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segunda-feira, 13 de novembro de 2023

UM PASSEIO POR COPACABANA DOS ANOS 70

Como a maioria sabe o húngaro Gyorgy Szendrodi fotografou o Rio nos anos de 1970/1971. Nesta postagem faremos um passeio pela Copacabana de mais de 50 anos atrás através de suas fotos. Há muito o que comentar.


Vemos o aspecto da Av. N.S. de Copacabana na altura da Rua Sá Ferreira. Já havia uma marcação para pista exclusiva de ônibus.  À esquerda fica a Praça Sara Kubitschek. Mais adiante, entre Miguel Lemos e Xavier da Silveira, a Casa Tavares, tanto apreciada por alguns comentaristas.


Esquina da Av. N.S. de Copacabana com Rua Xavier da Silveira. Logo após a esquina, à esquerda, na Xavier, ficava a loja da Superball, onde eu podia comprar camisas de goleiro com os cotovelos acolchoados, joelheiras com várias tiras de feltro branco para proteger a face anterior do joelho, chuteiras com travas presas por pregos. 

Bola de couro havia a de nº 5, a mais desejada pelos "peladeiros". A G18 era só para profissionais. Pés-de- pato daqueles pequenos, sempre pretos, e as pranchas de madeira, com espaço vazado nos lados para as mãos e a frente ligeiramente arqueada. Raquetes de frescobol havia de dois tipos: as boas, de madeira compensada, e as ruins, mais baratas e mais frágeis. 

Na Superball também se podia sonhar com a desejada mesa de ping-pong ou a de botão, oficial. 

Os botões ali vendidos não serviam para nada, apesar de virem com os escudos dos times (os bons eram de osso ou improvisados com fichas de lotação/ônibus). Os goleiros dos times de botão vendidos eram ridículos: tinham um rabo de metal que passava sob a baliza de plástico - estas balizas eram logo substituídas pelas maiores, com traves de madeira e rede de filó, e os goleiros eram feitos com caixas de fósforo com chumbo dentro (para não serem derrubados naquele estilo de chute em que o botão, após tocar na bola, derrubava o goleiro antes que a bola chegasse ao gol). 

Na Superball vendia-se, também, aquele jogo de tamborete que todo mundo ganhava e todo mundo detestava. E os saquinhos de filó branco com bolas de gude.

Enfim, a Superball era o sonho de todo garoto.


Na esquina com a Rua Bolivar ficava o grandioso cinema Roxy, inaugurado em 1938, com mais de 1700 lugares. Sua escadaria interna, em estilo "art-déco" era sensacional. Ficou na memória a abertura da Rank Filmes, com a cena de um gongo sendo tocado. 

Após o cinema, era programa obrigatório fazer um lanche no Bob´s da Rua Domingos Ferreira e, mais raramente, ir comer uma pizza no Caravelle. 

Neste quarteirão da Av. N.S. de Copacabana ficava a Papelaria Iracema, referência na época, e, no próprio edifício do Roxy, alguns estúdios onde os copacabanenses posavam para fotos.

Quem se lembra da “Copadisco”, famosa loja de discos deste trecho? O vendedor “Pelé” encontrava qualquer disco em segundos (acho que depois ele foi para a “Modern Sound”. 

O Roxy acabou como cinema e está sendo preparado para se tornar uma casa de “shows” para turistas.


A Escola Cocio Barcelos, pública, se destaca, à direita, bem na esquina da Rua Barão de Ipanema. Em meados do século passado tinha um nível excelente. 

À esquerda ficava a famosa Confeitaria Colombo. Era o local de chá preferido de minha avó, fosse no salão térreo, fosse no segundo andar, e para desfrutar uma “coupe rêve d´amour”.  Depois do chá ela sempre ia na loja da Colombo que dava para a Barão de Ipanema onde comprava uma lata de "marmeladinhas" e outra de torradas que vinham num tipo de “bauzinho” de metal, em duas colunas, uma sobre a outra, acolchoadas com um papel branco franzido e, também, com um papel branco em tiras, para não se quebrarem. Estas torradas tinham um gosto todo especial. 

Nesta loja, como um armazém, os produtos eram embalados em papel cor de rosa ("pink", como costuma dizer o Conde) e os rolos de barbante ficavam pendurados numa armação de ferro, o que facilitava o trabalho de embrulhar. Era um ambiente bastante chique nos anos 50. 

Segundo uma comentarista do SDR, “o bolinho chamado “Rivadávia” era um sucesso, bem como o "Sacripantina". As latas redondas de "Leques Gaufrettes" para servir com sorvete, faziam sucesso.” 


Aqui vemos a esquina da Rua Constante Ramos, do lado ímpar da N.S. de Copacabana. Ao fundo, a saudosa Sapataria Polar. Nesta época ela já tinha se mudado da esquina da Dias da Rocha para este local. O fotógrafo estava na calçada da loja “Ao Bicho da Seda”. À direita, também do lado ímpar, a agência da Caixa Econômica, fora da foto.


O lado par da N.S. de Copacabana, na esquina da Constante Ramos, tinha a “DUCAL”. A propaganda dizia; “Só a Ducal tem roupa com duas calças. Uma calça para usar com o terno e outra para uso esporte. Em nycron ou tergal a roupa com duas calças da Ducal é mais elegante econômica, mais versátil e, pelo crédito profissional, basta trabalhar para comprar na Ducal, Ducal, Ducal".

A Ducal foi fundada em 1950 pelos primos Afonso Carvalho e José Luiz Moreira de Souza. O primeiro era filho do dono de “A Exposição” e irmão do famoso antiquário Paulo Afonso Carvalho. O segundo foi o construtor da Torre Rio Sul, o primeiro grande shopping da cidade.

Uma propaganda famosa da “DUCAL” era com o Pelé.


Vemos a Av. N.S. de Copacabana em seu trecho entre as ruas Dias da Rocha e Raimundo Correia. Podemos observar automóveis estacionados na calçada à esquerda e uma faixa seletiva para ônibus que, na época, não deu certo.  

Ali onde há a placa de "Táxi" ficava, até o início dos anos 60, o ponto do bonde que vinha pela contramão, em direção a Ipanema, bem em frente à Spaghettilandia. 

Do outro lado da rua, em frente à Dias da Rocha, ficava o Cinema Copacabana. Ao lado dele o Mercadinho Azul, onde se podia comprar de tudo um pouco - havia um balcão que vendia muitos tipos de macarrão e todas as formas de massa. Ali as massas eram pesadas naquelas balanças antigas em que se equilibravam os dois pratos com uma série de pequenos pesos que ficavam dentro de buraquinhos numa peça de madeira. Logo na entrada, à direita, ficava o posto de venda de café. Tanto de xícaras de cafezinho, para serem tomadas de pé, quanto de sacos de um quilo, que eram embalados na hora. Café Palheta ou D´Orviliers. As máquinas de moer, enormes, ficavam na parede colada com o Cinema Copacabana.

Bem na entrada do Mercadinho Azul havia uma loja que vendia as famosas e inesquecíveis calças Lee ou as Levi´s. E outra loja de venda de cigarros, isqueiros, baralhos e chaveiros. Na calçada à direita ficava a Casa da Borracha e, mais adiante, já perto do cinema Art-Palácio, que vemos na foto, a Casa São João Batista. 

O Art-Palácio era no nº 759-B e foi inaugurado em 21/10/1950. Ali passavam muitos filmes franceses e, antes dos “trailers”, havia o cinejornal “Actualités Françaises”. Logo antes do cinema havia uma agência da Caixa Econômica.

Vizinho ficava o sensacional Metro-Copacabana, inaugurado em 05/11/1941 e demolido em 26/01/1977, na Av. N.S. de Copacabana nº 749, em frente à Rua Raimundo Correia (na esquina desta rua, do lado par da Av. N. S. de Copacabana, ficava a famosa Casa Sloper). 

O Metro, além do ar-condicionado "com clima de montanha", tinha tapetes espessos onde os pés afundavam. Ali assisti à pré-estréia de "Ben-Hur", em benefício das "Missões" do Colégio Santo Inácio (há décadas que não ouço falar das "Missões").  Além dos filmes clássicos, havia o tradicional festival Tom & Jerry, no primeiro domingo do mês, às 10 horas da manhã.

Neste trecho ficava, também, o ponto de bondes (direção Centro). Por ali ficavam fotógrafos ambulantes à cata de casais enamorados e vendedoras de maçãs caramelizadas com seus tabuleiros.

Na calçada da esquerda, a partir da Dias da Rocha, ficavam lojas como a Hermínia no 776, a Nuance no nº 774, Casas Olga.

 Depois da esquina da Raimundo Correa, a Sloper, O Rei da Voz de Abrahão Medina e, na esquina da Travessa Angrense, as Lojas Brasileiras. 


Agora estamos na esquina da Santa Clara com N.S. de Copacabana. À direita,  vemos a loja “Barbosa Freitas”. Fora da foto, um pouco antes da esquina ficava a “Cirandinha” (grande saudade dela). O sobrado da outra esquina, embora modificado, sobreviveu até hoje. Logo depois dele fica o Hotel Canadá, cuja marquise desabou há alguns anos.

O fotógrafo estava na altura da Travessa Angrense, no lado par da avenida, em frente à “Lojas Brasileiras”.  Neste trecho entre a travessa e a Santa Clara ficava o estúdio dos fotógrafos Azsmann, que era o escolhido para muitos casamentos, e uma agência do BEG. A quadra terminava na esquina onde ficava o “Bazar 606” e, do outro lado da Santa Clara, a “Joalheria Krause”. 


Logo depois da Santa Clara, em direção à Figueiredo, no lado par da N.S. de Copacabana, ficava o “Cine Joia”, na galeria do Shopping 680. Foi inaugurado em 1970, no local onde funcionava o Cine-ora. O pequeno cinema é o que restou dos inúmeros cinemas de Copacabana.

Vemos também a “Importadora Guanabara”. Vendia de tudo um pouco, naquele tempo em que artigos importados eram difíceis de encontrar, como um aparelhinho japonês para ver no escuro, chamado “olho de gato”, “óculos antifarol”, “tesoura corta-tudo”, “esferográficas gigantes japonesas com diversas cores”.

Também do lado par, no nº 690 havia a Casa Mattos, do Zé Salinas, e o curso de inglês IBEU (Instituto Brasil-Estados Unidos). A Bemoreira ficava no 686.

No lado ímpar havia a “Casa Assuf”.


Anúncio no “Correio da Manhã” de dezembro de 1944 informava que a inauguração da “Galeria Menescal” se daria em 1º de agosto de 1945 (mas acho que só foi inaugurada mesmo em 1946). 

Dizia que seria “Galeria de grande luxo, com 6 metros de largura, fachadas de mármore e vão guarnecidos com grades artísticas. Todas as lojas têm jiraus e sobrelojas, escadas e instalações sanitárias próprias.”  Fica no nº 664 da Av. N.S. de Copacabana. Tinha, como era obrigado na época da guerra, um subsolo reforçado para aguentar bombardeios aéreos.

Entre as lojas antigas da “Galeria Menescal” podemos citar: A “Film Caneta Copacabana”, fundada por Klaus Scheyer, alemão que veio para o Brasil na época da 2ª Grande Guerra, e onde eu revelava os meus primeiros filmes. Depois mudou o nome para Ótica Karina. 

Outras lojas eam a “Sapataria Santa Fé”, a “Lucia Boutique”, a “Baalbek”, com a típica comida árabe, a “New Gipsy”, a “La Danse”, a “Suzette” de roupas infantis e para grávidas, a “A toca do coelhinho”, loja de brinquedos, a “Floricultura Belinha” em cuja vitrine escorria água, além de muitas outras.


Agora já estamos chegando à Praça Serzedelo Correa. O “Centro Comercial Copacabana, cuja entrada para o prédio é pela Rua Siqueira Campos nº 43, abriga escritórios e consultórios. O Conde di Lido e eu mesmo tivemos salas ali. A parte de lojas tem vários pisos.

Eu era freguês da loja “O DISCO DO DIA”, que vendia LPs e compactos, sempre com um LP em promoção diariamente.

Foi construído onde existia o "Ponto de 100 réis", local da ramificação dos bondes que vinham pelo Túnel Velho e se dirigiam para o Leme ou para a "igrejinha" do Posto 6. Ali ficava a Estação de Bondes de Copacabana.

Fora da foto, à direita, ficava a loja da Kopenhagen que, na época, vendia as saudosas balas de frutas e balas de hortelã especial, envoltas em papel celofane, além de chocolates em geral, como as “Línguas de Gato”.

Em frente ao Centro Comercial ficava o Café Pernambuco, na outra esquina da Siqueira Campos, durante anos o ponto mais movimentado do bairro.


Atravessamos a Praça Serzedelo Correa e chegamos à esquina da Rua Hilário de Gouvea. Não posso deixar de citar a “Corujinha”, na esquina da Praça com a Hilário, onde quase todo domingo comia uma pizza após o cinema com a namorada.

A antiga igreja de Copacabana, que ficava na esquina da Rua Hilário de Gouveia com Av. N.S. de Copacabana. Construída no início do século XX, sobreviveu até a década de 70, quando demolida para construção de um prédio comercial, que em parte dele abriga a nova igreja, modernosa, sem graça nenhuma se comparada com a da foto.

O fotógrafo estava na calçada onde funciona há muito tempo uma agência dos Correios.


Vemos a descida da Ladeira do Leme chegando na Praça Cardeal Arcoverde. O Posto Atlantic há tempos tem a bandeira da Petrobras. Neste posto há uma loja de conveniência com padaria. O pão costuma ser ótimo.

A Ladeira do Leme, antiga Rua Coelho Cintra, é um dos acessos mais antigos à Praia de Copacabana. Segundo P. Berger, recebeu esta denominação por ali se instalar o antigo Reduto do Leme, no tempo do vice-reinado do Marquês do Lavradio.


Agora estamos no Posto 6. À direita, o prédio onde funcionou a TV Rio (antigo Cassino Atlântico). Ao fundo, onde lemos no muro “Artilharia de Costa”, funciona hoje uma repartição da Aeronáutica. Ao lado existia até 1973 a pequena igreja do Forte, que tinha uma cruz com lâmpadas (não é a antiga igreja do Forte, que ficava sobre a pedra, junto ao mar). Atualmente há um grande apart-hotel no local.


Nesta foto vemos a antiga pista da Av. Atlântica ainda com tráfego. E constatamos que a antiga calçada acaba justamente no limite do estacionamento atual. Na foto vemos que a pista nova em direção ao Leme já estava em uso.


Terminamos com uma foto do “novo” calçadão de Copacabana, feito após as obras do interceptor oceânico e da criação das novas pistas da Av. Atlântica. Não havia a ciclovia. Junto ao meio-fio havia estacionamento para carros. À esquerda, as desaparecidas caixas de Coca-Cola em garrafas de vidro.

*** Um agradecimento especial ao Sr. Gyorgy Szendrodi pelo grande registro feito por ele do nosso Rio dos anos 70 ***

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

LEMBRANÇAS DO ROLAND

Nosso amigo suíço Roland Bangerter nos enviou mais uma série de itens que retratam algumas de suas visitas ao Rio, do tempo em que era comissário de bordo.

Aspecto da Av. Atlântica em 1988 no trecho em frente ao Restaurante OK, na vizinhança da Praça do Lido.

Notar que havia mais árvores na areia, ainda não existia a ciclovia (cujo espaço era ocupado por um estacionamento) e os automóveis fugiam das cores atuais (preto, cinza e azul).


O Roland tinha cartão de fidelidade da Churrascaria Jardim, na República do Peru. A época é o ano de 1988.

O texto significa "Jantar na ..."

O Praia Lido Hotel, em 1999, onde suponho que o Roland se hospedou, ficava na Av. N. S. de Copacabana nº 202, pertinho da Praça do Lido. Atualmente há um Praia Lido Hotel na Rua Ronald de Carvalho.

Este guia com endereços dos anos 70 merecem muitos comentários.

O ALCAZAR foi onde o Conde di Lido, mancomunado com o Tumminelli, organizou um chope catastrófico do grupo. Menos de um real cada bolinho. Nada deu certo. 

O ALVARO´S no Leblon continua com sempre: há décadas seus pastéis e chopes, bem como seu polvo, estão excelentes.

O ANTONINO na Lagoa, com  piano do Zé Maria e o restaurante no 2º andar, brilharam por anos. Até a nova geração, como o GMA conheceu.

O ARISTON, na Santa Clara, fazia seu sucesso. Acho que o Mário era frequentador.

O BONINO´S e a CANTINA VENEZIANA não conheci.

O CABRAL 1500 era "turistão", a ser evitado pelos cariocas.

O MANOLO´S BAR, na quadra do cinema Leblon, era tipo o "Alvaro´s".

A PLATAFORMA deixo para o GMA comentar.

CIRANDINHA fica para o Menezes contar as travessuras do menino Decourt por lá. Ambos foram grandes fregueses.

O CESARE podia ser uma boa alternativa na saída de uma sessão do cinema Caruso, mas perdia para o LOPES.

AROSA acho que fechou, não tenho certeza, na Santa Clara.

O LE COIN era imperdível para um uísque (o Conde) ou um chope (demais mortais).

O MONTECARLO era um restaurante excepcional.

O NINO na Domingos Ferreira, esquina com Bolivar, era mais classudo.

Este PRÍNCIPE da Av. Atlântica seria o "Rei das Peixadas"?

O CASTELO DA LAGOA era muito bom. Certa vez cruzei com um famoso frei aos beijos com a namorada. Foi constrangedor. Tinha também apresentações de músicas bem maneiras.

Na DESGARRADA ouvia-se um bom fado.

A ADEGA DO BOCAGE, olhem só que coincidência, era o restaurante que ontem eu procurava o nome e onde comia o "Filé à Nicole".

A MAJÓRICA, até hoje. é o reduto do Menezes. Continua com boa carne.

Entre as "steak houses" é citado o "ADEGÃO PORTUGUÊS", um ícone da comida portuguesa até hoje, no Campo de São Cristóvão.

Bars e Night-Clubs deixo para o Conde di Lido comentar por ser frequentador de todas (de todos os níveis). Das mais badaladas aos piores "inferninhos", é ele quem pode dar aulas.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

AV. ATAULFO DE PAIVA

 


Foto de Malta. Coleção Brascan. Acervo Instituto Moreira Sales. O Leblon em 1919. A praia do Leblon foi assim batizada em memória do nobre francês Emmanuel Hippolyte Charles Toussiant le Blon de Meyrach, conhecido como Carlos Leblon, proprietário de uma grande área na região entre o canal da Visconde de Albuquerque, Avenida Ataulfo de Paiva, Rua General Urquiza e o mar. A Praia do Leblon fica entre o canal do Jardim de Alá e o início da Avenida Niemeyer.

No final da década de 1910, coincidindo com as obras de Paulo de Frontin e Carlos Sampaio na Lagoa, surgiu a Companhia Industrial da Gávea, dos engenheiros Adolfo del Vecchio, José Ludolf e Miguel Braga, que abriu a Praça Dr. Frontin (hoje Praça Antero de Quental), modernizada pelo Prefeito Dodsworth anos depois, e a Av. Ataulfo de Paiva. Esta avenida começa na Av. Epitácio Pessoa e termina na Praça Professor Azevedo Sodré. Decreto 1380, de 25/7/1919.

Até cerca de 1940 os edifícios de lojas e apartamentos eram raros no Leblon. Os católicos só tinham a igreja de N.S. da Paz, em Ipanema, quando, como veremos adiante, chegaram os padres agostinhos e ergueram a igreja de Santa Mônica, tendo ao lado o Colégio Santo Agostinho.

Não havia ligação entre o Leblon e Ipanema, separadas pela barra da Lagoa. Só a partir de 1918, quando foi construída a ponte sobre o canal do Jardim de Alá, é que o acesso se abriu, ligando as avenidas Vieira Souto e Delfim Moreira. O bonde da linha Jardim Botânico passou então a incluir Ipanema no trajeto, depois de passar por Gávea e Leblon, chegando ao Bar 20, em Ipanema.


Foto (talvez) de José Medeiros. Acredito que a foto é dos anos 40, pois a ponte entre a Ataulfo de Paiva e a Visconde de Pirajá, construída em 1938, já está lá.

Raríssimos prédios no Leblon, vendo-se bem a Av. Ataulfo de Paiva.


Esta fotografia mostra a antiga igreja de Santa Mônica, no Leblon, na Rua José Linhares, hoje substituída por uma mais modernosa. A rua em primeiro plano, com os trilhos dos bondes, é a Ataulfo de Paiva. A primeira igreja construída ficava na esquina da Ataulfo de Paiva com José Linhares. Posteriormente, reconstruída, a sua entrada frontal passou a ser pela José Linhares (o endereço atual é José Linhares nº 96). Na Ataulfo de Paiva há o prédio da Paróquia, usado para assuntos paroquiais e para fins comerciais. Esse prédio tem como endereço Ataulfo de Paiva nº 527.

Conta o Frei Enrique González O.A.R. que na década de 1930 os Agostinianos Recoletos adquiriram uma casa localizada na Rua Acaraí (atual Rua José Linhares), no Leblon, para ali construírem sua capela. No dia 20 de junho de 1931 deu-se a inauguração solene, com a celebração da primeira missa. Em 1942, face à necessidade de mais espaço para as atividades que ali seriam desenvolvidas, se começa a construir uma nova residência. Entretanto, mesmo com esta ampliação, a capela era pequena para um Leblon que crescia cada vez mais. Assim, em 1º de abril de 1962 é colocada a primeira pedra da nova igreja, numa cerimônia presidida pelo Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara. 

A igreja foi construída em duas etapas para que não fosse interrompido o funcionamento do culto. Em meados de 1967 já se usava o presbitério e uma pequena parte do corpo da igreja. Em 1969 era aberta a segunda parte: a igreja estava completa nas suas dimensões planejadas, 46 metros de comprimento e 24 de largura. 


O Cinema Leblon, na Avenida Ataulfo de Paiva nº 391, foi inaugurado em 29/09/1951 e funcionou até 30/09/1975, quando foi substituído pelo Leblon 1 e Leblon 2. Hoje em dia, retrofitado, abriga uma loja de artigos esportivos. Chegou a ter 1294 lugares, em dois andares. Era um dos mais agradáveis cinemas da Zona Sul, sendo excelente programa assistir a um filme e, depois, bebericar em algum dos inúmeros bares da vizinhança.


Segundo o “Estado de Minas”, o filme em preto e branco é de 1949 e se passa em uma Viena desfigurada pela Segunda Guerra Mundial e se apoia na fama de Orson Welles, um dos nomes do elenco.

"O Terceiro Homem" fez sucesso no pós-guerra e recebeu a Palma de Ouro em Cannes, além do Oscar de fotografia. Em poucos anos se tornou uma obra reverenciada pelos cinéfilos.

A trilha sonora do longa-metragem, composta pelo vienense Anton Karas e quase integralmente interpretada com cítaras, vendeu dois milhões de discos em todo o mundo.

Orson Welles interpreta Harry Lime, um traficante perseguido pela polícia. Ele aparece apenas no fim do filme, depois de uma complexa investigação feita por Holly Martins (o ator americano Joseph Cotten), que viaja à Áustria para tentar encontrar o velho amigo.


Vemos um bonde trafegando pela Av. Ataulfo de Paiva, em frente à Praça Antero de Quental.

A foto, da Agência O Globo, foi conseguida na Internet. O curioso é o modo como o ciclista resolver tirar uma soneca sob o olhar da criança. O ciclista inventou um modelo bastante efetivo de tranca de bicicleta.



Vemos o supermercado Disco nº 2, na esquina das ruas João Lira e Ataulfo de Paiva. O Disco nº 1 ficava na  Rua Siqueira Campos esquina com Silva Castro, em Copacabana.  Inaugurado em 1954

Segundo um ilustre comentarista do "Saudades do Rio", presente na comemoração no "Degrau", antigo morador do Leblon, "A garotada da minha rua, a General Artigas,  ia no Disco roubar chocolates colocando-os dentro dos bolsos das bermudas, até que um dia um amigo foi pego pelo segurança e nunca mais fizemos aquela arte."


O ano é 1969, atestado pelo letreiro do Cinema Leblon, onde passava o filme “Se Meu Fusca Falasse", sucesso naquele ano. Podemos ver que a rua não era mais mão-dupla e que os trilhos do bonde e os paralelepípedos já haviam sido cobertos com uma camada de asfalto.

Alguns prédios continuam até hoje no local, como o da esquina oposta ao cinema, onde hoje reina o Bar Clipper, reduto dos boêmios de plantão. Rurais, fuscas, corcéis, Zés do Caixão completam o cenário da época. Vale notar o belo mosaico de pedras portuguesas.

Foto do acervo de J.G. Pedrosa. 


A foto é dos anos 70 quando o cinema Leblon estava sendo duplicado. Aparentemente o Leblon 1 foi inaugurado antes do Leblon 2. 

O filme em cartaz "A vingança de milady" tinha um elenco com muita gente conhecida como Charlton Heston, Raquel Welch, Cristopher Lee, Richard Chamberlain, Faye Dunaway, Geraldine Chaplin, Michael Yord, Oliver Reed, com direção de Richard Lester.


Nesta foto vemos um aspecto a Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, em 1958. A ponte que une Ipanema e Leblon, ligando a Avenida Ataulfo de Paiva à Rua Visconde de Pirajá, só foi construída em 1938. Na época da foto o tráfego na Ataulfo era em mão-dupla, aí incluído os bondes. Até o final da década de 60 havia pouco tráfego, a avenida era calçada com paralelepípedos e havia pouca sombra. O trecho é o do quarteirão do cinema Leblon.

Estacionado, enquanto o seu proprietário foi comprar papel almaço sem pauta na Papelaria Leblon Ltda., vemos um belo Citroën modelo 11Bl, e ao fundo os prédios do Conjunto dos Jornalistas.

Paradoxalmente, as mudanças até que não foram muitas, mas bem significativas. As construções baixas na esquina da rua Almirante Guilhem deram lugar ao imenso Rio Design Center, um dos maiores prédios do bairro, e no mesmo quarteirão vários outros grandes prédios comerciais foram erguidos desde os anos 70. 

O aspecto atual da rua foi criado no Rio Cidade, que implementou as jardineiras.

Esta antiga foto da Av. Ataulfo de Paiva me parece ser da esquina da Cupertino Durão.


A foto, mais uma do acervo do F. Patrício, mostra uma das fronteiras entre Ipanema e Leblon, no Jardim de Alá, estando o fotógrafo na ponte que liga a Avenida Ataulfo de Paiva com a Rua Visconde de Pirajá. Esta ponte é de 1938.

Bem à esquerda há um Fusca, depois uma Brasília, um táxi “Zé do Caixão” e um Corcel. Ao fundo há um caminhão das Casas da Banha. Para gáudio do Decourt duas luminárias Thompson resistiam bravamente à modernização do local naquela época.

Os três grandes prédios, com 15 andares cada e com 420 unidades formam o “Conjunto dos Jornalistas”, na Avenida Ataulfo de Paiva nº 50, construído pelo IPASE (ou foi pelo IAPC?) na década de 50 do século passado.  Durante muitos anos este conjunto, habitado por gente da classe média, conviveu tranquilamente com os ex-favelados oriundos da Favela da Praia do Pinto e que moravam na Cruzada São Sebastião, construída a seu lado. Em anos mais recentes, tal como aconteceu com toda a cidade, a violência urbana levou à construção de grades, acabando com a passagem de pedestres existentes na época da foto. Acabamos todos por viver atrás das grades.

O terreno existente antes da construção dos três prédios abrigava circos que faziam temporada no Rio e servia também de abrigo para cavalos e bodes que divertiam as crianças no Jardim de Alá. Em frente aos prédios ficava o Hotel Ipanema onde se hospedou o nosso prezado Rouen ao chegar da França.

Sempre tive vontade de publicar esta foto do acervo da Myrian Gewerc, garimpada pelo Decourt. Vemos o Leblon nos anos 50. Como conta o Andre Decourt, "Estamos na Av. Ataulfo de Paiva, praticamente em seu final, a primeira esquina que vemos é a da Rua General Artigas. Podemos observar um bairro praticamente horizontal, tranquilo e despretensioso, praticamente o final da cidade na época, quase uma cidade do interior.

Seria impensável nos dias de hoje a rua totalmente vazia, revestida de paralelepípedos, com calçadas ainda na terra e com residências de grandes quintais, sobrados comerciais e prédios espaçados e em grande parte com poucos pavimentos. O grande terreno ajardinado deu lugar no meio dos anos 70 a um dos grandes prédios comerciais com galerias do bairro, o Vitrine do Leblon. Já o pequeno sobrado comercial que vemos bem na esquina sobrevive até hoje, sem seus ornamentos art-déco e revestido de pastilhas, resultado de alguma reforma nos anos 60 ou 70.

O prédio de onde esta foto foi tirada, ainda existe, sendo possivelmente o que fica ao lado da Padaria Rio-Lisboa e que abriga o Talho Capixaba.

Mais à frente, após a esquina da Rua Rainha Guilhermina, o grande prédio existe até hoje, um dos pioneiros no bairro com a típica arquitetura dos bons prédios da década de 50, que é o nº 1.165.”

Leonel Salgueiro confirma a década da foto, “pois o prédio de número 1.165, foi uma incorporação feita pelo meu Pai, Leonel Nunes Salgueiro, mais o seu irmão José e outros dois sócios em 1949, sendo o 1° prédio de 8 andares do Leblon. Minha Mãe morou nele, exatamente 60 anos, de 1951, quando ficou pronto, até 2011 quando foi vendido. Acrescenta o Leonel que a casa na esquina da Rainha Guilhermina, era do Dermatologista Antar Padilha Gonçalves, colonial amarela e branca ficando ao lado da grande casa dos seus pais onde aparecem as árvores, o Sr. Manoel Gonçalves e a Dona Celina Padilha, onde hoje é a Vitrine do Leblon. No primeiro prédio de 2 andares, que ficava na esquina da General Artigas, era o da antiga sede dos Correios do Leblon”.

Continua o Decourt: “Vemos o típico urbanismo das avenidas onde passava o bonde durante as reformas viárias de Henrique Dodsworth, luminárias pendentes no centro da via, no lugar dos postes de iluminação nos canteiros centrais ou dos postes padrão Light junto as calçadas, árvores que parecem ser cássias como as que arborizavam a Visconde de Pirajá e a Av. Copacabana e que foram sendo dizimadas pela poluição dos veículos a partir dos anos 50. Um detalhe interessante é que não vemos postes de ferro fundido, todos na imagem são de concreto armado, o que atesta a agressividade da maresia que, sem a barreira de prédios, penetrava profundamente bairro a dentro.”

Depois da aula do Decourt, um comentário meu: Este era o Leblon da minha adolescência. Por aí passavam os bondes 12 (Leblon), 21 (Circular) e uma outra linha que ligava o Leblon ao Jardim Botânico. Perto daí ficava o simpaticíssimo cinema Miramar (inesquecível o final de cada sessão quando as portas se abriam para a Praia do Leblon e seu fabuloso cenário). Nesta quadra, à direita, ficava o consultório do Dr. Helio Mauricio, grande amigo do “velho”, cirurgião-geral e presidente do Flamengo. Logo ali adiante o desaparecido Colégio St. Patrick´s (na esquina da Rainha Guilhermina). Na outra esquina, a da Aristides Espínola, o triângulo da boemia da época (anos 60) com o Real Astória, a Pizzaria Guanabara e o “nosso” Portinho (Café e Bar Porto do Mar) que há tempos se sofisticou e virou o Diagonal.


Esta foto do famoso Luna Bar serve para ilustrar a notável quantidade de bares e restaurantes do Leblon boêmio.

Ainda hoje persiste esta fama tanto na Ataulfo de Paiva como, principalmente, na Dias Ferreira. Isto sem falar nas ruas perpendiculares à Ataulfo.

O da minha juventude era o "Café e Bar Porto do Mar", por nós carinhosamente chamado de "Portinho", onde tínhamos mesa cativa, sempre atendidos pelo saudoso Martinez. Era aquele garçon dos tempos antigos, que anotava nossos recados, informava quem já tinha vindo e ido embora, quem ainda era esperado. Chope e pizza, que dava de 10 x 0 no vizinho de esquina, a Pizzaria Guanabara.

Como em certa época o Real Astória, o "RA", passou a fazer muito sucesso, o "Portinho" mudou de nome para "Diagonal" e está lá até hoje, mas sem o charme daquela época.

No Real Astória havia, anexo, um barzinho chamado "Balacobar", onde o pianista Luís Reis, o "Cabeleira", se apresentava.

Os frequentadores do Leblon, comentaristas do "Saudades do Rio", poderão descrever seus casos e "causos" na Pizzaria Guanabara, no Diagonal, no Real Astória, no Clipper, no Jobi, no Luna, no Look (no 900), no Le Coin (no 658), no Mario´s, no Recreio do Leblon, no Degrau, no Manolo, no Antonino (que funcionou no nº 528), até no Garcia e Rodrigues (que tinha a melhor baguete do Rio) e em tantos outros (mas só vale se o endereço for Ataulfo de Paiva).


quinta-feira, 2 de novembro de 2023

ONDE É?

O "Onde é?" de hoje contou com a colaboração de diversos comentaristas do "Saudades do Rio". Agradeço a todos.


FOTO 1 (Arquivo Nacional)


FOTO 2 (Arquivo Nacional)


FOTO 3 (Arquivo Nacional)


FOTO 4 (enviada pelo Nickolas)


FOTO 5 (Arquivo Nacional)


FOTO 6 (enviada pelo Joel Almeida)


FOTO 7 (enviada pelo Vinicius)


FOTO 8 (Enviada pelo Nickolas)


FOTO 9 (acervo O Globo)


FOTO 10 (Facebook Rio Antigo)


FOTO 11 (Enviada pelo Nickolas)



segunda-feira, 30 de outubro de 2023

TV RIO


FOTO 1: foto de Georgy Szendrodi, 1971. O logotipo da TV RIO aparece em dezenas de fotos antigas de Copacabana.

A TV RIO começou suas transmissões no Rio em meados dos anos 1950, vindo a se juntar à TV TUPI, até então única. Instalou-se no prédio que ficava na esquina da Av. Atlântica com a Rua Francisco Otaviano.

A primeira ocupação deste local foi com a famosa casa de Mère Louise. Depois foi construído, no lugar do cabaré, o prédio do Cassino Atlântico, que foi o que a TV RIO ocupou.

Uma informação que poucos sabem é que, durante algum tempo, antes da TV RIO ali se instalar, funcionou uma sede da AABB neste endereço.

Depois da TV RIO um novo prédio foi construído onde se instalaram os hotéis Rio Palace, depois Sofitel e agora Fairmont.

FOTO 2: Lá no fundo vemos o logotipo da TV RIO, em foto garimpada pelo Nickolas. Nos primeiros tempos era complicado assistir TV. Desde a instalação da antena para capturar o sinal (Copacabana, por exemplo, tinha muita dificuldade face ao Morro dos Cabritos), até à qualidade dos aparelhos. Havia que controlar o "vertical" (imagens correndo para baixo), o "horizontal" (imagens todas tremida), ver através dos "chuviscos" que apareciam na tela.


FOTO 3: Antes do aparecimento do video-tape todos os programas eram "ao vivo", muitos deles com plateia no auditório. Os imprevistos aconteciam para "delírio" dos espectadores e preocupação para os envolvidos. Às vezes havia um problema no cenário e os apresentadores de comerciais tinham que se virar, no ar, para dar tempo de consertarem.

Dentre os programas ao vivo é possível citar alguns de grande sucesso, como o TV RIO RING, com Teti Alfonso, Luiz Mendes e Leo Batista. 

O "Noites Cariocas", às sextas-feiras, com dezenas de comediantes e vedetes como Lady Hilda, Rose Rondelli, Sandra Sandré, Celia Coutinho e tantas outras. 

A "Buzina do Chacrinha", o "O riso é o limite" (com Jorge "Zé Bonitinho" Loredo, Vagareza e Siwa, Walter e Ema Dávila, Nair Belo, Nancy Wanderley), o "J. Silvestre ... Milhões" cuja primeira parte era o "Biscoitestes Duchen", onde havia seis vedetes, cada uma com uma camiseta que tinha uma das letras da marca estampada na frente (a letra "N" era a Sonia Muller, que tinha um charme especial). Alguém lembra das vedetes das outras letras?

O "Hoje é dia de rock" (aos domingos, com o Jair Taumaturgo), "Rio Hit Parade" com Murilo Néri, "Praça da Alegria" com Manoel de Nóbrega e milhares de outros como "Noite de Gala".

Um grande destaque da TV RIO foi o João Roberto Kelly e seus programas musicais.

FOTO 4: A TV Rio tinha algumas séries fantásticas, como “Peter Gunn” de Blake Edwards, com Craig Stevens, “Os Intocáveis” com Robert Stack como Elliot Ness, “Bat Masterson” com Gene Barry, “Combate” com Vic Morrow. “Aventuras Submarinas” com Lloyd Bridges, “Paladino do Oeste” com Richard Boone, “Jet Jackson”, “Além da Imaginação”, “Perry Mason”.

Contam que o Conde di Lido era fã da série “O irresistível Tab Hunter”, mas isto deve ser intriga da oposição. Para competir com o ótimo “Rin-Tin-Tin” do canal 6, o canal 13 exibia “Lassie”, que era menos interessante.


FOTO 5: O "Telejornal Pirelli", com Leo Batista e Heron Domingues era exibido às 19h55, cinco minutos antes do "rival" do canal 6, o "Repórter Esso" com Gontijo Teodoro.

Aos domingos a TV RIO exibia a inesquecível Grande Resenha Facit, a precursora das mesas-redondas esportivas, com o Luiz Mendes, Sandro Moreira, João Saldanha, Armando Nogueira, José Maria Scassa, Vitorino Vieira, Hans Henningsen, Nelson Rodrigues. Armando, Sandro e Saldanha eram os botafoguenses e davam um banho nos demais, sempre saindo vitoriosos nos debates. O único que lhes fazia frente era Nelson Rodrigues. Scassa e Vitorino, que teoricamente defendiam o Flamengo e o Vasco eram engolidos pelos outros. Hans era mais neutro e falava do futebol internacional.

Havia bons programas jornalísticos como o do Sargentelli e culturais como o Teleteatro com Sergio Britto.


FOTO 6, de Jean Manzon: Fazer uma transmissão externa na década de 50 tinha muitas dificuldades técnicas. A foto mostra a transmissão do Congresso Eucarístico Internacional de 1955. 

As senhoras de véu, exigência da Igreja Católica na época, se protegem do sol com uma daquelas sombrinhas japonesas que se abriam num movimento de 180º. Ao fundo destacam-se os luminosos da Esso, do Novo Mundo e do Mobiloil.


FOTO 7, da Última Hora: Aqui vemos uma câmera da TV RIO no Estádio de Remo da Lagoa transmitindo uma regata. A emissora dava grande apoio ao esporte. Chegou a transmitir, todos sábados à tarde, jogos do campeonato de futebol de praia (o verdadeiro, onze contra onze). Os jogos eram no campo do Maravilha, em frente ao Edifício Guarujá, na altura da Constante Ramos.

Lembro de uma transmissão interestadual que mostraria um jogo em Minas Gerais. Foram instalados uma série de transmissores pelo caminho, mas não havia como a imagem chegar, só o som. O locutor escalado era o Oduvaldo Cozzi, um mestre da transmissão esportiva, que tinha um vocabulário rebuscado. Como a imagem não chegava Cozzi ficou enchendo linguiça por muito tempo, enquanto a imagem era o símbolo da emissora. Às tantas, lembrou-se de uma antiga lenda Tupi e numa licença poética saiu-se com: "E por que chora a Mantiqueira? Chora por não receber o beijo das ondas do mar do Rio!"

E por aí foi até o término da partida que não foi vista por ninguém.

FOTO 8: Anúncio de uma programação da TV RIO. Até o "Pergunte ao João", sucesso da Rádio JB, tinha espaço na TV RIO. Naqueles tempos sem Internet, João respondia às perguntas dos telespectadores. Havia filmes, humorísticos (Epitáfio e Santinha era com Renato Corte Real e Nair Belo), novela (com artistas como Fernanda Montenegro e Sergio Brito, adaptada por Nelson Rodrigues), etc.


FOTO 9: A TV RIO cobrindo a apoteótica chegada da Seleção Brasileira, campeã do mundo de futebol em 1958, ao Galeão. É de chamar a atenção a improvisação na cobertura televisiva: em cima de uma grua da Panair vemos uma câmera da TV Rio filmando os jogadores. À direita, embaixo, um repórter (de óculos) segura o enorme aparelho "portátil" com o qual efetuava entrevistas para sua emissora de rádio (seria um BTP1A?).


FOTO 10: Quando vemos a imagem na TV não imaginamos como pode ser precário o cenário verdadeiro. Duas enormes câmeras, uma parede escorada, tudo muito simples.


FOTO 11: Houve um tempo em que um político, independente do seu viés ideológico, atraía a atenção dos telespectadores. Na foto vemos Carlos Lacerda, como poderíamos ver um Lott, um Negrão de Lima, um Sergio Magalhães, deputados e senadores bem diferentes dos atuais.


FOTO 12: o inesquecível Ronald Golias. O "professor" talvez seja o sem-graça Carlos Alberto de Nóbrega.


FOTO 13: três senhoras caminham despreocupadas pela Av. Atlântica, nos anos 60, quase em frente à Rua Rainha Elizabeth. O logotipo da TV RIO é visto ao fundo.


FOTO 14: arquivo da família Gustavo Ferreira, em foto publicada no "Carioca da Gema". 

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As duas fotos seguintes, uma do Decourt e outra do Tumminelli, foram compradas na Praça XV há quase 20 anos. Era comum os "fotologueiros" (Decourt, Tumminelli, Luiz D´, Rouen, JBAN, tia Lu, JRO, entre outros) irem lá buscar fotos antigas aos sábados pela manhã. Hoje em dia o trabalho é mais fácil, pois há muita coisa disponível na Internet. Nos primeiros tempos dos blogs a busca era na Praça XV, nos sebos, em poucos livros antigos e nos arquivos particulares.


FOTO 15: Conta o Decourt:

Uma foto e duas histórias.

História número 1

Esta foto coloca uma bela pá de cal nas especulações a respeito do deslocamento do arremate curvo da velha Av. Atlântica quando do alargamento nos aos 70.

Na foto vemos perfeitamente a velha avenida à direita totalmente intacta, inclusive o velho calçadão que ficava junto a areia, ficando hoje junto ao estacionamento lateral.

Ou seja, pelo menos no Posto VI, as dimensões da velha Atlântica estão perpetuadas no calçadão junto aos prédios.

A foto ainda nos mostra mais detalhes, como a casa que resistiu até os anos 80, na esquina com a Rua Joaquim Nabuco, representante das pioneiras do bairro, pois aparece em fotos já do final dos anos 10 do século XX. Vemos também o prédio do Cassino Atlântico, nessa época sede da TV RIO e que em breve seria demolido, ao seu lado vemos uma ponta do telhado de uma grande casa normanda, demolida junto com o prédio do cassino para a construção do Hotel Sofitel.

História número 2

No sábado passado eu e Roberto Tumminelli fomos garimpar material na Praça XV, quando nos deparamos com várias fotos, aparentemente de uma família. Olha daqui, mexe dali, achei um passaporte que confirmou a identidade dessa senhora, Sara Gandelman, moradora da Rua Saint Romain, nos aprazíveis anos 30 e 40, quando a favela ainda não tinha fagocitado aquela via.

Além de suas fotos em Copacabana e no Rio, havia todo um histórico de várias viagens, desde mocinha até idosa, por vários lugares do Brasil e do mundo, como cartões, folhetos e lembranças. Em suma, toda a memória de uma pessoa foi para o lixo, certamente descartada pelas gerações mais novas que acham que esse material é velho e não serve para nada.

Uma pena!


FOTO 16: Conta o Tumminelli:

A foto acima e a postada por Andre Decourt, pertenciam a uma mesma família, que se desfez do arquivo de imagens deixando-as numa banca da Feira de Antiguidades da Praça XV. 

Vendo as fotos podíamos ver que as imagens abrangiam desde a década de 40 até anos 70, no bairro de Copa, além de outras de viagens da família. Havia também o passaporte da matriarca, Sra. Sara Gandelman, que deduzimos ter morrido há pouco. Com certeza as gerações mais novas descartaram as fotos como lixo. Coisa muito comum de acontecer. Uma história de uma família jogada no lixo e muitas vezes perdida para sempre. É o que sempre digo, muitas fotos de família, revelam coisas interessantíssimas ligadas à história de uma cidade, conforme prova a foto acima.

A velha máxima está certa: o lixo de uns é tesouro de outros...