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sexta-feira, 26 de março de 2021

LA CAVE AUX FROMAGES

Ontem o “Saudades do Rio” mais uma vez recebeu um email com pedido de ajuda. Desta feita para informações para um filme sobre o Leblon. O assunto estava relacionado com a área onde funcionou a “La Cave aux Fromages”, cuja foto me foi enviada pelo prezado GMA.

Na foto de hoje, então, revemos o restaurante que ficava na Praia do Leblon, na esquina da Delfim Moreira com Almirante Pereira Guimarães. Fez grande sucesso nos anos 70, por vender queijos franceses. Também a adega de vinhos era bem interessante.

Seu dono era Monsieur Pierre Bloch, um francês que lutou na Resistência, na 2ª Guerra Mundial. Era um local muito agradável. No final dos anos 70, com restrições às importações, o restaurante fechou.

Houve lá, certa noite, quase uma tragédia. Ao chegar a conta numa mesa em que estavam dois jovens e famosos professores de Economia, da PUC e da FGV, começou uma discussão sobre os valores cobrados. Do salão, a discussão foi para este pátio onde se veem os "ombrelones". De um lado M. Bloch e seu "staff", do outro os dois professores. Troca de desaforos, um "quem não tem dinheiro não deve vir aqui" prá lá, um "restaurante de merda" prá cá, a discussão evoluiu para tapas e pontapés. A tragédia quase se consumou quando um dos empregados apareceu com um facão de cozinha. Nisto, a namorada de um dos professores se coloca à frente do empregado e com grande autoridade lhe grita: "Largue isto, agora!". Foi quando todos "caíram na real" e, felizmente, a situação se acalmou.

Acho que o La Cave aux Fromages chegou a funcionar por um tempo na Bartolomeu Mitre, onde mais tarde se estabeleceu o Un Deux, Trois, mas não tenho certeza. O La Cave foi uma vez assaltado à luz do dia e Monsieur Pierre Bloch covardemente agredido.

Também acho que esta casa foi onde durante algum tempo morou a família do deputado Rubens Paiva.

E, como o mundo é pequeno, a empresa do pai do prezado Mauro Marcello, como ele já mencionou num comenário há anos, era responsável pelos desembaraços aduaneiros de seus maravilhosos queijos e vinhos franceses. Antes deste restaurante da foto, Pierre Bloch começou com uma pequenina loja na Almirante Guilhem, onde comercializava suas iguarias. Após o encerramento das atividades do restaurante ele se mudou para Búzios.

 

26 comentários:

  1. Bom Dia! Mesmo tendo sido taxista,como sempre digo sou analfabeto em Zona Sul. Hoje novamente vou aprender mais um pouquinho.Faltam 39 dias.

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    1. Vou ganhar a corrida. Para mim faltam 26 dias. Rsrsrs

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  2. Me lembro desse restaurante mas nunca estive nele. Muita gente ficou prejudicada com a restrição às importações, e muitos dos chamados "despachantes" que trabalhavam com importação acabaram "quebrando". Meu avô no tempo em que atuou como "Fiscal do Imposto Aduaneiro" fez com que meus tios abrissem escritórios de "Despachante" nos anos 50. Nos anos 70 um deles "quebrou" porque trabalhava apenas com importação. Mas o que trabalhava apenas com exportação continua ativo até hoje. FF: A morte do menino Henry na Barra da Tijuca está praticamente solucionada. A P.P do casal suspeito em breve deve ser decretada.

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    1. Esta história do menino é uma barbaridade inominável. Como alguém pode cometer um crime desses? Uma tragédia.

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  3. Além da "La Cave aux Fromage" o Leblon abrigava muitos locais famosos para beber e comer, como o “Panelão” (com sua sofisticada lagosta) na Venancio Flores, como o Le Relais também na Venancio, como o popular e bom “La Mole” (com o inesquecível “courvert”) na Dias Ferreira, em frente ao simpático “Final do Leblon” onde o feijão com arroz e linguiça era imbatível), como o badalado Real Astória na esquina da Ataulfo de Paiva com Aristides Espínola que ainda tinha do outro lado a “Pizzaria Guanabara” e o “Café e Bar Porto do Mar” (o “Portinho”, que virou o atual “Diagonal”), como o “Caldeirão” (alternativa para o “Panelão), como o “Degrau” (que ficava do outro lado da Ataulfo e depois se mudou para o local onde está até hoje), como o “Alvaro´s”, como o “Le Coin” (ainda na Ataulfo), como o “Antonio´s”, como o “Manolo´s”, como o “People”, como o “Helsingor”, como a “Plataforma” e tantos outros que serão lembrados.

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    1. No Restaurante Final do Leblon, na Dias Ferreira, quase Ataulfo de Paiva, o prato mais pedido era a capa de filé com feijão manteiga. Não tinha frescura, era um programa pós praia.

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    2. Lembrei do Don Quixote, com seu agradável piano/bar, Domingo's Bar. E o piano/bar do Real Astória era o Baco, onde grandes pianistas se apresentaram. Não poderia deixar de citar uma das melhores casas noturnas do Rio, além do People's, o 706, com o conjunto do Osmar Milito. Ali vi ao piano, para a incredulidade de alguns frequentadores, nada mais, nada menos, do que um gênio na composição musical, e detentor de um Oscar, chamado Burt Bacharach.

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    3. É famosa a história do telefonema da Elba Ramalho dentro do People. Gritava ao telelefone: “Estou no People! É! Vou soletrar: P-I-P-O-L”

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  4. Caro Luis, agradeço a lembrança. É verdade, nossa extinta Comissária de Despachos Aduaneiros sempre foi a representante legal e responsável por todas as importações da saudosa La Cave Aux Fromages junto à Receita Federal. Não trabalhei diretamente naquelas operações de importação, vez que ocorreram ao longo da década de 70 e cheguei a empresa em 1980, quando M. Pierre Bloch já tinha entregue a casa da foto e estava com uma pequena loja na Rua Almirante Guilhem, onde sempre o visitávamos. para comprar queijos e vinhos. Mesmo depois de ter se radicado em Búzios, todos os anos fazia questão de visitar-nos e almoçar com meu pai, já que criaram estreitos laços de amizade. Era um deleite ouvir suas histórias da Resistência Francesa.

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  5. Ao longo do outono/inverno, entrava no cardápio um delicioso e concorrido fondue de queijo, servido também nas mesas do jardim.

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  6. Nunca estive no Cave mas dei "canja" na época do Un, Deux, Trois. Foi nesse local que tive a oportunidade conhecer uma "crooner" americana que se apresentava com o conjunto do organista André Penazzi. Cristine, que falava bem o português, cismou que poderia cantar e gravar sambas e sempre que podia tentava mostrar o seu "talento" para sambista. Claro que não deu certo pois lhe faltava o "molho" natural e acabou perdendo o emprego.
    Também estive presente no desentendimento entre os cantores Miltinho e Pedrinho Rodrigues quando o primeiro pediu ao colega que desse uma chance para sua protegida, uma cantora iniciante. Pedrinho, que tinha lá seus arroubos de estrela, assentiu meio a contragosto. No meio da apresentação da moça Pedrinho entrou na música, tentando fazer um dueto. Nervosa, a iniciante se atrapalhou e não conseguiu ir até o final. Isso despertou a fúria do Miltinho que, com a aparência de calmo, partiu para cima do negão dizendo: "Mas meu preto, como é que você faz isso comigo?". A partir daí se não seguram o intérprete de "Cara de Palhaço" o pau quebraria.

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    1. Em tempo: Acrescentando ao comentário faço uma homenagem a esse cantor de voz peculiar e extraordinário senso rítmico adquirido desde os tempos em que era ritmista no conjunto do Djalma Ferreira. Miltinho não dependia só da música para viver pois foi funcionário da Receita Federal e tinha uma invulgar cultura para idiomas, tendo gravado em espanhol e francês, falando fluentemente também o inglês. Divertido, certa vez o encontrei no final dos anos '90 na feira de discos da r. Pedro Lessa e lhe perguntei como ia a vida. Sorrindo me respondeu que agora tinha se tornado cantor de velórios! - Como assim? - , perguntei. - É que agora só canto pra coroas... Grande sujeito o baixinho... Para matar as saudades: https://www.youtube.com/watch?v=7MqkNhDDeGk

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  7. Bom dia a todos. Hoje o papo é muito bom, duas coisas que eu sou apaixonado, queijos e vinhos. Falar de bons restaurantes no Leblon, mesmo aqueles que tiveram vida curta, vai dar para escrever um livro sobre o assunto. Dia para o Conde DiLido aparecendo relembrar o Outstanding.

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  8. Casas desse gênero praticamente não existem mais. Champagne, Café Nice, Bierklause, Carinhoso, Sol e Mar, e muitas outras de vários gostos, preços, e níveis. Hoje em dia são as "grandes casas" onde não há musica ao vivo, dança a dois, e romance, mas música eletrônica, drogas, brigões, alpinistas sociais, funkeiros, "tatuadas", gays, "sapatas", "fanchas", e toda a sorte de bizarrices.

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  9. Não conheci, mas imagino o quanto era agradável o estabelecimento, desconsiderando o entrevero citado.
    Se não me falha a memória foi nesse endereço que o pacífico Deputado Rubens Paiva foi "convidado" a prestar depoimento e nunca mais foi encontrado. Nem vivo e nem mesmo morto.

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  10. Conheci o Pierre na 1a loja da Cave que, sinceramente, não sei em que rua era. Frequentei tanto o local, que ficamos amigos e ele sempre trocava comigo opiniões do que importar ou não. Apesar de preços altos, o local viva cheio e ele ganhou tanto dinheiro que se aventurou na casa que aparece na foto1. Os maiores problemas do Pierre foram a cotação do dólar, àquela época imprevisível, e o transporte dos queijos que vinham de avião em conteiners refrigerados. Isso fez subir os preços a níveis astronômicos. Um problema que lembro ter havido foi a exposição das enormes peças de Brie que ficavam à temperatura ambiente e derretiam, se espalhando pela mesa. Ele mandou fazer uns blocos de mármore que serviam de anteparo aos queijos para que não se espalhassem. Com todos estes problemas, os preços foram para o céu até que a frequência caiu e ele não aguentou o pique. Tentou colocar queijos nacionais, mas não deu certo , pois na época eram muito ruins. Fechou.

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  11. Despachantes e cartórios um dos cânceres do Brasil. O primeiro quase sumiu mas o segundo ainda atrasa nossas vidas e custa caro.

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    1. José Rodrigo, apenas esclarecendo, existem algumas profissões que utilizam a nomenclatura Despachante, atuando em diferentes segmentos profissionais, tais como os extintos despachantes que intermediavam na emissão de carteiras de identidade junto ao extinto órgão Félix Pacheco, passaportes junto a Polícia Federal, emissão de visto em diversos consulados e atuação junto ao Detran, além dos despachantes que são funcionários das empresas de transporte de ônibus coletivo.
      Até concordo que Despachantes podem ser um câncer, já que a palavra remete a falcatruas e desonestidade, mas sua afirmação colocando todos no mesmo saco, denota seu total desconhecimento a respeito dos Despachantes Aduaneiros e sua vital importância para o comércio exterior brasileiro. Outrora, os despachantes aduaneiros eram nomeados pelo Presidente da República do Brasil, como meu pai o foi em 1942. Daí você pode auferir a importância da profissão à época. Quando passei no concurso da Receita Federal para ser nomeado como despachante aduaneiro, era obrigatório ter o ensino superior completo. Trabalhávamos desembaraçando as cargas de insumos e medicamentos de algumas das maiores indústrias farmacêuticas do mundo, tais como Produtos Roche, por 80 anos ininterruptos, White Withehall, atual Pfizer do Brasil, Sanofi Sinthelabo e outras. Em 1993, fomos homenageados na matriz da Roche, em Basileia, como os seus melhores prestadores de serviço. Ao final de todos os anos, acontece uma solenidade na sede da FIRJAN que premia os destaques do comércio exterior brasileiro, sendo a minha ex empresa, agraciada todos os anos como o destaque no segmento do Despacho Aduaneiro. Tá bom prá você? então separe o joio do trigo antes de tecer algum comentário deselegante a respeito de algum segmento profissional que você não tenha um mínimo conhecimento.

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    2. Tenho certeza que o dono de algum cartório também defenderá sua posição.
      Sobre seu pai, lamento mas nomeação na era Vargas deveria ser com certeza pela capacidade e não pelo apadrinhamento!. Continuo pensando igual, se faz tão importante que deveria existir prova todo ano e desde 2018 não há.

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    3. José Rodrigo de alencar, o Mauro Marcello disse tudo. Sua falta de conhecimento em muitos assuntos te dão uma oportunidade de agir como Pelé, que "calado é um poeta". Faça isso!

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    4. Corrigindo, meu pai foi nomeado pelo Presidente Eurico Gaspar Dutra, em 1946.

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  12. Como o blog é de memória eu recordo o de 11 de Maio de 2017 sobre os ônibus chifrudos.Quanta saudade.Mas continua bem interessante Luiz,mesmo sendo 90% sobre a zona sul.

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  13. Fui algumas vezes ao Cave aux Fromages. Comida honesta, bons vinhos ambiente simpático, com algumas salas salvo engano. Muitos bares bons na cidade na época. Em 1980 comecei a estagiar num escritório de advocacia forte na época e não raro reuniões acabavam , ou começavam, no Antonino. Com 20 anos só bebia capirissima, vi 2 advgados numa note matarem uma garrafa de Cutty Sark. Fiquei espantado. e sairam conversando numa boa.Aproveito para lembrar que , do outro lado da rua da Cave tinha uma Galeria do mesmo Lynaldo Uchoa de Medeiros , do buraco do LUME. Ali fui a um vernissage do saudoso LAN. Anos depois encontrei o caricaturista em Itaipava, ficamos próximos, e ele me deu o autógrafo no catálogo que eu tinha comprado lá pelos anos 1976.

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    1. eu e Dr. D' cansamos de bater um litro de JWBL e sempre saímos conversando numa boa. O problema era dirigir depois. Conversar não era problema...

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    2. Se considerarmos 20 doses na garrafa, eu tomava 2 e o ilustre Conde as outras 18.

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  14. Olá, Dr. D'.

    Manhã corrida. Aula de hoje muito interessante, assim como alguns comentários. Área fora da minha jurisdição.

    Sobre a tragédia do garoto, desde o início a história estava estranha. E Cidade Jardim não fica na Barra...

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