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segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

ÁGUAS FÉRREAS

Águas Férreas era o nome da região onde fica o atual Cosme Velho. Segundo Brasil Gerson, o nome se devia à Bica da Rainha, de águas ferruginosas (esta afirmação é contestada hoje em dia, pois a água da Bica da Rainha não seria ferruginosa). O nome Águas Férreas se manteve na “vista” dos bondes da linha 3 até sua substituição pelos ônibus elétricos da CTC.

FOTO 1: Com fotos, em sua maioria, enviadas pelo amigo GMA, colaborador frequente e grande incentivador do “Saudades do Rio”, vamos falar do Edifício Águas Férreas.


FOTO 2Vemos o Edifício Águas Férreas, no nº 550 da Rua das Laranjeiras. Um prédio impressionante para a primeira metade do século XX. À época Águas Férreas era um bairro de grandes mansões, muito verde e pouco movimento, o que seria alterado na década de 1960 com a construção do Túnel Rebouças.

FOTO 3O projeto do arquiteto Mario M. Pinto previa apartamentos de diversos tamanhos.

FOTO 4: O preço dos apartamentos e a forma de pagamento.



FOTO 5: A localização do edifício na Rua das Laranjeiras.


FOTO 6: Aspecto do prédio em foto do Google Maps de 2017.


FOTO 7: O bonde Águas Férreas foi muito fotografado (abaixo algumas dessas fotos).  Nesta, garimpada pelo Julio Reis, o vemos na Rua das Laranjeiras na altura da Rua Soares Cabral.

Segundo o Helio Ribeiro, o trajeto era Tabuleiro da Baiana - Senador Dantas - Luís de Vasconcelos - Augusto Severo - Largo da Glória - Catete - Pedro Américo - Bento Lisboa - Largo do Machado - Laranjeiras - Cosme Velho.


FOTO 8Esta foto, feita por volta de 1915, mostra o Largo da Glória. Destaques para a Igreja do Outeiro da Glória, ao fundo, e o monumento a Pedro Alvares Cabral, obra de Bernardelli para as comemorações do 4º centenário do descobrimento do Brasil. Em primeiro plano o bonde de nº 177, que fazia a linha 3,  Águas Férreas.

FOTO 9Largo do Valdetaro, ficava pertinho do Palácio do Catete. Vemos a tranquilidade da vida carioca daquele tempo, com os passageiros comodamente sentados no bonde, alguns lendo o jornal do dia. Uma senhora calmamente sobe os estribos, sem nenhuma preocupação. O bonde "Águas Férreas", de número de registro 108, cujo trajeto, na década de 50, era Tabuleiro da Baiana, Senador Dantas, Luis de Vasconcelos, Mestre Valentim, Augusto Severo, Largo da Glória, Catete, Pedro Américo, Bento Lisboa, Largo do Machado, Laranjeiras, Cosme Velho, tinha duas tabuletas na frente: uma com o itinerário "Via Cattete, Laranjeiras, Cosme Velho". A outra, com um anúncio onde está escrito "TENNIS", que se tratava de um anúncio de cigarros da Cia. Souza Cruz. O maço custava 200 réis.


FOTO 10O bonde nº 2502, da linha 3, Tabuleiro da Baiana-Águas Férreas, sobe a Rua Cosme Velho em direção ao seu ponto final. Ao fundo vemos as obras do Colégio São Vicente de Paulo. Era o bonde ideal para quem queria pegar o trenzinho para o Corcovado. 


quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

ONDE É?


Aos que se lembrarem destas fotos em publicações antigas peço que apenas assinalem que se lembram da identificação e deixem os outros darem seus palpites. Obrigado.


 FOTO 1


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domingo, 10 de dezembro de 2023

CARRINHOS DE BEBÊ

Em 1733, a pedido de um nobre inglês, o arquiteto William Kent projetou um carrinho de bebê. Construiu um cesto em forma de concha sobre rodas que as crianças pudessem sentar dentro, o carrinho era concebido para ser puxado por um cão ou por um pequeno pônei.

Em 1840, o carrinho de bebê tornou-se extremamente popular. Em 1889, William H. Richardson patenteou um carrinho de bebê reversível, permitindo que o bebê ficasse de frente para os pais durante o passeio, entre outras mudanças.

Até o início do século XX, estes carrinhos eram usados apenas por famílias ricas. Na década de 1920, os carrinhos começaram a ser produzidos em escala industrial, tornando-os acessíveis para grande parte da população. Em 1965, Owen MacLaren, engenheiro aeronáutico aposentado, criou o primeiro carrinho desmontável com estrutura de alumínio e capota retrátil. 

No Brasil, em Limeira-SP, o italiano Luigino Burigotto fundou uma fábrica de carrinhos para bebês que se tornou referência no mercado nacional. Tendo chegado em 1949, aos 25 anos, com formação de mecânico, ferramenteiro e desenhista, dedicou-se a uma área que recebia pouca atenção no Brasil: o desenvolvimento de carrinhos para bebês.

 

E fez grande sucesso.


FOTO 1:A foto é de 1951, em Ipanema. As opções são Jardim de Alá ou Praça N.S. da Paz. Aparentemente a irmã menor reclama veementemente da “invasão” dos irmãos ao "seu" carrinho.


FOTO 2: Foto da Rua Raul Pompéia, perto da Rua Júlio de Castilhos, em Copacabana, em 1958. Foi publicada originalmente no “Saudades do Rio” em 27/06/2005 (lá se vão 18 anos) e é do acervo do meu amigo Fernando Soares Leite. Circula muito na Internet sem os devidos créditos.

O movimento mínimo de carros é devido a não existência do túnel que ligaria a Rua Barata Ribeiro à Rua Raul Pompéia.  Após a abertura do túnel, por volta de 1960, perderam-se as largas calçadas e este tipo de arborização, além de todo o trânsito de Copacabana para Ipanema passar pela Rua Raul Pompéia.

Notar os elegantes e comportadíssimos uniformes escolares e os diversos tipos de carrinhos de bebê. O uniforme da direita, com chapéu de palha e colarinho duro era do Colégio São Paulo. Os dois do centro eram do Colégio Sion. E o da esquerda? Do Externato Atlântico? 


FOTO 3: Podemos notar o estilo do carrinho de bebê, provavelmente importado, típico dos anos 50. Este modelo tinha uma "mala" sob o acolchoado do bebê, que servia para guardar as mamadeiras, fraldas de pano e outros utensílios. A orgulhosa mamãe usa um modelo de maiô bastante discreto.  

O local é a Avenida Atlântica na altura da Rua República do Peru e o restaurante com toldo que aparece ali adiante é o Bolero, salvo engano. Nossos especialistas identificarão os automóveis.


FOTO 4:A foto é de 1958, quando se refazia a pavimentação da Av. Atlântica. A esquina é a da Rua Siqueira Campos. A condutora do carrinho aproveitou a interdição para um bom passeio com o bebê.

Segundo obiscoitomolhado, atrás do rolo compressor está um Mopar dos anos 46-48. 

FOTO 5:Também na Tijuca vemos um luxuoso carrinho de bebê na Rua Conde de Bonfim, perto da Rua Aguiar.


FOTO 6:Um carrinho de bebê bem simples sendo empurrado pela ponte que une a Prudente de Morais à San Martin. Esta ponte foi inaugurada em 1958.

Destaque na foto é aquele prédio, à direita, ao fundo, na esquina da Rua Almte. Pereira Guimarães. Continua lá, firme e forte.

Já o Jardim de Alá, também continua lá, mas bastante abandonado. Recentemente foi feita uma concessão para remodelação do espaço, mas o projeto vem gerando muitas discussões.

FOTO 7Esta fotografia, do acervo do Renato Libeck, mostra um aspecto da Avenida Atlântica nos anos 50, com a varanda do hotel Miramar ali atrás. Como era estreita a antiga calçada de Copacabana. Hoje em dia, com o aumento da população, seria totalmente inviável.

Se a jovem senhora em primeiro plano for a mãe do bebê há que se louvar sua recuperação física da gestação.

Vemos um Chevrolet 51 preto o carro em destaque. Do lado direito dele, um Ford 1951 e à frente, um Cadillac. Mais à frente um pretinho que lembra um Hillmann e, vindo, um caminhão Chevrolet.


terça-feira, 5 de dezembro de 2023

PRAIA DO FLAMENGO



Reportagem deste final de semana prevê que a Praia do Flamengo, dada à situação atual de limpeza da água, será um dos grandes sucessos do verão 2023/2024.

Será mesmo?

As fotos são da década de 50, quando havia um bom número de frequentadores desta praia.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

BONDE GÁVEA

O tema de hoje é o bonde “Gávea”, da linha 10.  Segundo o Helio, o trajeto era: Tabuleiro da Baiana – Senador Dantas - Luís de Vasconcelos - Augusto Severo – Largo da Glória - Russel – Praia do Flamengo - Machado de Assis - Catete – Marquês de Abrantes – Praia de Botafogo – São Clemente - Humaitá - Jardim Botânico - Marquês de São Vicente, até o nº 438.

FOTO 1: Vemos o projeto para a construção da “Estação da Olaria”. na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, construída em meados da década de 1870.

Segundo Dunlop, esta linha levou quinze anos para ser construída: o primeiro trecho, da Rua Gonçalves Dias (esquina de Rua do Ouvidor) ao Largo do Machado, foi inaugurado em 9 de outubro de 1868.

O segundo trecho, até ao fim da Rua Marquês de Abrantes, ficou pronto em 21 de novembro e o terceiro trecho, até o começo da Rua de São Joaquim (atual Voluntários da Pátria), ficou pronto em 19 de dezembro de 1868.

Por não estar ainda aberta e concluída esta rua, somente em janeiro de 1871 pôde ser ultimado o trecho até ao portão do Jardim Botânico.
Pouco depois a linha atingia o Largo das Três Vendas, no começo da Rua Marquês de São Vicente, e, em 17 de janeiro de 1874, chegava à estação da Olaria, no número 224 desta rua. E somente em 1883 a linha Gávea chegou a seu final, na Ponte da Rainha, no final da Marquês de São Vicente,
atual Praça Augusto de Lima.

Só em 1894, foi inaugurada uma linha elétrica para bondes na Gávea que ia do Centro, até a Estação de Bonde de Olaria, no alto da Marquês de São Vicente.

Em 1908 o “Correio da Manhã” noticiava que o Cia. Jardim Botânico efetuou à sua custa e sem obrigação contratual o calçamento desde a “Piassava” (fronteira do Humaitá com o Jardim Botânico) até Rua Marquês de São Vicente e desta à estação da “Olaria” até o final da linha.

FOTO 2:Esta fotografia mostra a antiga estação da Olaria. O prédio sobreviveu por muito tempo, tendo sido transformado em fábrica de móveis e oficina de decoração na primeira metade do século XX. Ficava em frente à PUC, na altura da Rua Duque Estrada. Em seu lugar foi construído um prédio de apartamentos.


FOTO 3:Vemos a estreita e deserta Rua Jardim Botânico no final do século XIX. Um local belíssimo. Impressionante este legado de D. João VI para a cidade. As linhas do bonde mostram a preocupação com a infraestrutura em regiões ainda por serem habitadas.

À direita o poste de um combustor, modelo inglês, do mais simples possível desaparecido na cidade nos anos 20, pois não foi convertido para luz elétrica como ocorreu com o francês, que é inclusive mais ornamentado.

Este aspecto da Rua Jardim Botânico foi obtido após as obras para a sua retificação no final do século XIX, por volta de 1880. Anteriormente a Rua Jardim Botânico ficava à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. Anos mais tarde, outros grandes aterros seriam feitos, como o do Jockey Club, e a rua seria ampliada. Por esses trilhos passava o bonde “Gávea”.


FOTO 4:Na última década do século XIX experimentou-se nessa linha o "Expresso da Gávea", que nada mais era que um bonde comum que saía da cidade às 16 horas e, "a toda velocidade", se dirigia para a Ponte de Táboas, parando somente no Largo do Machado e na estação do Largo dos Leões para uma rápida mudança na parelha de muares.

Gritava o cocheiro: “Expresso da Gávea! Este bonde não para!”

Levava uma hora e meia para ir do Centro da Cidade até a Ponte de Táboas. Daí em diante virava "subúrbio" e ia parando à vontade dos passageiros.

Em agosto de 1900, “atendendo a solicitações de distintas famílias e cavalheiros”, trafegaram nessa linha os primeiros bondes de luxo, para levar e trazer os frequentadores do Teatro Lírico, segundo Dunlop.

Estes carros eram mais confortáveis, tendo os assentos e encostos cobertos por capas de brim branco e assoalho atapetado. Mais caros que os comuns, obedeciam, na ida, a horário certo, dependendo a volta da hora em que terminasse o espetáculo.


FOTO 5Nesta foto garimpada pelo Nickolas vemos um bonde, apinhado de gente, trafegando pela Rua Jardim Botânico na década de 50. Parece estar na altura de onde hoje funciona o restaurante Rubayat, nas dependências do Jockey Clube.

Pelo aspecto o dia deveria ser de greve dos ônibus e lotações, deixando o povo sem outra alternativa de transporte, pois habitualmente esta linha não tinha este volume de passageiros. Que o digam meus amigos de colégio (Otacilio Resende, Nelson Parente, João Botafogo, Marcio Pontes, Raymundo Bello, passageiros diários deste bonde).

A linha poderia ser a 7-Jóquei Club ou a 10-Gávea ou ainda a 11-Jardim-Leblon.

Um caso curioso ocorreu anos antes desta foto, narrado por Dunlop: em 20/03/1906 a Cia. Jardim Botânico foi notificada pela Prefeitura no sentido de reduzir para 60 minutos o tempo da viagem entre o Largo da Carioca e a Gávea.

A Cia. ponderou que era impossível fazer o percurso em tão pouco tempo, a menos que fizesse imprimir grande velocidade aos carros, do que poderiam resultar atropelos de toda ordem e reclamações dos passageiros por não poderem entrar ou saltar com a devida calma e segurança.

Além, mesmo que fosse possível reduzir a duração da viagem da Gávea, não poderiam os carros desta linha avançar, tendo à frente os de outras linhas na Praia de Botafogo e no Largo dos Leões.

A Prefeitura não aceitou a ponderação e a Cia. voltou a se justificar dizendo que conseguiu executar a viagem em 57 minutos, porém só no período entre 22 horas e 4 horas da manhã, exatamente porque nessas horas a movimentação era muito menor, não sendo perdido muito tempo nas paradas.

Não obstante, o recurso foi novamente indeferido.

Dunlop não conseguiu apurar como terminou a questão, mas ressalva que o interessante era que o tempo anterior, que justificou tanta celeuma, era de 63 minutos para cada viagem...

FOTO 6:Vemos o bonde Gávea, mas não está nítido o número de ordem, mas é algo parecido com 1964. O Ford é no máximo 1948 e o caminhão Chevrolet é de 1946. Talvez o bonde esteja na região do Passeio Público, vindo da Rua Augusto Severo.

FOTO 7Bonde 10, Gávea, nº 1897. Propaganda do cigarro Lirio, passando pelo portão do Passeio Público. Colorização do Nickolas Nogueira. 


FOTO 8Foto colorizada pelo Nickolas Nogueira. Vemos o bonde "Gávea" trafegando tranquilamente pelo bairro de Botafogo, levando os passageiros para o Centro. Parece que a vida passava mais devagar naquela época. À esquerda, um automóvel da primeira metade do século XX e, à direita, um infatigável burrico em sua faina diária. Como eram bonitos os casarões de Botafogo. Num deles podemos ver as letras "GARA.... E FI.....". Seria “Garagem e Oficina” ou "Garagem de fiacres"?


FOTO 9Esta bela colorização da Christiane Wittel sobre foto de Malta, do acervo do IMS, publicada pelo A.J. Caldas, mostra um bonde “Gávea” na Praia de Botafogo no início do século XX. 

O local exato é Praia de Botafogo na altura da Rua Marquês de Abrantes, em 1910. Se não me engano, o Helio escreveu que o modelo do bonde é o tipo Narragansett, de 13 bancos e lotação de 65 passageiros sentados.

Além de apreciar a beleza da foto fiquei curioso com o que teria acontecido com o homem de terno branco e gorro. Todos olham para ele: será que tinha pisado num cocô de cachorro? Ou teria, por acaso, sido atropelado pelo bonde? Ou teria caído ao tentar saltar do bonde andando? O puxador do burro-sem-rabo, ao lado do condutor e do fiscal, parece tentar ajudar a "vítima".

FOTO 10Bonde “Gávea”, foto do "Correio da Manhã", em frente à Gaiola de Ouro. Segundo obiscoitomolhado, o táxi é um Mercury Eight, 47-48 e o branquinho é um Vauxhall, de 54 em diante. Comprovar o Vauxhall foi difícil porque a literatura é escassa, mas aquele corte sob a porta dianteira, só os Vauxhall têm. Deve ser para botar o macaco. Quanto ao ano, apenas em 54 saíram aquelas calotas e o friso contínuo.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

BABÁS

Nestes tempos de polarização, politicamente correto, de se ver chifre em cabeça de cavalo, até as babás são motivo de discussão por conta do uso de uniforme.

Cinco argumentos sobre o assunto pinçados da Internet:

Qual o problema de usar uma roupa branca? Isso não me faz pior do que ninguém. Pelo contrário, ganho melhor que muita gente que trabalha em escritório com ar-condicionado.

O uniforme é uma forma dos patrões usarem os funcionários como objeto de ostentação e poder. É como se ele estivesse dizendo para as outras pessoas: “Olhem, eu posso pagar uma funcionária e mandar nela”.

Desde o momento que a gente trabalha e tem uniforme, a gente tem de usar. Tem casas que não pedem, outras precisam. Eu acho até melhor porque preserva mais as nossas roupas. E tudo eles que dão. Eles dão sapato, calça, bermuda, blusa.

O dia em que uma criança filha de rico sonhar em ser babá ou empregada doméstica, a gente conversa sobre se é um emprego como qualquer outro.

Existe um 'dress code' para diversas profissões: médico, enfermeiro, porteiro, dentista, policial, bombeiro, advogados etc. E por qual razão as babás, com sua profissão regulamentada, não podem usar branco, traduzindo paz e assepsia ao cuidar de uma criança? Este argumento de discriminação é inaceitável e preconceituoso.


FOTO 1: Eu tive uma babá e gostava muito dela. Chegou lá em casa dois anos antes de mim. Queridíssima por todos, ficou junto de minha mãe por mais de 60 anos, nos últimos tempos como duas amigas.

Acompanhou-me a vida toda, a meus irmãos e amigos. Sempre fui Luiz para ela, mas meus amigos, quando se formaram, passaram a ser chamados de “doutor” por ela. 

Adorava meus filhos. Quando minha filha se casou não quis ir ao casamento porque disse que ficaria muito emocionada, mas fez questão de ser ela quem colocasse o vestido na noiva. 

No final da vida, resolveu morar com a sobrinha. Mantivemos uma ajuda de custo mensal para ajudá-la.

Uma figura humana inesquecível.

FOTO 2Foto de 1945. Vemos meu irmão com uma babá que não conheci. Ao fundo está o Edifício Guarujá, na Rua Constante Ramos. Esta semana aquela senhora sob a barraca fará 101 anos. Parabéns!


FOTO 3Esta foto é do acervo do amigo Roberto, o rockrj. Vemos a irmã dele com a babá na Praia de Copacabana, perto da Rua Xavier da Silveira, em 1946.

Curiosamente, achei as babás parecidas.

FOTO 4Babás e crianças nos brinquedos da praça. Curioso observar como havia poucos aparelhos de ar condicionado nos prédios ao fundo. Que praça é esta? Acho que é a Antero de Quental no Leblon.


FOTO 5Um monte de babás e crianças na Praça Edmundo Bittencourt, no Bairro Peixoto. Era um lugar muito tranquilo, tendo naquela época, em seu entorno, casas construídas na década de 40 e prédios com apartamentos no térreo, sem elevador, na década de 50. Mais adiante, no final desta década, os prédios com pilotis no térreo, com revestimento como pastilhas e painéis em mosaico na portaria.

Era uma pracinha típica da época, onde as crianças brincavam livremente nos brinquedos (rema-rema, gangorra, balanço e escorrega), compravam sorvete na carrocinha da Kibon, pipoca e algodão doce. Buracos eram cavados no chão de terra para o jogo de bola de gude. A “pelada” de futebol, com todos os pequenos correndo desesperadamente atrás da bola, sem nenhum senso tático, era obrigatória.

Havia muitos grupos de bambus espalhados pela praça, onde era possível se esconder nas brincadeiras de “mocinhos” contra índios e bandidos.

Houve uma época que no lado da Rua Anita Garibaldi havia cavalos para alugar, além de charrete e carrinhos puxados por bodes. Era tão tranquilo que não havia perigo em dar uma volta na praça ou mesmo fazer um passeio longo a cavalo, subindo pela Rua Decio Vilares e descendo pela Rua Maestro Francisco Braga. 

Tempos depois, onde anteriormente ficavam os cavalos, existiu o ponto final de uma linha de ônibus elétrico.


FOTO 6A foto é da Praça General Osório, em Ipanema. Babás, crianças e fotógrafos lambe-lambe perto do Chafariz das Saracuras. Este chafariz foi para esta praça por volta de 1914. Obra de Mestre Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813), foi instalado em 1791 no pátio interno do Convento da Ajuda, no Centro, e dali removido quando da demolição do dito convento em outubro de 1911.

Durante as últimas décadas o chafariz foi vandalizado muitas vezes, sendo reparado e recolocado no lugar.  As saracuras, tal como os óculos de Drummond, vão e voltam ao sabor dos vândalos.


FOTO 7A foto, do Arquivo Nacional, mostra a região do Posto 6 em 1959. Estas árvores na areia chamam a atenção, pois não estão nos seus melhores dias. Até quando sobreviveram?

Vendo a foto fico com a impressão que esta babá devia ser rigorosíssima.

Outro dia li uma reportagem sobre a diferença da educação francesa para a educação americana.

Na francesa as crianças seriam tratadas como crianças, sendo educadas de uma forma mais rígida, tal como ensinadas a serem educadas, a comer na mesa a mesma comida dos adultos, sem tantos privilégios. De forma resumida, os pais manteriam o próprio modo de vida.

No modo de educar baseado na experiência americana, copiado por aqui, as crianças teriam todas as vontades atendidas, com comida especial para elas, não podendo ser contrariadas. Seriam os "reizinhos" e "rainhazinhas" da casa, quase que transformando os pais em escravos da vontade delas. Seriam mal-educadas, cheias de direitos e rebeldes à boa educação.

Não seriam os atuais pais brasileiros por demasiado complacentes com as exigências dos filhos?


segunda-feira, 27 de novembro de 2023

CORPO DE BOMBEIROS


FOTO 1: Como conta Dunlop, até 1856 não havia no Rio serviço organizado de combate ao fogo. Os incêndios eram extintos da maneira mais rudimentar possível, com voluntários em fila, baldes de água passando de mão em mão, toscas escadas para retirar moradores de prédios mais altos.

No ano de 1856 foi criado o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte.

Os avisos de incêndio eram dados por três tiros de peça de artilharia de grosso calibre, disparados do alto do Morro do Castelo, com intervalos de cinco minutos.

Para indicar a Freguesia onde lavrava o fogo, o sino grande da igreja de São Francisco de Paula dava badaladas convencionais: um toque (Sacramento), dois toques (São José), três toques (Candelária), quatro toques (Santa Rita), cinco toques (Santana), seis toques (Engenho Velho), sete toques (Santo Antonio), oito toques (Glória), nove toques (Lagoa). Também o sino maior da freguesia onde havia o fogo repetia o toque de incêndio de minuto em minuto.

FOTO 2: Postal da coleção de Klerman W. Lopes.Vemos a torre de exercícios do Quartel Central do Corpo de Bombeiros, na Praça da República.

O lema do Corpo de Bombeiros é "Vidas alheias e riquezas salvar”.

FOTO 3: Postal da coleção de Klerman W. Lopes. A fachada posterior do quartel dá para a Rua do Senado.


FOTO 4: Postal da coleção de Klerman W. Lopes. Foto de Malta.

A instituição, que viria a ser o 1º Corpo de Bombeiros do Brasil, foi criada pelo Imperador Dom Pedro II, através do Decreto nº1775, de 02 de julho de 1856, ainda na época do Brasil Império.



FOTO 5Foto de Malta, do início do século XX, mostrando o quarteirão da Praça da República onde fica o Quartel Central do Corpo de Bombeiros. O bonde "Barcas", com seu reboque, passa tranquilamente pela Rua Visconde de Rio Branco em direção à Praça XV. 

Renovado, melhorado e ampliado, o quartel foi inaugurado pelo Presidente da República, Dr. Afonso Augusto Moreira Pena, que foi recebido pelo Coronel-Comandante Feliciano Benjamin de Souza Aguiar. 

Podemos observar no centro da foto o prédio da antiga Beneficência Italiana, que ainda permanece de pé, ao lado existia um prédio em estilo colonial, muito bonito que foi demolido no início dos anos 60 (61 ou 62), onde hoje funciona um estacionamento do CBERJ. 

É bem interessante visitar o Quartel Central, não só pela bela construção em si, como pelo acervo, com fotos, história e carros de socorro da época.

FOTO 6Quartel de Bombeiros do Humaitá em 1910. Esta bela foto, enviada pelo Francisco Patricio, mostra uma região que ainda mantém muito de suas características de décadas passadas. Este quartel não mudou praticamente nada e é tombado. Acho que aquela casa lá em cima do morro também existe até hoje.

Já imaginaram, mesmo com o esforço de Lulu&Dudu, o quanto devia demorar até essas carroças chegarem ao local do incêndio?

Consta que a residência no alto do morro que se vê ao fundo é o Castelinho, antiga residência da família Barcelos. Dona Odete Barcelos a proprietária, era pintora e mantinha um atelier na parte baixa da encosta, na subida pela Rua Maria Eugênia ( em frente onde hoje é a entrada principal da Casa de Espanha). A este estúdio acorriam os escultores e pintores da época, estudantes interessados no convívio com os mestres e amigos. 

O espaço também era destinado ao incentivo de outras artes, como o balé, por exemplo. Era chamado de "Escolinha da Dona Odete". Anos depois, já nas mãos dos herdeiros de Dona Odete, o espaço continuou a exercer sua função cultural, alí eram dadas aulas de Tae Kwon Do na década de 90, entre outras atividades.

FOTO 7O Quartel da Tijuca, em foto enviada pelo Carlos Paiva. A esquina ao fundo é da Rua José Higino, quase esquina com Avenida Maracanã. À esquerda, fora da foto, junto ao muro, ficava a antiga 19ª Delegacia Policial (o Joel poderá confirmar).

FOTO 8Vemos uma imagem do hoje desaparecido quartel da Primeira Zona do Corpo de Bombeiros, no Cais do Porto.

Construída conjuntamente com as obras do Porto do Rio ela ficava instalada estrategicamente entre os dois pedaços do porto, ao lado do Gasômetro, junto aos estaleiros do Caju e defronte às pequenas ilhas da baia, que desde cedo começaram a virar depósitos de carvão e logo depois líquidos inflamáveis.

O quartel todo em estrutura metálica, técnica em voga no final do séc. XIX e primeiros anos do XX, tinha diversos elementos construtivos em comum a outras duas antigas unidades da cidade, o Quartel Central e o Quartel do Humaitá, notadamente os pilares que levantam a parte de alvenaria do local destinado as viaturas de combate à incêndio.


FOTO 9: Como esta foto deixou dúvidas, mais informações foram conseguidas através de troca de e-mails com o Sr. Abílio Afonso da Águeda, então responsável pelo Museu Histórico CBMERJ. 

Vejam a resposta do Sr. Abílio, no melhor estilo "General Miranda":

"Fico feliz pelo Museu Histórico poder ajudar na relevante contribuição das atividades dos fotologs no sentido de preservar e divulgar a memória de nossa cidade através de imagens antigas. 

Além do aspecto da memória visual, acho extremamente importante os comentários dos participantes sobre o contexto histórico e cultural dessas imagens, revelando informações, detalhes e curiosidades que muitas vezes se desdobram para além do conteúdo imagético fotografado". 


FOTO 10Seguem abaixo as referências das fontes das fotografias 8 a 10: - "cais do porto fachada" e "cais do porto 01": Manual do Bombeiro de 1930.  Revista Avante Bombeiro de julho de 1954, que aborda a maior tragédia do Corpo de Bombeiros, sobre a morte de 17 bombeiros do Quartel do Cais do Porto durante uma explosão que ocorreu na Ilha do Braço Forte em maio de 1954. 
 Abraços. 
Abílio Afonso da Águeda - Museólogo" 



FOTO 11: foto do Corpo de Bombeiros da Ilha do Governador. Área do Professor Jaime Moraes que, se aparecer por aqui, dará uma aula completa sobre este local.



FOTO 12Foto encaminhada pelo GMA.

Em 1918, D. Rosa Leopoldina Guimarães doa um terreno situado entre as antigas ruas Guimarães Caipora, atual Bolívar, e Furquim Werneck, atual Xavier da Silveira, destinando-a à construção de uma estação para o Corpo de Bombeiros.

Em 04 de março de 1920, foi inaugurado em Copacabana o Quartel do Corpo de Bombeiros, com a primeira designação de posto 11 – Copacabana, que, após, passou à denominação de Destacamento 04 – Copacabana.

 Em 1926 foi inaugurada a Praça Eugênio Jardim, situada em frente ao Quartel de Copacabana. O nome da praça é uma homenagem póstuma ao Major Bombeiro Militar Eugênio Rodrigues de Morais Jardim, ex-Comandante do Corpo de Bombeiros.

Situado na Rua Xavier da Silveira, 120 – Copacabana, os bombeiros deste quartel participaram de episódios relevantes tais como: “Os 18 do Forte”, em 1922, incêndio do prédio da Boate Vogue, em 1955, deslizamentos e desabamentos provocados pela enchente de 1966, incêndio no Centro de Convenções do Hotel Nacional, em 1977, deslizamentos no Morro do Pavão-Pavãozinho em 1983.

Ao longo destes anos, a arquitetura do quartel se mantém preservada em suas características. 

FOTO 13Nesta foto da Escola de Aviação Militar, de 1934, dá para ver um pedaço do "Caminho do Caniço" ainda aberto. É anterior à abertura do Corte do Cantagalo.

A seta vermelha assinala o prédio do Corpo de Bombeiros de Copacabana. 


FOTO 14: Em foto de 1966 vemos o prédio do Corpo de Bombeiros de Copacabana.

Se a tia Lu aparecer por aqui ela poderá explicar o que aconteceu quando estacionou o carro na Praça Eugenio Jardim, como o fusca à direita, esqueceu de deixar engrenado e de puxar o freio de mão: adianto que, por incrível sorte, em determinado momento, o carro desceu de ré, atravessou a rua sem bater em nada e parou na calçada oposta...


FOTO 15 Vemos o Pavilhão dos Bombeiros na Expo de 1908 na Praia Vermelha.


FOTO 16  Fotografia da Praça São Salvador tomada a partir da Rua Esteves Júnior. À esquerda, o antigo prédio do Corpo de Bombeiros.


FOTO 17  Cartão Postal da Expo de 1908.

FOTOS FINAIS (CARROS ANTIGOS DE BOMBEIROS)