A Praia de Botafogo, em foto garimpada pela Conceição Araújo, era assim por volta de 1930. Aqui à direita vemos a igreja da Imaculada Conceição e bem à esquerda, no alto, as sedes do Guanabara e do Botafogo.
Mais uma vez temos uma
postagem com a colaboração dos amigos especialistas do Rio Antigo. Conceição Araújo garimpou
esta linda fotografia de Guilherme Santos, na Brasiliana Fotográfica, acervo do IMS,
mostrando a Praia de Botafogo, com um bonde na esquina da Rua Marquês de
Olinda.
A foto é por volta de 1930,
pois é possível observar que a estátua do Cristo Redentor está em construção. O bonde é da linha “Copacabana”,
que foi extinta muito cedo, e tem o nº de ordem 96.
Vemos, ao lado do bonde, o prédio onde
funcionou a “Escola Amaro Cavalcanti” (em "alta" o letreiro é bem legível). O “Correio da Manhã” noticiou em 1929 que
esta escola se adequou à “Reforma do Ensino de Fernando Azevedo”, a grande lei
que modificou as normas educativas das escolas municipais, trazendo novos
processos pedagógicos aliado a uma profunda irradiação de educação social. Deu,
então, à antiga “Escola do Aperfeiçoamento”, uma organização mais ampla.
Na adaptação do prédio a
este novo endereço houve grande contribuição dos fornecedores, com doações ou
abatimentos de preços dos materiais, atendendo a finalidade dos cursos
gratuitos oferecidos.
Os cursos seriam em três
turnos, das 8 horas até as 22 horas. Amparado pelo esforço e dedicação
incansável da administração municipal, pela boa vontade e competência do corpo
docente especializado, desejo de aprender do corpo discente e com o auxílio
inestimável do Comércio, a Escola Amaro Cavalcanti contribuirá para a execução do
grande Código de Educação Social que é a Lei Fernando de Azevedo, conclui o
jornal.
Porém este prédio, que tinha como endereço "Praia de Botafogo nº 296", durou pouco tempo, como veremos abaixo.
Vemos, em detalhe, o bonde "Copacabana", nº 94.
No lugar do casarão da Escola Amaro Cavalcanti foi construído, em meados da década de 1930, o Edifício Pimentel Duarte, que aqui vemos num aquarela de Felisberto Ranzini.
E falar no Pimentel Duarte é obrigatório nos debruçarmos sobre as pesquisas do amigo Rouen, Claude de Fondeville, fã nº 1 deste prédio.
Conta o Rouen que o número original do prédio era 290 e o que foi construído em seu lugar em 1982, o Centro Empresarial Botafogo, adotou o nº 300, como estratégia de marketing.
A entrada do Pimentel Duarte, preparada para receber veículos, possuía uma ampla marquise em cimento armado, a fim de abrigar os automóveis em dias de chuva.
Em toda área havia uma belíssima geometria na colocação dos mármores e a entrada era atapetada em desenho geométrico. Mais adiante as portas sociais dos dois apartamentos de três quartos, localizados na parte dos fundos.
Este edifício possuía três plantas distintas a saber:
• Pavimento térreo com duas unidades de dois quartos localizadas na parte frontal.
• Ainda no mesmo pavimento duas de três quartos na parte dos fundos, porém sem varanda.
• Nos nove pavimentos que se seguem todos são iguais, ou seja, de três quartos com uma varanda na sala.
• No topo havia um apartamento para o “concierge”. Havia também uma área livre bastante grande no último piso e creio que este local era usado para a colocação de roupas a serem secadas. Além de um depósito, ali se localizam a casa de máquinas dos dois elevadores e duas caixas d’água perfazendo um total de 20.000 litros.
Conforme o projeto dos arquitetos Paulo Pires e Paulo Santos da construtora Pires & Santos & Cia. o edifício Pimentel Duarte foi um dos primeiros a serem construídos na Praia de Botafogo (1936).
Esta fotografia é de autoria do amigo Rafael Netto e foi feita com o propósito de comparação com a imagem da aquarela. Foi feita em 2007 e publicada no seu saudoso fotolog "Ontem e Hoje".
Vemos uma panorâmica da Praia de Botafogo. Como já se comentou bastante, a bucólica região se encheu de prédios, a partir
do Pimentel Duarte, que foi construído em 1936 e depois de passar por abandono, acabou sendo
demolido no início da década de 1980, para a construção do Ed. CAEMI, atual
Centro Empresarial Botafogo, o edifício maior no centro da foto.
Para a esquerda da imagem, os grandes blocos do Ed. Coral e adjacentes
bloqueiam a vista da Pedra da Gávea. Nos espaços entre os edifícios, existem o
casarão do antigo Colégio Andrews, e o terreno vazio deixado pela demolição de
um casarão no início dos anos 90, usado como estacionamento.
Do lado oposto, o gigantesco Ed. Argentina domina a paisagem. Entre eles, a
igreja da Imaculada Conceição permanece no mesmo lugar, mas não reina mais
sobre a praia como outrora.

Aproveitando a vizinhança reproduzo esta foto, que é o resultado
de uma pesquisa do Rouen, na primeira década do século XXI, sobre a localização da mansão do Dr. Miguel Couto, na
Praia de Botafogo.
Acompanhando a foto acima
para nos localizar temos começando pela esquerda:
• Na frente das 4
palmeiras que vemos, dentro de uns 10 anos os arquitetos Paulo Pires e Paulo
Santos que se assinam Pires, Santos irão entregar o Ed. Pimentel Duarte ao
proprietário homônimo.
• A Rua Marques de Olinda
esquina com a Praia de Botafogo.
• A casa da esquina onde atualmente existe um edifício com o nº 284 e uma série
de lojas e sobrelojas abandonadas.
• A tão procurada
residência do Dr. Miguel Couto onde atualmente temos o Ed. Vitória, de nº 280, erguido no final dos anos quarenta.
• Um edifício pertencente
a Igreja ao lado.
• A igreja Imaculada
Conceição.
Aqui vemos a qualidade da pesquisa do amigo Rouen. Foi uma perda incalculável para a história do Rio a desativação dos fotologs do Terra, onde havia tanto sobre o Rio de antigamente.
Neste interessante desenho da planta de situação vemos a área total do
imóvel na qual podemos observar com espanto e diria até com admiração que a
área ocupada pelo edifício propriamente dito era praticamente somente 1/3 da
área do terreno total.
Temos então em legenda:
1 – Entrada social
2 - Entrada de serviço para acesso ao terreno pelo lado direito e para o
edifício com entrada pelas duas laterais.
3 – Entrada para a garage.
4 _ Play-ground onde foram mantidas as palmeiras das quais eu me referia.
Pontos interessantes a considerar:
• Pela entrada social os veículos possuíam acesso para a deixar o passageiro
sob uma grande marquise na entrada do Hall sem que os passageiros pegassem
chuva. Vamos encontrar este tipo de solução em alguns edifícios construídos
nesta época.
• A entrada de serviço era feita lateralmente inclusive não se tinha acesso por
esta parte do prédio senão pela entrada 2.
• Manutenção das palmeiras lá existentes e criando-se um pequeno parque com
play-ground, coisa pouco encontrada nos edifícios da época.
• O play-ground possuía também uma entrada lateral própria em 4.
• Existência de uma garagem para os moradores, o que somente veríamos
aparecer na década de 50. A notar que depois de estacionar o veículo a pessoa
caminhava pela área interna do edifício passando pela parte traseira da garagem
e em seguida pelo Play.
(Desenho: Arquitetura e Urbanismo -- Órgão Oficial do Instituto de Arquitetos
do Brasil).
E terminamos com esta colorização do Nickolas, com destaque para o Ed. Pimentel Duarte, reinando na Praia de Botafogo.Mais uma vez os agradecimentos aos colaboradores.