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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

CINE PAISSANDU


O Cine Paissandu, localizado na Rua Senador Vergueiro nº 35-F tinha, originalmente, 742 lugares. Foi inaugurado em 15/12/1960 e funcionou até 15/04/1973.  Na noite de inauguração houve uma sessão beneficente patrocinada pela Sra. Carlos Lacerda, com renda para a Escola Pública do Estado da Guanabara.

Depois se transformou no Studio-Paissandu até 1984, Cinema Paissandu por alguns meses, Paissandu Nostalgia de 1985 a 1988, Cinema Paissandu de 1988 a 1989, Studio Paissandu por 6 meses, e a partir de abril de 1990 passou a se chamar Cinema de Arte Estação Paissandu. Acabou fechando as portas em 2008. Hoje em dia é a Academia Bluefit.

Conforme nos conta A. Gonzaga, em "Palácios & Poeiras", o Cine Paissandu "foi palco dos "filmes-cabeça" dos anos 60, designação que englobava tanto fitas comuns quanto obras com grandes pretensões estéticas, política e/ou sociológicas.

A mística do lugar surgiu em função dos frequentadores e da programação, pois o cinema nada tinha de especial. Criou-se, inclusive, um diferencial de comportamento, com as famosas sessões de meia-noite e os Festivais Brasileiro de Cinema Amador, mais conhecidos como Festivais JB-Mesbla. Virou emblema da geração que queria mudar o país e o mundo". 


O Cine Paissandu apresentava filmes como “O Demônio das Onze Horas”, de Godard, com Belmondo, e “Hiroshima, Mon Amour”, de Alain Resnais, com roteiro de Marguerite Duras.

 Eram famosas as sessões as sextas-feiras e sábados, tarde da noite, quando Godard era idolatrado por “Alphaville” ou “Le petit soldat”, Agnès Varda por “As duas faces da felicidade” ou “Cleo de 5 às 7”, Claude Chabrol por “A espiã de olhos de ouro contra o Dr. Kha”, entre outros.

Havia três tipos básicos de frequentadores do Paissandu: os intelectuais, os pseudo-intelectuais e os que iam porque estava na moda. 


Em promoção do MAM e do JB, “Os melhores de 1966”. Não consegui apurar quais foram os dez, mas entre eles estava “Caçada Humana”, de Arthur Penn, com Marlon Brando e Robert Redford, e "Viridiana", de Resnais.

Era habitual haver sessões especiais promovidas pela Cinemateca do MAM como, por exemplo, “Sabotage”, um clássico de Alfred Hitchcock, produzido em 1936. Nesta mesma sessão, de 07/01/1966, às 22h30, foi exibido o curta-metragem “The Builders”, de Hart Spraguer.


E do baú do Rouen sai esta foto mostrando estudantes em frente ao Cine Paissandu, tendo um belo Puma participando do encontro. Na esquina havia o Bar Cinerama, hoje Garota do Flamengo. Bem ao lado do cinema ficava a lanchonete Oklahoma, onde as discussões pós-filme se estendiam pela madrugada.  A Oklahoma tinha uma das piores pizzas do Rio, mas era a única coisa aberta na região após a meia-noite.

Em 1970, a revista Fatos&Fotos junto com a Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, exibiram no Cine Paissandu os melhores filmes da década. Foram eles: “Persona”, de Bergman, “Viridiana”,de Buñuel, “Blow-Up”, de Antonioni, “2001-Uma odisseia no espaço”, de Kubrick, “O homem que matou o facínora”, de Ford, “O silêncio”, de Bergman, “O evangelho segundo São Mateus”, de Pasolini, “Mouchette, a virgem possuída”, de Bresson, “A guerra acabou”, de Resnais, “Pierrot le fou”, de Godard, “Madre Joana dos Anjos” de Kaeslerowicz, “Playtime”, de Tati, “Acossado”, de Godard, “Deus e o Diabo na terá do sol (Glauber), “O ano passado em Marienbad”, de Resnais, “Hiroshima, meu amor”, de Resnais, “A aventura”, de Antonioni.

Fui a quase todos, uma parte porque me interessava, outra parte (que achei chatíssima) por conta de uma namorada que estudava Psicologia na PUC e me arrastava com ela. Era adepta de Carl Rogers, me fez ler "Tornar-se pessoa", baseado na consideração positiva incondicional, empatia e congruência. Em tempo: a namorada era muito bonitinha.



  • Em cartaz no Cine Paissandu o documentário “Histórias de uma geração”, de Christian Jafas.

  • O Paissandu tinha de diferente, além da programação e clientela, um bar interno, com janelões para a platéia. Perdia em qualidade do som e da imagem, mas era disputadíssimo, pelo simples fato que podia se fumar neste salão anexo. E como se fumava! De tudo. 


  • Depois do filme todos iam para o chope no Bar Cinerama, vizinho ao cinema, ou para a Oklahoma comer pizza, onde ficavam madrugada adentro.

  • Um antigo comentarista do “SDR” escreveu sobre a turma do Paissandu: “Esquerda festiva foi um apelido pejorativo inventado por quem não gostava nadinha nem da esquerda, nem de festas. Aqueles que como eu, eram jovens naquela época, hão de concordar que a alternativa (a direita que não ia a festas) devia ser muito pior."

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  • Baluarte da contracultura durante o regime militar, o cinema formou, nos anos 1960, a Geração Paissandu, rótulo que agrupava jovens cinéfilos e intelectuais de esquerda incapazes de perder os longas de Jean-Luc Godard, Louis Malle, Michelangelo Antonioni, François Truffaut e outros cineastas autorais. Era moda naquela época ser sócio da Cinemateca do MAM e ter assinatura dos "Cahiers du Cinéma".

  • Em 1973, com dificuldades, passou a se chamar Studio Paissandu. A foto é de 1982. No final dos anos 80, tornou-se o Paissandu Nostalgia, que tinha a proposta de exibir clássicos do cinema, e finalmente foi comprado pelo Grupo Estação, passando a se chamar Estação Paissandu. Entre uma e outra fase chegou a deixar de lado o perfil alternativo, o mais marcante quando ainda se chamava "Nostalgia" enquanto exibia filmes atuais.

  • O letreiro acompanhou as mudanças: o painel convencional mostrado passou a ser um letreiro laranja na época do Studio, substituído na época do Nostalgia por um grande painel com os logotipos dos estúdios de Hollywood em neon. Depois ficou sem qualquer painel, em seu lugar foi tomado pelo letreiro do restaurante Oklahoma, no lugar desde 1961, e o que era uma simples lanchonete ampliou seus domínios sobre a calçada. 


  • Cinema Studio-Paissandu exibindo o filme “O Picolino”, de 1935, com Fred Astaire e Ginger Rogers.

  • Vemos a lanchonete Oklahoma e o Lanches Saint-Tropez, junto à entrada do Paissandu. Mais à frente, na esquina, ficava o bar/restaurante Cinerama, onde hoje é a "Garota do Flamengo".  


  • Esta imagem do Google Maps mostra a região atualmente. O Oklahoma avançou sobre a calçada. Ao lado, a Academia de Ginástica Bluefit tomou o lugar do antigo Cine Paissandu.

  • Depois de 48 anos, de 1960 a 2008, o cinema foi o "point" desta região.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

IGREJINHA DE COPACABANA - POSTO 6


A primeira igrejinha do Posto 6, em Copacabana, foi a que ficava onde hoje é o Forte de Copacabana. Com a sua demolição, para a construção do Forte, foi construída, muito tempo depois, uma capela pertinho do Forte, na Rua Francisco Otaviano em frente ao prédio do Cassino Atlântico, depois da TV Rio, que é a que se vê nesta foto de  George Gafner, obtida no site Jornal de Copacabana.

A localização desta igreja que aparece na foto foi um dos maiores equívocos (senão o único sobre Copacabana) do Sr. Dr. Professor Andre Decourt, meu mestre. Num comentário feito há anos ele achava que ficava onde é a atual igreja da Ressurreição. Não deixo nunca de implicar com o caro amigo Andre por causa disso.



Esta igrejinha foi parcialmente inaugurada em outubro de 1954. Foram múltiplos os eventos para arrecadar fundos para a conclusão da igrejinha. Peças de teatro, jantares, espetáculos musicais. Entre eles incluiu-se a “avant-première” do filme “Comandos do Ar”, com James Stewart, que foi fotografado segurando um panfleto da igrejinha, em Hollywood.


Vê-se a grande cruz de madeira trazida do Aterro do Flamengo onde havia sido realizado o Congresso Eucarístico internacional em 1955 (há uma foto desta cruz toda iluminada, mas não consegui achar no meu acervo. Quem a tiver, favor enviar). Do lado esquerdo da foto vemos o altar onde eram realizadas as missas ao ar livre pelo padre Antonio Lemos Barbosa. Do lado direito da foto vemos um pedacinho do QG do 3º Grupo de Artilharia de Costa que lá está até hoje.

Quem visitar o Forte de Copacabana poderá facilmente identificar um grupo de casas que começa no QG e termina na "quadra de esportes" usada hoje como estacionamento. Estas casas ocupam hoje o espaço desta foto. Eram casas de oficiais que serviam no Forte quando ainda era uma guarnição do Exército Brasileiro.

Aos domingos era celebrada a "missa das crianças" às 8h. Depois da missa, dava tempo de sobra para ir ao Metro-Copacabana assistir à sessão especial de Tom & Jerry, às 10 horas, apenas no 1º domingo de cada mês.

Esta capelinha de Copacabana teve sua construção iniciada em 1953 pelo General Osório Alves, comandante da Artilharia da Costa, tendo a pedra fundamental sido lançada em agosto de 1953, quando a igreja recebeu de volta a imagem de N. S. de Copacabana. Ficava na Rua Francisco Otaviano nº 5. Seria a sede da Capelania da Artilharia de Costa da 1ª Região Militar.


Em reportagem do “Correio da Manhã” se pode ler: “A igreja, visível de toda a extensão da Praia de Copacabana, dará um toque de espiritualidade e manterá a lembrança das tradições cristãs. Embora capela militar, dará acesso ao público. Foi construída em terreno militar. Uma missa foi realizada em 08/12/1953, dia da Imaculada Conceição, com a capela em construção.

Para a capela foi trasladada a histórica imagem de N.S. de Copacabana, em cortejo motorizado saindo da Igreja de Santa Cruz dos Militares para o Posto 6.

A devoção a N.S. de Copacabana, originária das regiões andinas, nasceu em antigo templo incásico, em substituição ao culto indígena. A fama dos milagres da “Virgem do Lago”, rapidamente se espalhou pela América e Europa, facilitada a sua devoção no Brasil quando Portugal esteve sob domínio espanhol, de 1580 a 1640.

Diz a tradição que a imagem venerada no Arpoador tenha chegado ao Brasil antes de 1600, sendo certo que a primeira Igrejinha já existia antes de meados do século XVII.

Quando  se construiu o Forte de Copacabana, no governo do Marechal Hermes, foi a secular igreja demolida, sendo a imagem transferida e só em meados do século XX localizada. Encontrava-se no Castelo de São Manuel, em Corrêas, tendo pertencido às famílias Fonseca e Teffé e ultimamente à do Sr. Silverio Ceglia, que gentilmente a cedeu às autoridades, tão logo soube da iniciativa de reconstrução da Igrejinha. A empresa proprietária do Castelo São Manuel cedeu também às autoridades um altar e a pia batismal, que serão colocados no novo templo.

O local da nova Igrejinha será à entrada do Forte, na quadra de basket-ball e ao lado da sede da Artilharia de Costa.”

Em meados dos anos 70 foi transferida, por estar em área militar, para perto de uma escola municipal, na Rua Francisco Otaviano nº 99, onde está hoje a Igreja da Ressurreição.

O Ministério do Exército tinha interesse na mudança de local da Igrejinha, porque esta ficava ao lado do Comando. Houve, então, um acordo: o Ministério cedia à paróquia o terreno onde foi erguida a atual igreja e a paróquia devolvia o terreno onde estava a Igrejinha.


A construção se deu em tempo recorde: iniciada em 1973, foi inaugurada em maio de 1975. O nome da igreja foi escolhido pelo então pároco, D. Eduardo: Ressurreição, marco fundamental da Igreja de Cristo
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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

CINEMA AMERICANO / CINEMA COPACABANA


O Cinema Americano, na Av. N.S. de Copacabana nº 743 (mais tarde nº 801), em frente à Rua Dias da Rocha, com 1215 lugares, foi inaugurado em 18/08/1916. 

Este cinema deu lugar ao Cinema Copacabana em 1953. 

O “Correio da Manhã” noticiou, com certo exagero, a inauguração: “Cinema Americano – talvez o maior da America do Sul, podendo comportar 2000 logares e reunindo ao mesmo tempo todos os preceitos exigidos pela Hygiene merecendo especial menção não existir um só ventilador.Funcionando quasi ao ar livre; a Empresa é brasileira, mas o emprehendimento é americano.” 

É propriedade do Sr. Palmeira. Um dos primeiros filmes exibidos foi “A Falena”, com Lyda Borelli.

Aqui vemos a imagem da fachada do Cinema Americano, obra de Virzi. A arquitetura genial de Antonio Virzi foi injustiçada, tendo sido considerados seus exemplares arquitetônicos como aberrações.

Um dos que criticaram muito seu estilo foi Lucio Costa, que em um artigo datado de 1951, escreveu: "...os “modernismos” a que se filia Virzi são desamparados de qualquer intenção orgânico-estrutural". Em dado momento, chama a obra de Virzi de "modelagem em barro"!”

Pouca coisa da obra de Virzi sobreviveu à sanha demolidora, tal como a Casa Villiot, em Copacabana, e o Palace Villino Silveira, no Flamengo. Foram demolidos, entre outros, o prédio do Elixir Nogueira, o Palacete Schmidt de Vasconcelos, o Palacete Martinelli.

Plateia do Cinema Americano, o mais perto da casa de meus avós. Estaria o velho Dr. D´ devidamente engravatado, como era seu estilo, assistindo ao filme?


Foto do Cinema Copacabana no dia de sua inauguração, em 04/09/1953. O filme de estreia desta fase foi "Luzes da Ribalta", de Charles Chaplin.

A reforma do Cinema Americano, transformando-o em Cinema Copacabana, manteve a arquitetura básica da construção: as saídas continuaram nas laterais, perto das duas bilheterias, as janelas laterais continuaram as mesmas, talvez só com esquadrias trocadas.

Após passar pelo porteiro, entregar a entrada, mostrar a carteira de estudante e recolher aquele panfleto típico do circuito Severiano Ribeiro, estávamos em um salão, com a bombonnière de um lado e, do outro lado, o bebedouro e um telefone público, daqueles de parede. Entrando na sala de exibição por uma das duas portas, tínhamos a plateia e o balcão. As escadas de acesso ao balcão eram de Virzi.  


Nesta foto o filme em cartaz no Cinema Copacabana é “A letra escarlate”, com Demi Moore e Gary Oldman, de meados dos anos 90.

Ficava em frente à Sapataria Polar, que era na esquina da Rua Dias da Rocha. Ao lado do cinema, vê-se na foto a Casa Gebara. Esta loja ocupou o espaço do  Mercadinho Azul. 

Cinema Copabana era o mais perto de minha casa, quando eu era bem jovem. Todos os dias passava por ele. Seja descendo do bonde pouco antes da Dias da Rocha, em frente à Spaghettilandia, ao voltar do colégio, seja passando em frente quando ia para a praia, pela Constante Ramos.

Outra foto do Cinema Copacabana, esta tirada a partir da Rua Dias da Rocha. Esta rua, pouco tempo depois, se tornou uma rua sem saída, para se fazer uma pracinha para os idosos. 

Na realidade tornou o trânsito caótico, pois a rua é estreita, tem estacionamento dos dois lados e as manobras, que já eram difíceis, ficaram impraticáveis devido à abertura de um supermercado Zona Sul e de um Hortifruti.

Além disso, a tal pracinha virou local de reunião, à noite, de todos os catadores de papel e embalagens de Copacabana. Um caos.

O Cinema Copacabana sobreviveu até o início do século XXI, em 2002. O Grupo Severiano Ribeiro, que no final só programava filmes de segunda linha, alegou falta de público, insegurança, etc, tal como fizeram todos com os cinemas de rua. 


A imagem do Google Maps mostra a academia de ginástica que se instalou no antigo prédio dos cinemas Americano e Copacabana.

Dos cinemas de rua de Copacabana, como o Caruso, o Alvorada, o Riviera, o Alaska, o Royal, o Rian, o Copacabana, o Ritz, o Art-Palácio, o Metro, o Flórida, o Condor, o Bruni, o Paris-Palace, o Ricamar, o Danúbio, o Leme, só tinha sobrado o Roxy, que está nos estertores, com obras para ser transformado numa casa de “shows”, embora haja um tentativa de muitos apreciadores do Rio Antigo para que seja tombado. 

Fontes: 

Palácios e Poeiras - Alice Gonzaga

Acervo do Correio da Manhã

Foi um Rio que passou - Decourt

Saudades do Rio blogspot



segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

MERCADINHO DE COPACABANA - BOATE BALALAIKA


Este é o Mercadinho de Copacabana, que ficava na Rua Siqueira Campos, entre N.S. de Copacabana e Barata Ribeiro. Era uma grande loja, com vários boxes que vendiam mercadorias diferentes. Foi inaugurado em 1948, com 25 lojas. Por incrível que pareça, tinha intérpretes estrangeiros e legumes e frutas vindos de avião todos os dias, comprovando a posição líder de Copacabana perante os Estados do país (relato do livro “Copacabana”, da João Fortes).

Além deste, os mais conhecidos eram o Mercadinho Azul (ao lado do Cinema Copacabana e em frente à Rua Dias da Rocha), o Mercadinho Amarelo (entre a Rua Santa Clara e a Rua Figueiredo Magalhães) e o Mercadinho Verde (mais à frente, perto do Lido, todos na Av. N. S. de Copacabana).

Este mercadinho funcionou até o final dos anos 50, quando deu lugar ao Cinema Flórida, Rua Siqueira Campos nº 69/71, de 1959 a 1969 – onde assisti ao fabuloso “Duelo de Titãs” e “Guerra e Paz”.

Na sobreloja funcionou a Boate Balalaika.

Quando foi feito o cinema, a fachada mudou muito, com um grande cartaz na frente, onde era afixado o título do filme.

Quando acabou o cinema, aí surgiu o supermercado “Casas da Banha”, que desde há muito tempo foi substituído pelo “Mundial”, até hoje atrapalhando o trânsito da Siqueira Campos e da Barata Ribeiro (o terreno ocupado é longo, indo até quase o meio do quarteirão, com saída para as duas ruas).


Este era o letreiro do "Restaurante Dançante Balalaika”, que funcionava na sobreloja da Rua Siqueira Campos nº 69, onde também havia um salão de bilhares. 

A edição 22883 de 1967, do “Correio da Manhã”, noticiava: “O antigo “Restaurante Balalaika”, que no início da década de 50 tinha se transformado em boate, passou a ser uma gafieira em 1966, dispondo de 60 mesas. As damas não podem entrar de calça comprida, nem de minissaia; nada pagam. Quanto aos cavalheiros, a estes é permitido o traje esporte. A “Balalaika” funciona às 4as., 6as., sábados e domingos, no horário das 23h às 4h. Ali trabalham 4 fiscais de salão, 3 porteiros, um bilheteiro e 5 garçons.


Foto do acervo do Tumminelli, do ano de 1952, em frente à entrada da boate. Não consta a identificação desta pessoa na publicação original.

Segundo um comentarista do fotolog “Carioca da Gema”, “A boate Balalaika ficava bem no coração de Copacabana, na Siqueira Campos, e era uma boate/inferninho. 

Segunda consta, o proprietário era um detetive do então Departamento Federal de Segurança Pública. Além de proprietário, acumulava os cargos de leão-de-chácara e espancador-chefe. A frequência não era das melhores. 

Houve uma época que havia uma pista de dança onde moças dançavam com fregueses. Cada 2 minutos de dança valia um furinho num cartão e 3 cruzeiros no bolso do Rocha. A comida não era das melhores e a bebida “batizada”."

A “Balalaika” aparecia com frequência na crônica policial do “Correio da Manhã”, por conta de agressões entre seus frequentadores. Na edição de 31/08/1952 se noticiava que "o delegado Cícero B. de Melo, titular da Delegacia de Costumes e Diversões, iniciando sua prometida campanha contra a imoralidade observada em boates desta capital, tinha, em primeiro plano, a “Balalaika”, cujo ambiente sempre carregado e duvidoso, oferece motivos de inúmeras queixas de moradores adjacentes."

Já na edição de 10/12/1952, o Juiz de Menores, Waldyr de Abreu, autuou a “Balalaika”, na pessoa de seu gerente Waldemar Medeiros, em virtude de infração do Código de Menores.

A notícia mais curiosa saiu na edição do “Correio da Manhã” de 23/06/1957: “O pastor Pauli Kantanen, da Igreja dos Marujos Escandinavos”, decidiu dar uma incerta e fazer um reconhecimento dos locais ondes seus patrícios habitualmente se divertiam, indo dar com os costados na “Balalaika”, espelunca da Rua Siqueira Campos, em Copacabana.

Os estudos do pastor se prolongaram pela madrugada, envolvendo entrevistas com o elemento feminino do local e o exame das bebidas espirituosas servidas. O diabo foi que na hora da “dolorosa” o pastor descobriu uma diferença de quatrocentos cruzeiros a favor da casa. Discute daqui, discute dali, a incerta terminou em grossa pancadaria, amanhecendo o santo e zeloso homem aos cuidados do delegado Hermes Machado, do 2º Distrito”.

Quem conhecia um “maitre” de lá é o Prof. Jaime Moraes. O “maitre” era vizinho de uma tia dele, que morava na Rua João Torquato, em Bonsucesso.

Um artista que fez sucesso com “shows” na “Balalaika” foi Benito de Paula.

Copacabana, durante muito tempo, se notabilizou por seus "inferninhos". Quem poderia comentar isto seria o Conde di Lido, mas anda longe, desfrutando da "merreca" da aposentadoria dele, como conta o Menezes.

 

sábado, 28 de janeiro de 2023

DO FUNDO DO BAÚ - BRINQUEDOS

 

BRINQUEDOS, por Helio Ribeiro

Hoje vamos voltar no tempo e relembrar alguns das dezenas de brinquedos existentes na nossa infância. Como a maioria dos visitantes do SDR é do sexo masculino, a predominância de brinquedos será referente a esse sexo ou àqueles que podiam ser usados indistintamente por meninos ou meninas. Apenas um ou outro se refere exclusivamente a meninas. Também não vou colocar fotos de carrinhos de brinquedo, dada a imensa variedade deles. Eram os meus preferidos.

Lembrando que na nossa infância dispúnhamos de espaço para os folguedos, fosse por morarmos em casas com quintal, fosse por podermos brincar na rua ou, eventualmente, em alguma praça próxima. Muitos dos brinquedos antigos não poderiam ser usados atualmente, eis que a moradia padrão é um "apertamento" e é totalmente proibitivo brincar na rua, seja por causa do trânsito, seja por falta absoluta de segurança.

Antes que alguém reclame, esclareço que esta postagem é só sobre brinquedos passíveis de serem usados por uma criança isoladamente.

Voltemos agora ao passado. Peço desculpas pelo tom pessoal que costumo sempre dar a meus relatos.

 1) Rema-rema

Era um dos meus favoritos. Para quem não o teve, funcionava assim: a criança colocava os pés na barra das rodas dianteiras, as mãos na barra de madeira (na foto) e empurrando e puxando essa barra o rema-rema se movia. Os pés eram usados para mudar a direção do movimento, bastando empurrar com um deles a barra dianteira das rodas. Era um bom exercício. 

Luiz: na foto abaixo vemos o Marco Yparraguirre, antigo comentarista do "Saudades do Rio", no seu rema-rema.


2) Velocípede e tico-tico


Também eram meus favoritos. O tico-tico se destinava a crianças pequenas e o velocípede a um pouco maiores, dadas as dimensões dos brinquedos. Além disso o velocípede costumava ter uma plataforma entre as rodas traseiras, de modo que dava para transportar outra criança ali, a título de carona. Muitas vezes as crianças pequenas não conseguiaam acionar os pedais do tico-tico e o movimentavam andando com os pés no chão.

Luiz: na foto abaixo vemos meu primeiro velocípede.


3) Kit de cozinha


As pobres meninas não tinham praticamente nenhuma variedade de brinquedos a escolher. Um dos mais famosos era o kit de cozinha, apresentado em diferentes versões, com mais ou menos componentes. 

4) Servicentro Esso

Esse era um clássico. Havia alguns em versões mais simples e menores.

Luiz: tive um desses, em madeira. Tinha até um "box" para lubrificação. Aquele elevador de carro subia por meio da rotação de uma roldana.

5) Jipe e trator


Eram o sonho de muitas crianças, porém só as de família rica podiam usufruir deles. Não era o meu caso.

O jipe tinha muito mais saída do que o trator, pelo menos nas cidades. Talvez no interior o trator fosse o preferido. 

Luiz: não tive jipe ou trator, mas tive uma querida "baratinha", que vemos na foto abaixo, colorizada pelo Conde di Lido. A foto ficou boa, mas, na realidade, a cor original era cinza.


6) Disco voador


Esse brinquedo me deixou lembrança triste e eterna. Num Natal, meu tio-avô Cravinho (o nome dele era Arlindo, e não sei por quais cargas d'água tinha esse apelido) me deu um brinquedo desses de presente. Havia dois discos no kit. Fui para o quintal, coloquei um disco na base, puxei o cordel e lá se foi o disco subindo, subindo, subindo... e caiu em cima do telhado do vizinho, uma casa de dois andares muito alta. Com menos de um minuto de brincadeira, perdi um dos discos. Sobrou o outro, e fiquei com muito medo de perdê-lo também. Praticamente encostei o brinquedo.

7) Bonecas


Selecionei as três bonecas da foto: Amiguinha, Beijoca e Meu Sonho. É pouco provável que as visitantes deste SDR tenham brincado com uma delas, em virtude da infinidade de modelos existentes.

8) Cinturão com dois revólveres


Sem nenhuma sombra de dúvida, esse foi sempre o brinquedo que mais vezes pedi. Ganhei várias versões, porém nunca a de dois revólveres, porque era cara. Sempre ganhei a de um único revólver. Como quem não tem cão caça com gato, eu peguei dois cinturões de um revólver, soltei o coldre de um e o coloquei no outro, fazendo assim um cinturão com dois revólveres. O problema é que esse segundo coldre ficava ao contrário e o revólver não encaixava direito nele. Mas quebrava o galho.

Na vida há coisas estranhas: quando criança, eu lia o tempo todo gibis de faroeste, como os do Roy Rogers, Hopalong Cassidy, Gene Autry, e outros. E sempre pedia um cinturão com revólver no Natal. Uma vez crescido, seria de se supor que essa preferência iria se manifestar. Porém, tal não aconteceu: um dos tipos de filme que não me atrai nem um pouco é justamente o de faroeste. 

Luiz: ao contrário do Helio, sou fã de filmes de faroeste. Dia sim, dia não, vou no Youube e me delicio com os clássicos estrelados por James Stewart, John Wayne, Henry Fonda, Kirk Douglas, Glenn Ford, Gary Cooper, Marlon Brando e tantos outros (alguns menos votados como o Ronald Reagan). E não posso deixar de lembrar dos rolos, cor de rosa, das espoletas, comprados nas Lojas Americanas. Encaixavam dentro do revólver, no lugar das balas.

9) Pequeno Engenheiro


Brinquedo também muito famoso, mas que não conseguia manter o interesse da criança por muito tempo. Foi o meu caso, pelo menos.

Luiz: lembro das peças, mas não me lembrava do nome do jogo.

10) Laboratório de química

Brinquedo interessante, mas que me deixava frustrado porque algumas das substâncias químicas se esgotavam rapidamente e não havia como substituí-las, limitando as experiências. 

Luiz: gostava deste laboratório, mas era como o Helio descreveu. A graça acabava logo.

11) Kits da Revell


Brinquedo muito interessante e bem fabricado. Exigia cuidado e paciência para montagem. Havia muitos modelos de aeronaves e navios à disposição. Eu me lembro de ter ganho um Boeing 707, um B-24 Liberator, um navio de guerra (não lembro qual), uma caravela e um avião caça (também não lembro qual).

Luiz: Também gostava muito. Comprei o kit de tintas e de decalques. Dava prazer, após a montagem, fazer o acabamento do modelo. O último que montei foi o navio S.S. Brasil.

12) Bambolê


Era mais usado por meninas. Possui uma história interessante, narrada abaixo.

Acredita-se que o bambolê tenha surgido há pelo menos três mil anos no Egito. Confeccionados com fios de parreira secos, eram utilizados pelas crianças que queriam imitar artistas de rua que faziam apresentações de dança com os bambolês. Entretanto, o brinquedo, tal como o conhecemos hoje, surgiu apenas em 1958, nos Estados Unidos. A ideia veio de uma viagem à Austrália, onde os americanos Richard Knerr e Arthur Melin, sócios em uma fábrica de brinquedos, viram crianças brincando com círculos feitos de bambu. O projeto do bambolê foi batizado com o nome de “hula hoop” e em menos de quatro meses após o seu lançamento já havia vendido cerca de 25 milhões de unidades.

O bambolê chegou ao Brasil através da marca Estrela, no mesmo ano do lançamento nos Estados Unidos. Aqui, finalmente recebeu o nome Bambolê, devido a uma associação com a palavra “bambolear”, que significa gingar, rebolar. Vários outros países se renderam à moda do brinquedo. Porém, em países como a Inglaterra, por exemplo, o bambolê era feito de madeira ou de metal, o que o tornava perigoso, chegando a ser conhecido como aro mortal.

Posteriormente o uso do bambolê foi desaconselhado pelos ortopedistas. Não sei o quanto de verdade há nisso.

13) Polipticon


Não me lembro se já existia na minha época de criança. Mas é um brinquedo muito instrutivo para quem se interessa por microscópios e telescópios.

Eu sempre me interessei por Astronomia, desde colecionar figurinhas de álbuns a esse respeito até a ler livros sobre o assunto, já adulto. Depois de II Guerra Mundial, é o meu tema favorito. Tenho 17 livros a respeito.

Por volta de 1963, a irmã de um vizinho possuía uma luneta e ele ma emprestou durante alguns meses. Eu passava tempos no quintal, olhando para as estrelas. Durante o dia, olhava a encosta do Sumaré, na época ainda visível do quintal lá de casa por não haver prédios nas imediações. Gostava de ver as torres de TV e a casa do bispo, além de alguns poucos barracos. Se bem me lembro, só a TV Rio e depois a Excelsior tinham torres no Sumaré, nessa época. Hoje aquilo é um paliteiro.

Luiz: o meu, tenho até hoje, embora algo desfalcado, como se pode ver na foto abaixo:


 

14) Pião


Havia dois tipos, como mostrado nas fotos acima. Eu tive o do lado esquerdo. Nunca me atraiu o do lado direito.

15) Ioiô


Não era dos meus preferidos.

16) Forte apache / Soldadinhos de chumbo


Fazia muito sucesso entre a meninada. Na época a TV exibia a série Rin-Tin-Tin, que servia de emulação para o brinquedo.

No caso dos soldadinhos de chumbo, meu irmão e eu os separávamos em dois grupos (um para ele e outro para mim), colocávamo-los distantes um do outro no corredor lá de casa, e usávamos bolas de gude para derrubarmos os soldadinhos um do outro.

Luiz: ainda faz sucesso. Meu neto organiza "batalhas épicas" perto do forte, com soldados e índios, mas acrescenta figuras de super-heróis e dinossauros...

17) Carrinho de rolimã

Não era tão comum assim, mas sem dúvida era divertido. E fonte de muitas escoriações. Nunca brinquei num desses.

18) Cavalinho de pau


Bastante comum entre as crianças. Acho que tive um, mas não estou certo. O mais comum era meu irmão e eu pegarmos vassouras, amarrarmos barbante no rebaixo do cabo delas, a título de rédeas, e sairmos galopando no quintal, com cinturões de revólver na cintura.

Na casa vizinha à nossa havia um caminho de grama e terra entre o portão de veículos e a garagem. Eu gostava de pegar uma vassoura de pelo e cavalgar nesse caminho, vendo a terra levantar poeira, tal como nos filmes de faroeste.

 

------------- BÔNUS -------------

Nessa parte da postagem descreverei sucintamente alguns "brinquedos" inventados por mim e por meu irmão e que não fazem parte de nenhum rol, e portanto não há fotos deles. Espero que os visitantes também façam o mesmo e descrevam os seus.

1) Volante de tampa de panela

Pegávamos as maiores tampas de panela e as usávamos como se fossem o volante de ônibus. Corríamos pelo quintal dirigindo o "pesado veículo", evitando trombar com os bambus que serviam para subir e descer os varais de roupa lavadas por minha mãe.

2) Rodo a título de ônibus

Os rodos antigos eram totalmente de madeira e a parte onde havia a borracha era inclinada em relação ao cabo. Então, fazíamos de conta que essa parte era o parabrisa do ônibus. Colocávamos o rodo na horizontal, apoiado no ombro direito, e "olhando" pelo parabrisa conduzíamos nosso ônibus entre os bambus já citados acima, tomando cuidado para não arranhar a "lataria" neles.

3) Pilotando nave espacial

Na época da corrida espacial, eu me divertia sozinho assim: pegava um pedaço de tábua, colocava-a em cima da mesa e punha na tábua uns controles de rádio amador que meu tio guardava em casa (aqueles redondos e graduados, destinados a mudar a frequência), colocava fones de ouvido também de rádio amador, botava na cabeça um boné estilo militar (aqueles que se compra no Carnaval) e lá ia eu pilotando minha nave espacial pelo Universo afora.

 ---------------  FIM DA POSTAGEM  -------------

Mais uma vez agradeço ao Helio Ribeiro pela colaboração.

 

DO FUNDO DO BAÚ

 Não sei a razão, mas a postagem saiu incompleta. 

Como é longa, não terei como refazê-la agora. 

Por isto fica adiada para amanhã. 

Sorry.