É um flagrante de uma manhã na Lagoa, do lado de Ipanema, quase em frente ao Viaduto Augusto Frederico Schmidt. Um antigo ônibus 157, Estrada de Ferro - Ipanema, um dos poucos que passavam pela Lagoa, dirige-se para o viaduto.
Aquele retorno para quem vem do Corte ou de Botafogo ainda tinha seu traçado original, em ângulo mais agudo do que atualmente. Foi um dos erros do projeto de duplicação da Av. Epitácio Pessoa e da construção do viaduto. O outro foi a curva quase em frente à pedreira, para quem vinha pelo Corte do Cantagalo e fazia a curva para passar sobre o viaduto.
Ambos tiveram que ser corrigidos.
Não havia, nesta época, nenhum sinal de trânsito no entorno da Lagoa, muito menos os atuais e costumeiros engarrafamentos. A fiação aérea começava a ser substituída pela subterrânea e já se veem os novos postes e luminárias.
Observem que a antiga
faixa que dividia a Av. Epitácio Pessoa em mão e contramão, ainda é visível.
Este "slide" digitalizado mostra o retorno já remodelado, com umas baias para estacionamento ao lado, e as pistas de Av. Epitácio Pessoa já com as faixas novas. Era uma época em que ainda se permitia estacionamento com duas rodas sobre a calçada dos prédios.
Mais ou menos da mesma época da foto anterior. O carro branco com teto preto, que obiscoitomolhado irá identificar, novamente chama a atenção.
A iluminação da Lagoa
também permaneceu com esses postes e luminárias até 1980/81 quando os atuais
postes de 20 metros no canteiro central foram instalados, dando muita celeuma,
pois na área do “drive-in” eles ofuscavam a tela e na região do Jardim Botânico,
onde as pistas da Lagoa são mais estreitas, a luz entrava direto dentro da casa
das pessoas.
A solução foi a adoção de
acrílico branco fosco no lugar do transparente na cúpula destas novas
luminárias (na região do “drive-in” elas eram todas de acrílico opaco e, em
outros lugares, apenas a parte lateral era assim feita.
O curioso é que as pessoas se acostumaram tanto a serem agredidas pelo excesso de luz, que quando a nova geração de luminárias foi instalada nesses mesmos postes nos anos 90 ninguém reclamou, mesmo elas sendo bem mais fortes.
Morar na Lagoa nesta
época era maravilhoso, sem dúvida: pouco trânsito (alguns anos antes, então,
trânsito quase nulo), silêncio, uma bela vista. Mas havia o outro lado:
telefone era dificílimo conseguir, não havia nenhum comércio (só em Ipanema),
não havia estas facilidades de entrega em casa como hoje, as mortandades de
peixes eram frequentes (e liberavam um gás que enegrecia todos os objetos de
prata, além do cheiro insuportável), havia muitas moscas, a condução era muito
escassa (após as 20 horas quase não passavam ônibus ou lotações).
Esta foto, com um ângulo um pouco diferente, é de autoria de meu vizinho e amigo Jaymelac. Mostra as obras para a construção da saída do metrô Ipanema, em extensão desde a Praça General Osório até a Lagoa. Deve ter custado uma fortuna a escavação para, na minha opinião, pouquíssimo uso.
“Lagunar e Sublime
Pontífice de nossa Sebastiana Urbe, Renomado e Afamado Esculápio Montenegrino,
Grão-Mestre do Saber Cidadão, Curador Incansável da Iconografia Guanabarina,
Mantenedor Incansável da Cultura e da Ciência, Intrigante, Revigorante,
Elegante, Galante, Caminhante e Pedalante Dr. D´,
Como o filho pródigo
retornado à casa paterna e prostrado aos pés do sacrossanto luminar Ipanemense,
humildemente rogo vênia ao culto exegeta por meu longo desaparecimento do seu
famigerado sitio internético de convívio virtual, fórum de notáveis que em
júbilo agregam-se em torno da luz do conhecimento emanada pelo douto confrade
para debater os mais elevados temas de nosso cotidiano viver Carioca.
Uma série de infortúnios
e um período de retiro espiritual privaram-me da prazerosa e educativa
companhia de seus incontáveis seguidores, acólitos, discípulos, pupilos,
aprendizes, visitantes, afilhados, agregados, afeiçoados, apaixonados, frequentadores
furtivos, lascivos, incorpóreos e extemporâneos que abrilhantam este Templo do
Saber com seus sagazes e oportunos comentários. A todos saúdo com a alegria de
quem retorna ao seio da família D´.
Magnânimo amigo,
primeiramente meu avançado equipamento computacional apresentou diversos
distúrbios internos que me vedaram o acesso ao grande éter informático. Ora meu
écran electróníco teimava em não acender, ora o armazenador de informações
perdia o que lhe era entregue. Chamamos um francês que trabalha na Compagnie du
Gaz no Aterrado e que afirmava que dominava as técnicas eléctricas e
electrónicas, mas tudo o que conseguiu foi apenas agravar a caótica situação.
Quando nada mais dava jeito àquela mixórdia, muito a contragosto e somente por
insistência de minha supersticiosa assistente, a ocultista Mme. Simmons,
chamamos Donana, uma velha benzedeira que vive em uma tapera nas matas da
Tijuca e que dizem que opera milagres com maquinário importado.
Pois bem, mal a velha
senhora chegou com seu cachimbo à boca e uma panela de barro onde punha umas
ervas malcheirosas e de onde saia uma fumaça nauseabunda, começou a murmurar as
suas rezas. Em um átimo, meu equipamento computacional voltou a trabalhar como
novo. Totalmente apalermado diante de tal feito, dei a ela dois tostões e um
rolo de fumo para picar e lá se foi a bruxa a manquitolar pela Rua da Pedreira
da Candelária a oferecer as suas rezas para a vizinhança. Ainda hei de entender
o que houve por aqui...
Passada a inaudita
experiência, profundamente abalado em minhas convicções recolhi-me ao claustro
do Mosteiro de São Bento por um mês para reconciliar-me com Deus e a Ciência.
Após este tempo de repouso, orações e missas em canto gregoriano, passei uma
temporada na Serrana Urbe de Pedro, aproveitando os ares frescos proporcionados
pela altitude àquele belo recanto Imperial.
Em minha estada fiz-me
acompanhar de meus diletos e caros confrades, o denso e rotundo Conde di Lido,
com seu novo amigo o Conde de Villegagnon, o mordaz, desaparecido e iconoclasta
Barão de Santa Tereza, o meridional e anglo-saxão Barão de São Luiz, o culto e
polêmico Visconde de Cambuquira, aliado do santo Cardeal Eugênio. Entretivemo-nos
por semanas em tertúlias literário-científica-teológicas, sempre acompanhados
de um bom vinho, café da Mantiqueira, salgados vindos da Colombo no trem diário
e da magnífica e maviosa voz de rouxinol de minha melódica assistente, a
cantarolante Mme Simmons. Novamente recuperei meu vigor, reiniciei minha
gymnástica calistênica diária, interrompida há decênios e retomei com fervor
minha incansável luta pela Cultura, pelo Saber e pela Ciência.
Sábio e Insigne Luminar,
sou convocado ao meu gabinete para mais uma sessão de leituras de Química
Inorgânica, Genética, Astrofísica e Geomorfologia, leituras leves mais afeitas
ao período noturno.
Após os estudos passo à
Sala de Refeições onde uma bela sopa de pescado com arroz e um mingau de
tapioca com leite me esperam para o jantar. Um cálice de licor de jenipapo e
estou pronto para ir ao catre encontrar-me com Mme Pintáfona em meus sonhos.
Antes de despedir-me, envio
profalças aos novos comentaristas do “Saudades do Rio”, os quais espero
conhecer pessoalmente em futuro ágape.
Despeço-me Ensolarado,
Estacionado e Ajardinado.
Seu Criado,
Dr. Hermelindo Pintáfona”









































