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terça-feira, 12 de julho de 2022

BATALHA AÉREA NO RIO


Deparando-me com esta foto fui à Internet pesquisar sobre esta aeronave em vários “sites”. Os especialistas no assunto poderão fazer as correções necessárias, já que meu conhecimento nesta área é mínimo.

Durante a 2ª Guerra Mundial, nos anos 40, várias bases norte-americanas foram instaladas no Brasil, principalmente no Nordeste. Em 12 de novembro de 1943 um esquadrão de Martin Mariner PBM-3S mudou sua sede para a Ilha do Governador, na NAF Galeão, no Rio de Janeiro. Deixaram um destacamento de três aeronaves em Aratu. Para os americanos, apesar da NAF Galeão estar mais perto da zona de caça aos submarinos inimigos, as condições de vida eram consideradas “primitivas” e frequentemente o lugar estava envolto na névoa no amanhecer.


O Martin Mariner PBM-3S tinha menos armamentos que outras aeronaves: somente quatro metralhadoras, todas manuais. A quantidade menor de armamento era compensada com uma carga maior de combustível, já que o PBM-3S era uma aeronave antissubmarino de longo alcance. O Martin PBM Mariner foi um hidroavião usado pela Marinha dos Estados Unidos nas décadas de 1930 e 1940. "PB" significa "Barco de Patrulha", sendo "M" a marca comercial da Martin Company, seu fabricante.


Vemos nesta foto o U.S. Navy Martin PBM-3S Mariner of Patrol Bombing Squadron 211 (VPB-211) voando sobre o Arsenal de Marinha em dezembro de 1943.  Aparecem também vários destroieres incompletos.  Este aeroplano foi usado em 1941 na Batalha do Atlântico, ajudando a afundar dez U-boats dos alemães. No ano seguinte teve papel importante na ligação entre o Havaí e o Pacífico Sul. Participou da campanha desde as Ilhas Marianas até Iwo Jima e Okinawa. Foi muito usado nas operações de salvamento de pessoal da Marinha e da Força Aérea. No final da guerra foi dos primeiros a chegar à Baía de Tóquio.


As aeronaves US Navy Martin Mariner sobrevoando o Rio em fevereiro de 1944. Há relato de que em 2 de julho de 1944, um desses aviões se envolveu em um combate antissubmarino. Em circunstâncias desconhecidas o avião caiu no mar no litoral do Rio de Janeiro, matando todos os dez homens da tripulação.  



Vemos os PBM Mariner voando perto do Corcovado em 1943. Em 31 de julho de 1943, um submarino alemão U-199 foi surpreendido na superfície, ao largo do Rio de Janeiro, atacado e afundado na posição 23º54’S – 42º54’W, por cargas de profundidade, por um avião americano PBM Mariner (Esquadrão VP-74 – Marinha dos EUA) e duas aeronaves brasileiras (Catalina “Arará” e Hudson), resultando em 49 mortos e 12 sobreviventes.


Aqui vemos o PBM-3c do VP-211 sendo baixado ao mar na rampa de hidroaviões do Galeão. O Pão de Açúcar aparece no horizonte, bem no centro da foto.


A foto mostra um PBM-3c do VP-211 decolando na frente da Base Aérea do Galeão.

Nos anos pós-guerra estas aeronaves estiveram envolvidas na exploração do Ártico e da Antártica e na Guerra da Coreia.

Aos interessados na participação aérea do Brasil na 2ª Grande Guerra encontrei este “site” que parece interessante:

https://www.abul.org.br/biblioteca/146.pdf

segunda-feira, 11 de julho de 2022

EDIFICIO PALATIUM


Outro dia a incansável pesquisadora Conceição Araújo comentou sobre o Edifício Palatium, sobre o qual eu não tinha conhecimento. Vários comentaristas se manifestaram e o prezado J.A.C. Maia conseguiu o livro da época do lançamento (foram impressos 5000 exemplares pela Empresa Edanee, de São Paulo), origem das fotomontagens que aparecem aqui hoje. Neste livro constam ainda as plantas dos diversos andares, além de uma homenagem ao Presidente Getulio Vargas nas primeiras páginas. 

Fica aqui o agradecimento à Conceição Araújo e ao J.A.C. Maia por possibilitarem esta postagem.

Pesquisas que fiz no “Correio da Manhã”, “Diário de Notícias” e “O Jornal” complementam esta postagem.


Os incorporadores desejavam que o Palatium constituísse uma nova demonstração não só da capacidade da engenharia brasileira, como da excelência da indústria nacional. Evitariam, o quanto possível, a aplicação de material estrangeiro, usando produtos da indústria nacional como a cerâmica, os azulejos, os aparelhos sanitários, as ferragens, os mármores.

Na época os dois prédios mais altos da América Latina eram o “Cavanagh” em Buenos Aires, e o “Palacio Salvo” em Montevidéo, com 30 e 26 pavimentos, respectivamente. O Palatium superaria a ambos. Foi um sucesso de vendas quando do lançamento da obra.


O terreno onde seria construído o Edifício Palatium, na esquina da Almirante Barroso com Rio Branco, era onde existia o Teatro Phoenix e o Palace Hotel. Em 23/11/1940 foi assinado o contrato para a demolição do Palace Hotel. Foram compradores José Coelho Pereira Junior e Luiz Coatz (que já demolira os antigos prédios da Associação Comercial, do Tesouro Nacional e do Teatro Lírico).

O projeto teria 32 andares, 160 metros de altura, 8 elevadores, lojas, cineteatro, 800 salas de escritório, um hotel com 300 quartos com banheiros, etc...

Em 1941 foi feita uma maquete de 2 metros de altura por 1,40m de largura que foi exposta no salão nobre do Palace Hotel para visitação os sete dias da semana.

O Palatium teria uma entrada única pela Almirante Barroso, com um “hall” de cerca de 20 metros de largura por 12 de profundidade, sobre o qual se abririam 3 acessos, um para um grande restaurante, outro no centro para os amplos elevadores dos escritórios e o terceiro para os três elevadores do “apart-hotel”.

Os primeiros andares seriam de lojas, os escritórios iriam até o 20º andar, a partir daí, com 3 elevadores exclusivos, haveria um “apart-hotel” até o 30º andar, tipo sala, quarto, quitinete. O 32º andar seria ocupado por um grande salão e dependências destinadas a um “night-club”.


Em 21/10/1940 foi assinado o contrato de financiamento pela S.A. Martinelli, com tabela Price, 30% de entrada e prazo de 15 anos. Incorporadores: Cia. Imobiliária Rex e Costa Pereira, Bokel Ltda. Projeto de Costa Pereira, Bokel Ltda. com a cooperação dos arquitetos Mario Maranhão e Adalbert Szilard. Na mesa desta reunião estavam o Comendador José Martinelli, ladeado pelos drs. Carlos Saboia Bandeira de Mello, advogado da S.A. Martinelli, Nelson Almeida, da Imobiliária Rex, Roberto Marinho, diretor de “O Globo”, Mattos Pimenta, presidente da Bolsa de Imóveis.

O custo total do Palatium, prédio em estilo neo-clássico, seria de 150 mil contos de réis. As vendas, realizadas exclusivamente por corretores da Bolsa de Imóveis (Av. Rio Branco nº 128), foram um sucesso.

Em maio de 1941 foi publicado no “Diário Oficial”, Seção II, do dia 12, a aprovação pelo Secretário de Viação e Obras da Prefeitura a planta do Palatium, “o mais sumptuoso edifício da América Latina”.

Entretanto, em julho de 1941, após centenas de artigos e anúncios exaltando o empreendimento, o “Correio da Manhã” noticiou que “As plantas aprovadas em maio sofreram tão profundas modificações no projeto original por exigências da administração que os que preferirem desistir da compra poderão comparecer à S.A. Martinelli para devolução do valor investido.”

Entre as exigências da Prefeitura constava construir uma galeria de 70 metros de comprimento por 7 metros de largura cortando o edifício. Além da perda de 490 metros quadrados tal galeria afetaria toda a estrutura do prédio projetado.

Mais adiante, conforme conta o “Diário de Notícias”, nem mesmo o Palace Hotel foi demolido no início dos anos 40, somente cerca de dez anos depois.

O projeto acabou abandonado. Uma versão é que foi por veto do Ministério da Aeronáutica que alegou que a altura do prédio prejudicaria a aterrissagem dos aviões no Aeroporto Santos Dumont. Haveria que deixar de construir 10 pavimentos, o que não seria rentável. Outra versão é que a Prefeitura não queria que hotéis fossem demolidos.

Desenvolveu-se então um litígio em torno do edifício do Palace Hotel, que foi desapropriado pela Prefeitura, tendo em vista a carência de hotéis no Rio. Martinelli acusava a Cia. de Hotéis Palace de não entregar o imóvel já pago, alegando a desapropriação feita pelo Prefeito Henrique Dodsworth. Já o advogado do Palace dizia que era a S.A. Martinelli que não manifestava desejo de recebê-lo, solicitando sempre mais e mais prorrogações. Alegou que quando da desapropriação depositou judicialmente a importância que havia recebido da compradora, mas entendeu que não podia mais fazer a entrega do prédio.

E o “imbróglio” continuou envolvendo a necessidade de hotéis no Rio, tendo como participantes o Prefeito Henrique Dodsworth, o Comendador Martinelli e Octavio Guinle representante do Palace. Estava em discussão a reforma do Palace Hotel e a construção de um outro hotel em Copacabana. Em 1946 faleceu o Comendador Martinelli. E não sei como acabou o litígio.

Como não encontrei notícias de processos relativos à devolução do dinheiro suponho que a S.A. Martinelli acertou tudo com os investidores, bem diferente do que aconteceu com outros empreendimentos similares, como o Panorama Palace Hotel em Ipanema (com entrada pela Rua Alberto de Campos) e o Gávea Tourist Hotel (na Estrada da Canoa, em São Conrado, empreendimento da Companhia California de Investimentos).

As fotomontagens abaixo mostram como o Edifício Palatium seria visto, na época, de vários pontos do Rio.







sábado, 9 de julho de 2022

sexta-feira, 8 de julho de 2022

ONDE É?

FOTO 1: grau de dificuldade baixo. Um determinado comentarista está proibido de responder...

FOTO 2: grau de dificuldade baixo. Nem apaguei o número do ônibus.

FOTO 3: grau de dificuldade bastante alto. Uma homenagem do SDR aos incansáveis Lulu&Dudu.


 FOTO 4: também grau de dificuldade alto.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

COPACABANA HÁ 100 ANOS

Hoje vemos mais quatro fotos da série enviada pela tia Lu, do acervo do Sergio Coimbra.

Estamos na Praia de Copacabana nos anos 20 do século passado com a barraca de vime que foi "trazida da Europa por Tia Cotinha em 1913".

A esquina da Av. Atlântica é com a Rua Bolivar. Nesta esquina, em anos mais recentes funcionou o bar Cabral 1500 e atualmente funciona o bar Olegario.

A casinha à direita seria uma "casa" para as crianças brincarem?

A da esquerda serviria para trocar de roupa? Para sentar à sombra?

A foto seria mais formidável ainda se pudéssemos ver os prédios ao fundo. Mas é curiosíssima, com um portão à esquerda, cortinas e estrutura em vime.

Acho que só o Decourt ou o Zierer poderão identificar este trecho da Praia de Copacabana. As crianças parecem ser as que brincavam de se enterrar na areia na foto de anteontem.


Esta parece mesmo uma barraca para troca de roupa. Ao fundo seria a mansão Paranaguá na esquina da Rua Barão de Ipanema?


O “Saudades do Rio” agradece muito ao sempre atento e gentil Maximiliano Zierer que viu o "post"  de hoje e me mandou a foto acima com o seguinte texto:

“Bom dia Dr. D´,

Todas as fotos da postagem de hoje (Copacabana há 100 anos) são do mesmo trecho da orla, entre as ruas Bolívar e Xavier da Silveira.

Talvez valha à pena incluir na postagem esta magnífica colorização do Reinaldo Elias de uma foto do Guilherme Santos de 1930 mostrando o mesmo trecho e as mesmas casas (exceto as casas vizinhas da esquina da Bolívar que ficaram de fora da foto)

Grande abraço”

 


quarta-feira, 6 de julho de 2022

PRAIA DE BOTAFOGO


A primeira vez que vi esta foto foi em P&B, no “Foi um Rio que passou”, enviada pelo prezado Carlos Paiva, habitual colaborador dos FRA-Fotologs do Rio Antigo.

A de hoje, colorizada, foi publicada pelo A.J.Caldas, em estupendo trabalho da Christiane Wittel.

 O Decourt, como sempre, deu uma aula ao falar sobre ela:

“Foto do início dos anos 1950 mostra os aterros para a construção da Park Way da Praia do Botafogo que teria a função de dar fruição de tráfego e embocadura ao Túnel do Pasmado e seu sistema viário.

Curiosamente, no início do século XX, em novembro de 1908 é publicado no Jornal “O Copacabana”, bem como divulgado por outros meios de comunicação e por folhetos distribuídos pela cidade, um plano para o saneamento da Enseada de Botafogo.

A autoria do plano pode ser especulada ao grupo de Alexandre Wagner e Otto Simmon, da Cia. de Construções Civis, que era um dos grandes patrocinadores da publicação.

O plano era descrito com a construção de uma larga avenida, de 100 metros de largura, que partiria do Morro da Viúva até a Praia Vermelha. Ela teria 3 pistas de 35 metros de largura e dois passeios de 4 metros. Contaria com tráfego de carris e um sistema de trens rápidos que poderia ser estendido ao resto da cidade.

Esta via melhoraria em muito o acesso à Copacabana prejudicado pela precariedade de trechos da Av. Pasteur junto ao Pasmado. Também lembramos que Alexandre Wagner esteve ligado a uma concessão de carris para Copacabana, que criou muita polêmica e brigas com a Jardim Botânico no final do século XIX.

Anos depois, Agache lançou os embriões do Aterro do Flamengo (Glória e Botafogo também) e do sistema dos túneis do Pasmado e Novo, que foram sendo modificados até chegarem à feição definitiva, executada nesta obra.

No fundo as sedes do Guanabara e do Botafogo de Futebol e Regatas ainda podem ser vistas. Infelizmente a imagem não permite ver as obras na embocadura do túnel, mas notamos que o Pavilhão Mourisco não está mais lá.

A foto também é muito feliz em retratar o belo trabalho urbanístico da equipe de Passos, 40 anos depois de realizado, árvores crescidas e muita proporção entre jardins e avenidas. Pela posição o fotógrafo estava no Edifício Corcovado, um dos bons endereços da orla, que foi avacalhada com a construção dos verdadeiros “balanças” no final dos anos 50.”

Nesta foto, também enviada pelo prezado Carlos Paiva, vemos o bairro de Botafogo no início do século XX, com destaque, ao fundo, para os prédios da City, do Clube Guanabara, da sede náutica do Botafogo, do Pavilhão Mourisco e do cinema Hight-Life, demolido nos anos 70 como cinema Guanabara. Vemos também a belíssima Avenida Beira-Mar e todas as mansões da orla de Botafogo. Junto ao mar, o Pavilhão de Regatas. Bem à esquerda temos a Praia da Saudade e os prédios da que depois comporiam a Universidade do Brasil na região da Avenida Pasteur. Há dois anúncios no Morro do Pasmado, num deles parece estar escrito "DORLY". Este cantinho de Botafogo, antes da abertura do túnel, era simpaticíssimo.


Podemos comprovar que a antiga sede do Botafogo de Futebol e Regatas ainda estava de pé após a inauguração do Túnel do Pasmado. Foto do “Correio da Manhã”. O Túnel do Pasmado foi projetado em 1938 pela Comissão do Plano da Cidade, chefiada pelo Eng. José de Oliveira Ries, porém só foi concluído em 1952. Consta que foi o primeiro túnel no mundo projetado por uma mulher, a engenheira Berta Leitchick.


Esta foto da Revista Municipal de Engenharia, de 1954, já mostra que a sede do Botafogo de Futebol e Regatas já havia sido demolida.


terça-feira, 5 de julho de 2022

COPACABANA - 1928

As fotografias de hoje, do Acervo de Sérgio Coimbra, foram enviadas em 2010 pela caríssima Lucia Simões, a quem o "Saudades do Rio" agradece. 



 Vemos parentes do Sergio Coimbra na Praia de Copacabana em 1928.

Da primeira vez que foi publicada esta foto apareceu desta forma. Recentemente, o nosso prezado Maximiliano Zierer, que tem o título de "Doutor em Praia de Copacabana", comentou que a foto estava espelhada. Abaixo vai a correção.


Esta é a posição correta da foto, que mostra ao fundo a esquina da Rua Bolivar (antiga Rua Guimarães Caipora) com Avenida Atlântica. 

As brincadeiras infantis da época. Este tipo de "montinho" enterrando as pessoas era comum no século passado. Nunca mais vi ninguém fazendo isto.