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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

EDIFÍCIO GUARUJÁ - COPACABANA


Com colorização do Conde di Lido vemos o edifício Guarujá, aparentemente na esquina da Avenida Atlântica com Rua Constante Ramos. Na verdade o edifício fica na esquina da Rua Domingos Ferreira com Rua Constante Ramos, já que o espaço no terreno que ía até a Av. Atlântica foi perdido décadas depos desta foto.

Seu proprietário era o Dr. Paulino Ribeiro Campos. O fantástico prédio entrou em decadência nos anos 70 e depois foi reabilitado. O Andre Decourt conta que: "Construído em 1927, foi por alguns anos o prédio mais alto da orla. Respeitou o Plano Agache, que instituía que edifícios com mais de 5 andares deveriam ser recuados a fim de não projetar sombra na praia.

Como todos edifícios da época era de altíssimo luxo, com portaria de mármore de Carrara, portões de bronze, louças sanitárias inglesas, aquecedores alemães de cobre, elevadores americanos com portas pantográficas duplas manuais, já dispensando cabineiro.

Possuía quatro apartamentos de 3 quartos por andar, que contavam com varanda e sala íntima, mas curiosamente tinham a área de serviço minúscula. O edifício era tão moderno que já tinha garagem para 6/8 carros, numa época em que quase ninguém tinha automóvel.

Em sua cobertura havia um salão de festas exclusivo para os moradores. Na área de afastamento, o edifício tinha um jardim gramado, com brinquedos, e no verão era utilizado pelo restaurante que havia embaixo como varanda, onde as pessoas ficavam bebericando e ouvindo piano à noite."

Acho que o palacete que aparece na foto é aquele do Tenente Pulcherio, que já foi motivo de uma postagem do "Saudades do Rio".

Esta foto do Edifício Guarujá, do acervo de Euler Campos de Salles Coelho, neto do proprietário do edifício, Dr. Paulino Campos, foi enviada pela prezada Cristina Pedroso. Vemos o prédio em final de construção.



Aque vemos a esquina das ruas Domingos Ferreira e Constante Ramos,  ainda com os tapumes da obra do Edifício Guarujá. 

A foto mostra a esquina da Rua Constante Ramos com a Av. Atlântica. Lembro bem daquele portãozinho que dá para a Rua Constante Ramos que, nos anos 50, permanecia sempre aberto e nos permitia cortar caminho em diagonal para o trecho da praia que frequentávamos.

Bem em frente ao edifício ficava o campo de futebol de praia do Maravilha, treinado pelo Jorge (ou era Jaime?), que era porteiro de um prédio na Constante Ramos quase em frente à Leopoldo Miguez. Logo após o campo do Maravilha, em direção à Santa Clara, ficava o campo do Dínamo, do Tião Macalé.

À esquerda, fora da foto, ficava o saudoso e famoso Cinema Rian.


Nesta foto noturna vemos que o muro seguia as caracteristicas arquitetônicas do prédio. A foto é de uma matéria da "Última Hora" sobre o racionamento de energia nos anos 50. Ela menciona que enquanto todos se esforçavam para racionar energia, alguns lugares permaneciam muito iluminados. Aparentemente as luzes dos postes da Rua Constante Ramos e da Av. Atlântica estavam apagadas.

NOTAS:

O Conde de Lido já comentou: "É triste a história do Guarujá. Senhor absoluto da sua época, um dos prédios mais elegante de Copacabana, primeiro assistiu a transformação de seu lindo jardim em um monstrengo de cimento armado, roubando-lhe a brisa marinha de suas janelas. Acabou sendo abandonado pelo seus moradores e em pouco tempo virara uma ruína habitada por ratos e baratas. Nem uma morte digna pôde ter graças a embargos jurídicos que surgiram. Acabou por ser transformado em asilo de velhos ricos e filial de pizzaria. Mais um absurdo perpetrado contra a preservação da nossa memória".

Atualmente o prédio junto à praia é um residencial com serviços, com 90 apartamentos, rebatizado de South Beach Copacabana Residence Club.

Entre os muitos moradores do Edifício Guarujá encontravam-se a família do Andre Decourt (os Rocha Leão) e do saudoso Carlos Richard, comentaristas do "Saudades do Rio". 

Eu passava muito pelo Edifício Guarujá porque era meu caminho para a praia. Na Rua Constante Ramos, entre Av. N.S. de Copacabana e Av. Atlântica, nos anos 50/60, havia a Casa Beatrice, da D. Anna, que era um confeitaria famosa, com ótimos produtos. Na esquina da Domingos Ferreira havia, às quartas-feiras, uma feira-livre. A rua era bastante arborizada, as calçadas eram de placas de cimento.  A mão de direção para os automóveis era da praia para o interior do bairro e não ao contrário, como já é há décadas.







25 comentários:

  1. Bom dia.
    Quando foi construído " o monstrengo de cimento armado' ?
    O nome atual do prédio é só mais um absurdo em uma história de absurdos.

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  2. Olá, Dr. D'.

    Bom retorno. Estivemos em crise de abstinência por quase uma semana.

    Volta em grande estilo, com mais uma aula. Vou acompanhar os comentários.

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  3. Pelo que entendi o dono do terreno vendeu o espaço onde era o jardim junto da avenida Atlântica e ferrou com a vista que os ocupantes do prédio original. Não houve uma época em que o Guarujá estava meio abandonado com o dono forçando os moradores a saírem do prédio? Foi nessa época que houve um retrofit? A pizzaria Capricciosa ainda funciona no térreo do Guarujá?

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    1. Este fato de acabar com a vista dos outros é comum. Na Lagoa, na esquina da General Garzon, emparedaram um prédio enorme que tinha uma vista espetacular para a lagoa. Levantaram outro monstrengo no local. Aliás em Ipanema e Leblon a quantidade de prédios baixos que estão sendo substituídos por grandes edifícios é enorme.

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    2. Lembrei agora de um caso de um prédio vendido para os moradores com a promessa de "vista eterna para o mar", acho que na Barra. Quando uma construtora começou a vender um outro prédio mais à frente, na planta, os moradores do primeiro prédio construído chegaram a entrar na justiça para barrar essa obra. Não sei como ficou a história...

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    3. Esse caso é doferente todos os apartamentos eram aligados então o dono poderia fazer o que bem entender. Somente ele e outro próximo ao posto seis respeitaram o afastamento.

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  4. O Guarujá foi por muitos anos o único edifício do quarteirão entre Santa Clara e Constante Ramos. Somente na década de 40 as casas existentes foram sendo substituídas por prédios altos pois até então os novos arranha-céus eram construídos em terrenos vazios.
    Vendo a foto noturna se observa um grande número de árvores na Constante Ramos mas hoje em dia há pouquíssimas.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Um belo prédio construído em uma "época diferenciada", onde o material empregado era de primeira linha, bem diferente dos tempos atuais. Mas há pontos curiosos: qual a razão de uma área de serviço tão minúscula? Não é mencionado se havia dependências para criados. Também não está claro como as 6/8 vagas de automóveis eram utilizadas tendo em vista o número de apartamentos muito maior. Havia algum "condomínio edilício" formalmente instalado? São perguntas que ficam "no aguardo" de respostas.

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    1. Prezado Joel, fui morador do Edifício Guarujá até os meus 14 anos, quando, em 1969, nos mudamos para outro apartamento, duas quadras distante.
      Em 1968 teve início a construção do prédio no terreno em frente ao edifício.
      A área de serviço de fato era pequena.
      Havia dependências para criados, também pequena.
      Os apartamentos eram todos alugados e, após o falecimento do proprietário do prédio, os contratos de aluguel vencidos não eram mais renovados.
      A utilização da garagem era negociada à parte do aluguel, tanto assim que meu pai chegou a guardar o automóvel da família por vários anos, até ter que teve que buscar outra alternativa, alugando vaga de garagem no Edifício Albion, no mesmo quarteirão entre as Ruas Constante Ramos e Santa Clara.
      Não havia 'condomínio-edificio' formal, como atualmente conhecemos. As regras eram estabelecidas pelo proprietário do edifício, acredito que sem muita participação dos inquilinos.
      Uma curiosidade: um dos primeiros moradores do Edifício Guarujá foi o Marechal Rondom.
      Eu tive uma infância feliz no Edifício Guarujá.
      Há 3 anos visitei o edificio, na nova concepção de Apart Hotel.
      Estive em um dos novos apartamentos originados da reforma, que tinha sido parte do apartamento onde morei por tantos anos. Foi uma emoção ver o espaço do meu quarto e do quarto dos meus pais.
      Cada apartamento original foi desmembrado em 3 novos apartamentos menores.
      Velhos tempos, belos dias !

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    2. Na verdade a área de serviço não era minúscula, existia um andar com o que era os quartos de empregadas, sistema que existe em vários edifícios da época. No apt. existia um banheiro e uma pequena dispensa.
      No final dos anos 70 nem os elevadores funcionavam para expulsar os inquilinos e estavam alugando os quartos de empregadas para terceiros.
      Na verdade a idéia era derrubar e construir outro, mas o tombamento chegou antes.

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    3. Anônimo voçê conheceu o Roberto e Jefferson que moravam no 6 andar nessa época?

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  7. Bom dia Saudosistas. Retornando as atividades o SDR. Muito bom ter algo de bom para ver todas as manhãs. Embora o Ed. Guarujá já tenha aparecido em postagens anteriores, sempre que retorna, tem informações inéditas sobre ele. No texto o mestre Dr. D' usava um portão e uma pequena trilha para chegar mais rápido a praia, que seria uma guarujá, pois a origem indígena desta palavra significa "passagem estreita".

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  8. Espetacular a postagem.
    O técnico do Maravilha era o Jaime. Apelido "Pafúncio".

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  9. O DI LIDO sem duvida nenhuma é a memória viva de Copacabana. Ele na verdade precisa também é contar os detalhes dos anos 60/70 da Juventude Dourada e sua turma. Será que tem coisa que não pode publicar Dr.D?

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    1. 92% ??? vc está sendo modesto...

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    2. Deve ser muito bom escutar o conde do lido e suas histórias. 😁

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  11. Essa história de "vista para o mar" me lembrou um colega que foi alugar um apartamento annciado como tendo vista para a lagoa Rodrigo de Freitas. Em lá chegando, necas de vista. Ao comentar com o corretor,este disse:
    - Tem, sim. Venha ver.
    E levou meu colega até a área de serviço, onde olhando pelo basculante dava pra ver uma nesga da lagoa.

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    1. A maioria dos anúncios de imóveis atualmente se utilizam de "propaganda enganosa" para ludibriar clientes incautos. Imóveis que mais parecem "casas de cachorro" são anunciados em locais como o "Porto Maravilha" e no "Largo do Encantado" como se estivessem em "fantásticos condomínios". Um outro exemplo mostra apartamentos localizados na Rua Araújo Leitão 707 como se fossem no Grajaú. Esse local é encravado entre a encosta da Auto Estrada Grajaú-Jacarepaguá e as tenebrosas favelas do Lins.

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  12. Atropelaram o Plano Agache em toda a Av. Atlântica, decretando o fim da beleza da Princesinha.
    Como sempre, fotos noturnas são muito interessantes.

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  13. O prédio da Barra da Tijuca cujos moradores foram surpreendidos com a construção de outro à sua frente, apesar de a "vista eterna para o mar" ter sido sempre garantida pela construtora quando da compra de apartamentos no primeiro, chama-se "Terrazza", na (então) avenida Sernambetiba, creio que nos idos de 1976. A questão judicial citada foi decidida contrariamente aos querelantes, eis que não existe "direito de vista" na legislação brasileira (evidentemente não me refiro à "vista" de processo judiciário).

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    1. Anônimo das 18:16, cumpre informar que o termo "quererelantes" utilizado por você em seu comentário está em desuso no Processo Civil, assim como "querelado". As denominação em uso em processos da área "cível" atualmente são "autor" em lugar de querelante e réu no lugar de querelado.

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    2. Com certeza a propaganda usava isso mas o contrato não. Como geralmente ninguém analisa com calma todas as cláusulas do contrato a esperteza acontece.

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  14. Para cada espertalhão há dez incautos.

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