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sexta-feira, 31 de maio de 2019

MERCADINHO SÃO JOSÉ

 
Em foto de 1959 vemos o Mercadinho São José, que fica na Rua das Laranjeiras nº 90.
O Mercadinho São José em Laranjeiras foi inaugurado há exatos 75 anos, em 31/05/1944. Antiga senzala e celeiro de uma fazenda o local teve suas baias adaptadas para boxes, quando Getúlio Vargas decidiu transformá-lo em um mercado de hortifrutigranjeiros para abastecer a população com produtos mais baratos durante a guerra.
Foi inaugurado pelo comandante Amaral Peixoto. O  sistema de educação alimentar, já em uso nos mercados de Santo Antonio e São Cristóvão, foi  implementado no novo mercado de modo a orientar a população no modo mais racional de aproveitar os alimentos, difundindo noções práticas e ensinamentos úteis que contribuiriam para o desenvolvimento de hábitos alimentares higiênicos, dizia o "Correio da Manhã" daquele dia.
Foi abandonado na década de 60, foi revitalizado e transformado em centro cultural no ano de 1988. Funcionou durante algum tempo como uma "Cobal em miniatura", ocupado por uma série de bares, com várias especialidades (tem crepe, árabe, pizza, etc.) e andou bem movimentado no início deste século. 
Seu tombamento definitivo ocorreu em 1994, após longa batalha judicial, em que os moradores saíram vencedores.
O prezado Francisco Patricio fez uma observação interessante sobre esta foto: "O grande sonho do empregado de um Estabelecimento Comercial era o Balcão... "atender ao balcão" - existia uma relação próxima do cliente (que se relacionavam, igualmente entre si). Hoje em dia, o freguês entra e vai na prateleira buscar o que está querendo. A necessária modernidade, infelizmente, terminou com esta ligação afetiva e as consequências se fizeram sentir. PS: atentem para o esmero no empilhamento das latas!"
A modernidade também acabou com as pilhas de latas, sacos de aniagem e as balanças vermelhas (Filizola?), o papel pardo para embrulho e o rolo de barbante (às vezes pendurado no teto, outras vezes preso no balcão em uma estrutura de ferro onde também ficava o rolo de papel). O lápis na orelha (para fazer contas de cabeça?) e a caderneta dos penduras também desapareceram.
Notícias desta semana dão conta de que o espaço, que está fechado, será revitalizado.

15 comentários:

  1. O Francisco Patríco lembra que "neste "comércio de balcão" (além do indefectível "tareco" dormindo em cima do saco da farinha) as condições de higiene não eram muito apropriadas para os padrões atuais. Isto sem contar com as frequentes "crocodilagens": roubo no peso, puxada na conta, produtos de qualidade duvidosa, etc, etc.
    Me recordo de um episódio que ocorreu pelos idos de 1970: tinha ido com a minha mãe comprar um peixe inteiro de bacalhau em umas mercearias especializadas neste gadídeo que ficavam ali na Rua do Arsenal em Lisboa. Escolhe daqui e dacolá, a idosa mulher selecionou um belo exemplar, mandou o atendente pesar, cortar e, finalmente, fazer um embrulho devidamente amarrado com barbante.
    Ao chegar em casa, desconfiada, Dona Florentina pesou o embrulho e verificou que este estava bem mais leve. Pegamos as postas e montamos o bacalhau por cima da mesa. Bingo! Estava faltando uma parte central do "vascaíno peixe". Pegamos o autocarro e voltamos na mercearia do picareta onde minha progenitora (uma mulher três por quatro) trovejou de modo incontestável:
    - "Ora, diga-me-lá, Sr. Quim-Zé, este peixe era aleijado quando andava no mar?".
    Saímos do local com mais um "fiel amigo" a titulo de compensação ...

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  2. Reparem no banco com leões. De onde terá vindo?

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  3. É, não eram ilações os comentários do passado sobre a falta de higiene dos portugueses. As afirmações de que muitos "roubavam no peso" não eram infundadas. Isso mostra o porque do nosso atraso como sociedade, onde mais vale a prática de levar vantagem do que um padrão de conduta onde a probidade seja a tônica. Papel pardo, barbante, e falta de refrigeração, eram comuns.

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  4. Bom dia, Dr. D'.

    Área fora da minha jurisdição, mas não o tema. O bar de Madureira já tinha sido também mercearia lá pelos anos 60 e 70. Não lembro de ter pego essa fase. Minha mãe lembra da época em que vendiam garrafas de leite em vidro e sempre dava confusão na época de racionamento. Havia um limite para venda que sempre era questionado.

    Por sinal, há exatos 17 anos meu pai nos deixava...

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  5. Sou capaz de apostar que a balança era Filizola,sim.Os supermercados acabaram engolindo este tipo de comercio que eram interessantes e ainda restam os "quilos" uma invenção dos anos 80.

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  6. Bom dia a todos. Acho que só estive neste mercadinho uma vez, do lado de fora estive mais vezes quando desfilava com o bloco Imprensa que Eu Gamo. Vamos aprender com os comentários.

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  7. Bom dia a todos.
    Surpresa para mim.
    Pensava que o Mercado São José fosse muito mais antigo.
    Há pouco tempo, fiquei sabendo que ele encerrou suas atividades e que breve será posto ao chão.
    Roubado nós somos até hoje, com essa prática nefasta de tempos idos.
    Nos dizeres do Luiz há coisas interessantes a ser analizado.
    Realmente, antigamente, como diria Ricardo Amaral: "Era sabido o nome e sobrenome das pessoas". Hoje em dia não mais.
    Ate o período pré-globalizacao ainda havia uma certa relação amistosa entre os donos e os clientes. Sabíamos quem era o dono, tínhamos acesso a eles. Hoje, devido a uma infinidade de coisas, nem sabemos mais quem é o dono. Isso era algo positivo que se foi. Por outro lado, essa herança não somente portuguesa, mas de alguns outros povos também com essa forma de empreendimento e cultura, era algo nocivo. Vide as pilantragens, a falta de higiene, e outras coisas mais.
    Enfim... O mundo gira, o tempo passa, e temos que estar preparados para isso.

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  8. Bom dia,Luiz,pessoal,
    Realmente, o banco é muito "nobre" para estar no mercado...Já que é dito ser o mercado uma antiga senzala, caracteística das fazendas até 1888, provavelmente o banco vem da casa grande, já desaparecida quando da inauguração do mercado.
    Mais ou menos no foco : Até os anos 80, havia tanto a casa grande (com alpendre a toda volta) quanto a senzala (ainda com as grades nas janelas) de uma fazenda próxima à praça Seca, no chamado Mato Alto, onde foi feito um drive-in com duas telas. Como este cinema provocava acidentes - os motoristas olhavam para o filme, e não para o trânsito - acabou fechado.Desmembraram o terreno, parte virou um CIEP, parte um centro esportivo chamado Manuel Tubino e o morro atrás, uma favela.Por esta época, tanto a casa quanto a senzala haviam desaparecido.

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  9. Por coincidência passei por lá ontem. A foto certamente foi tirada no pátio interno, as fachadas para as duas ruas são diferentes. Quanto aos armazéns de "secos e molhados", passava todo dia na porta do Mar e Terra na rua Siqueira Campos. Na Toneleros, junto à esquina, havia uma loja que vendia galinhas (vivas, lógico). Isso no final dos anos 60 começo dos 70. A Siqueira Campos era um enclave do subúrbio na moderna Copacabana, contando inclusive com serrarias.

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    1. Você é modesto nessa qualificação. A região da Siqueira Campos pode ser considerada como "a porta dos fundos" de Copacabana por abrigar antigas vielas e sobrados bastante precários. A existência da ladeira da Tabajaras contribuiu substancialmente para esse quadro. Camelôs em excesso, o "vai e vem" constante dos "ilustres moradores" da vizinhança, e dos usuários do Metrô transformaram o local em "uma corruptela de mercado árabe". Além disso cerca de cinco bingos clandestinos completam esse chorrilho de desordem urbana.

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  10. Observador Atento31 de maio de 2019 12:04

    Está área é frequentada pela tia Nalu e pela dra. Evelyn.

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  11. O Masc está correto, só pode ser o pátio interno, que até as últimas notícias atualmente estaria cheio de mesinhas de bar e assim mesmo ameaçados de despejo por ação do INSS na Justiça. E isso foi em setembro.
    Se o despejo vai melhorar ou piorar o local, não sei dizer.
    A irmã mais nova de minha avó materna morava bem próximo desse mercado, em um dos prédios do outro lado da rua, com cem anos ou próximo disso, pois idade não revelava. Era criança da última vez que estive no apartamento dela, mas lembro dela dizer que gostava de comprar nesse mercado. Era elegante até com os bem penteados cabelos brancos quase cor de prata, característica da família da minha mãe. Foi a primeira-dama das Casas Lealtex depois de casar com o capixaba que abriu essa rede de lojas no Rio, enquanto o irmão dele fez o mesmo no Espírito Santo.

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  12. Do Contra lembra muito bem destes mercadinhos que primavam pela falta de higiene e desonestidade de seus proprietários.Nao raro camundongos e baratas desfilavam junto aos alimentos expostos sem nenhum critério de conservação e refrigeração sem falar de produtos vencidos e procedência duvidosas.As balanças nao conheciam o Imetro e o freguês estava sempre pagando gato por lebre.Latas amassadas e enderrujadas e embalagens que pareciam ter saido da Santa Ceia.Um circo de horrores contra o pobre consumidor de antanho,muito diferente dos hipermercados de hoje.Voce pode ter uma pequena amostra desta epoca dando um pulo la na Cadeg onde a situação lembra estes focos de insalubridade.Ficam aqui relembrando estas porcarias mas eu sou guardião da modernidade.Sou Do Contra.

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    1. Agora eu é que sou Do Contra: A Cadeg nada tem a ver com esse tipo de mercadinho. Apesar de ter sido inaugurado em 1961, suas instalações são arejadas e atendem a todos os padrões da vigilância sanitária. Até o "pé sujo" do primeiro andar é adequado. Eu sempre vou lá comer bolinho de bacalhau e não me arrependo. O único problema que pode ocorrer é desabamento iminente daquela ala onde existem os restaurantes portugueses. Afinal todos tem símbolos e emblemas vascaínos...

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  13. O bar ainda não abriu hoje?

    Tem minion querendo boquinha na prefeitura ou na igreja do bispo...

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