos no vapor que nos levará à Guia de Pacobaíba e dali em carris até a Serrana Urbe de Pedro, onde desfrutarei do merecido repouso em companhia de minha buliçosa assistente, a ciumentíssima Mme. Simmons e do meu fiel lacaio Alvaro. A caleça com os bahús de viagem já estão a minha espera e tenho que apurar-me ou perderei o transporte. 
Despeço-me Transportado, Viajado e Desembarcado. 
Seu Criado, 
Dr. Hermelindo Pintáfona. 

terça-feira, 7 de maio de 2024

BAR FLÓRIDA - PRAÇA MAUÁ

 

Localizado na Praça Mauá o “Flórida Bar” era propriedade do Zica, uma figura polêmica do Rio. Antigo estivador e taxista, o denominado “Rei da Praça Mauá”, chamava-se Manoel da Silva Abreu.

Em 1967 “Zica” aceitou a indenização para a desapropriação do local,  através do Decreto-Lei nº 160, de 10/02/1967, que “Autoriza o Poder Executivo a abrir, ao Ministério da Indústria e do Comércio, o crédito especial de NCr$ 107.000 para cobrir despesas com indenizações decorrentes de sentenças judiciais", que se referiam ao "Flórida Bar" e da "Casa Hanseática, do mesmo dono, ambos junto ao Edifício "A Noite".

Foi um bar famoso, pois à noite era frequentado por marujos, prostitutas e outras figuras do sub-mundo carioca. Era considerado o melhor local para fazer câmbio para os frequentadores do Porto do Rio.


Segundo está escrito no verso desta foto, ela foi tirada em setembro de 1939 e os marinheiros são do navio R.M.S. Ajax.
 
"Zica" tinha um grande rival na região da Praça Mauá, em meados do século XX. Tratava-se de "Fernandinho", que o denunciou e fez com que fosse preso. "Zica", na ocasião, justificou sua fortuna com uma lista de suas propriedades:

Hotéis: Santista, Magé, Barão de Teffé, São Carlos.
Bares: Belavista, Flórida, Hanseática, Odalisca, Rio.
Confeitarias: Magé e Santista.
Lavanderia dos Hotéis e Similares, Brasilaves, Companhias de Material de Construção, de Transportes, Sociedade Agropecuária, Empresa de Garagens.


A Empresa de Garagens na Av. Presidente Vargas nº 2683.


Bar Rio, na esquina de Sacadura Cabral com Praça Mauá.



Bar Odalisca na Rua Sacadura Cabral.


                                 Casa Simpatia, no Centro.



À noite, no "Flórida Bar" o ambiente era "barra pesada". A moça chamava-se Babel.

Esta foto mostra um horário tranquilo no “Flórida Bar”. O chão quadriculado chama a atenção.

Algumas coisas que são realmente antigas no Rio e podem ser observadas na foto:

- Fila imensa lá fora para pegar o ônibus;

- Cartaz tipo "A Gerência" no espelho à direita;

- A cara de "pague no caixa" do gerente, que fez o freguês largar o copo para pagar adiantado.

- A cara- de-pau do mesmo gerente usando a máquina registradora como porta-tudo, mas sem registrar nada (a máquina está ao contrário). 


Historinhas do "Flórida Bar", contadas pelo AG:

"Contam que um dia foi apreendido um lote com 10 mil baralhos de plástico no Porto do Rio. Naquele tempo baralho de plástico era coisa fina que só tinha importado. Pois bem, o lote foi a leilão e um cara arrematou por 20 mil cruzeiros.

Nessa mesma tarde, o Zica chamou o arrematador no bar Flórida e ofereceu-lhe 500 cruzeiros pelo lote. Mas o homem riu e, por saber de quem se tratava, disse-lhe polidamente:

- Mas se eu arrematei por 20 mil cruzeiros porque iria lhe vender por 500 ?

- Aí o Zica tirou um pacotinho do bolso e disse com a voz sedosa:

- Porque todos os ases do lote estão aqui comigo."


A outra do Flórida é com o Sivuca, policial cana dura; o tal do "bandido bom é bandido morto".

Pois conta o Sivuca que aí pelos idos de 1954, ele estava fazendo uma diligência na área da Praça Mauá e viu um cara no Bar Flórida com um blusão todo estampado. Imediatamente pensou: "ou esse cara é gringo embarcadiço; ou é malandro; ou é viado".

Explicação: naquela época sujeito respeitável não usava blusão estampado ou de cor viva; ou era branco ou era escuro.
Pois bem, o Sivuca, que sempre se dizia "um policial educado", resolveu investigar. Chegou perto do "blusão de fresco" e disse:

- Cavalheiro, boa tarde. Por favor, poderia apresentar seus documentos? É a polícia.

Na hora o cara respondeu: "Ora, vá à merda".

 Sivuca, agarrou o vivente pelo colarinho e aos tabefes o levou para a delegacia. Lá, de olhos arregalados o malandro justificava:

- Mas como é que eu ia saber que o senhor era policial? Chegou me chamando de cavalheiro...” 

FONTE: revistas "Manchete" e "O Cruzeiro".

segunda-feira, 6 de maio de 2024

OS CARROS DO RIO ANTIGO

Ficam os comentaristas convidados a identificar os modelos e os locais.

FOTO 1: Um Packard da família do desaparecido Pgomes.


FOTO 2: Esquina da Marquês de Pombal.


FOTO 3: Rua Darke de Mattos


FOTO 4: Rua Pereira Barros.


FOTO 5: Rua Mena Barreto

FOTO 6: Rua São Januário


FOTO 7: Rua Henrique Valadares


FOTO 8: Como tem placa, informar o nome do proprietário.



 

quinta-feira, 2 de maio de 2024

HOMENAGEM A JOSÉ MEDEIROS

José Medeiros, piauiense, chegou ao Rio em 1939 e, no ano seguinte, iniciou sua exitosa carreira como fotógrafo profissional. Em 1946, a convite de Jean Manzon, foi para a revista "O Cruzeiro".

Em 1962 deixa a revista, criando sua própria agência fotográfica, a "Imagem", em parceria com Flávio Damm. A partir de 1965 passou a trabalhar com cinema, onde foi diretor de fotografia de inúmeros filmes de sucesso.

As fotos de hoje são do excepcional livro "Olho da Rua", da Aprazível Edições, que recomendo muito. 

José Medeiros foi um dos grandes da fotografia nacional.

FOTO 1: Onde está o bonde "Estácio"? Ali, à esquerda, seria uma bomba de gasolina?

FOTO 2: As moças na Praia de Ipanema com a Pedra da Gávea.

FOTO 3: Um passeio de um daqueles antigos carrinhos de bebê pela estreita calçada junto à praia, em Copacabana.

FOTO 4: As elegantes cariocas em um desfile de modas. O chão de tacos faz um efeito especial nesta bela foto em preto e branco.

FOTO 5: A Av. Presidente Vargas em época de eleição. Os "santinhos" espalhados sujam tudo. O segundo carro, à direita, leva um cartaz sobre a traseira que parece ser propaganda de Ademar de Barros.


FOTO 6: Os desfiles de 7 de Setembro faziam sucesso e era um grande programa familiar. Os joelhos do menino de gravatinha parecem esfolados.

FOTO 7: O Teatro João Caetano, nos anos 50, com a peça "Deixa que eu chuto", com Lauro Borges, Marlene, Floripes Rodrigues e Walter D´Ávila.


FOTO 8: Um Dodge na Av. Rui Barbosa, com o Pão de Açúcar.

FOTO 8a: O Nickolas homenageia o José Medeiros colorizando a foto. Como alguns reclamaram da cor do Dodge, foi obrigado a fazer a opção abaixo.

FOTO 8b: A cor do Dodge mudou, mas a loura continua brilhando.


FOTO 9: A moça tomando Crush é a Dulce Nunes, Dulce Bressane de solteira. Aparentemente ela está onde funciona hoje a Escola Gabriela Mistral. Ao fundo, o Círculo Militar. Dulce casou-se com Bené Nunes, era cantora e estrelou o filme "Estrela da Manhã".


FOTO 9a: Aqui é o Reinaldo Elias que homenageia José Medeiros com a colorização da foto.


FOTO 10: José Medeiros documenta um baile de carnaval no Teatro Municipal. Felizmente há muito tempo o espaço do teatro não é cedido para bailes.




quarta-feira, 1 de maio de 2024

1º DE MAIO

A chegada dos imigrantes europeus ao Brasil trouxe ideias sobre princípios organizacionais e leis trabalhistas, já implantadas na Europa. Os operários brasileiros começaram a se organizar. Em 1917 aconteceu a Greve Geral, que parou a indústria e o comércio brasileiros. A classe operária se fortalecia e, em 1924, o dia 1º de Maio foi decretado feriado nacional pelo presidente Artur Bernardes.

Mesmo tendo sido declarado feriado no Brasil, até o início da Era Vargas o 1º de Maio era considerado um dia de protestos operários, marcado por greves e manifestações. A propaganda trabalhista de Getúlio Vargas habilmente passou a escolher a data para anunciar benefícios aos trabalhadores, transformando-a em “Dia do Trabalhador”. Dessa forma, o dia não mais era caracterizado apenas por protestos, mas um dia comemorativo.


Durante muitos anos os desfiles comemorativos se realizaram no Estádio de São Januário (certa vez, por motivos políticos, foi realizado no Estádio do Pacaembu).

Milhares compareciam com faixas e bandeiras para saudar Vargas.

Trabalhadores de várias indústrias compareciam em massa.

As faixas homenageiam Getúlio Vargas, o "Pai dos Pobres". A Consolidação das Leis Trabalhistas ocorreu durante a ditadura Vargas e ele se tornou o líder político que concedeu os direitos trabalhistas aos brasileiros. 


Há muito tempo esta cópia da Carteira Profissional de Vargas me foi enviada pelo Mauro Xará.


Nos anos 70 as comemorações do 1º de Maio aconteciam na Quinta da Boa Vista, com multidões assistindo a apresentações musicais.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

RUA SIQUEIRA CAMPOS

Hoje vamos ver algumas fotos da Rua Siqueira Campos, quase todas inéditas aqui no "Saudades do Rio". São fotos de diversas épocas.

A Rua Siqueira Campos, antiga Rua Barroso, foi aberta para facilitar o acesso a Copacabana, substituindo o antigo caminho do Forte do Leme, demais desconfortável, como conta Paulo Berger.

Entregue ao trânsito desde os meados do século XIX, somente foi reconhecida oficialmente em 1854, sendo macadamizada em 1896.  

Recebeu o nome de Siqueira Campos em 1931.

De autoria de Gervásio Batista, a foto é de 1955 e mostra o tradicional "Ponto de 100 réis", na esquina da Avenida N. S. de Copacabana com a Rua Siqueira Campos, sendo demolido. Neste espaço foi construído o atual Centro Comercial de Copacabana, antes era a Estação de Bondes de Copacabana.

O "Ponto de 100 réis" ficava numa das esquinas da Praça Serzedelo Correa, local central do bairro, onde está a Igreja Matriz e onde, nos primeiros tempos de Copacabana, ficava a ramificação dos bondes que vinham pelo Túnel Velho e se dirigiam para o Leme ou para a "igrejinha" do Posto 6.

Ao lado dos sobrados em demolição podemos ver o edifício da antiga Companhia Telefônica Brasileira, que está de pé até hoje.

Esta denominação de "ponto dos 100 réis" existia em vários locais da cidade. Sua origem está ligada às linhas de bonde e ao preço da passagem. As linhas muito extensas costumavam ter um ponto a partir do qual era necessário pagar outra passagem, ou seja, mais 100 réis. Mesmo quando o preço deixou de ser esse, a denominação permaneceu.


 Aqui vemos o Edifício Guahyra, no nº 60 da Siqueira Campos.


Conheci a Siqueira Campos em meados da década de 50 com muitas casas assim. Algumas poucas sobreviveram. A rua de paralelepípedos era a que servia para o trajeto dos bondes indo e vindo do Túnel Velho. Frequentei muito o cinema Flórida, entre Barata Ribeiro e Av. Copacabana, lado ímpar.  Na época a rua tinha mão-dupla.


Vemos a esquina de Barata Ribeiro com Siqueira Campos. Aquelas grades na esquina tiveram sua época. Os sinais tinham duas luzes apenas. O fotógrafo está na Siqueira Campos.


Vemos a mesma esquina, agora com o fotógrafo na Barata Ribeiro.


Foto de1960, no trecho entre Copacabana e Siqueira Campos, defronte do cinema Flórida. O carrão é um Oldsmobile 1956. O lotação é Magyrus-Deutz.
Acho que no prédio da esquina, à direita, ainda funcionava o Café Pernambuco. Sempre me chamava a atenção quando, passando de bonde, via um grande número de pessoas tomando café em pé no balcão.

Era uma época em que capas e galochas faziam parte da indumentária masculina. Hoje foram completamente abolidas.