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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

LARANJEIRAS


 
Hoje vemos duas fotografias de Laranjeiras, na altura das ruas Pinheiro Machado e Laranjeiras. A primeira é de 1962 e foi estupendamente colorizada pelo Nickolas Nogueira.
Vemos os tapumes da obra de abertura do Túnel Catumbi-Laranjeiras, Os veículos estão na Rua das Laranjeiras, bem perto de onde ficava o belo prédio da Embaixada da Itália, na Rua das Laranjeiras nº 154. O Dieckmann identificará o ano do Aero-Willys.
O Decourt chama a atenção para o poste da Expo de 1908 convertido para usar GE Novalux. Este tipo de poste também era usado na Senador Vergueiro, na parte baixa da Rua das Laranjeiras, na Voluntários da Pátria e na São Clemente (estas usando o gancho com luminárias pendente) além da Av. Pasteur, no trecho entre a Universidade do Brasil e a Praia de Botafogo.
À esquerda está a Maternidade Escola (UFRJ), cujo prédio fica um pouco recuado. A "estreiteza" da rua deve-se a essa esquina com o poste. Esse pedaço acabou e também houve um bom recuo ali.
A segunda fotografia é de Kurt Klagsbrunn, provavelmente de 1965, já com o túnel aberto ao tráfego ligando o bairro de Laranjeiras ao bairro do Catumbi. Este túnel, inaugurado no dia 29 de junho de 1963, quatro anos antes da inauguração do Túnel Rebouças, facilitou enormemente a ligação da Zona Sul com a Zona Norte. Antes de sua abertura o caminho habitual era pela Lapa ou pelo Centro/Praça XV.
Durante muito tempo o Túnel Santa Bárbara teve problemas com a qualidade de ar. Quando o problema da poluição interna ficou feio resolveram colocar uns ventiladores. Só que é um túnel com carros andando nos dois sentidos, ou seja, não atava, nem desatava. O problema só foi resolvido quando alguém teve a idéia de que fosse feita uma divisão no meio do túnel. Assim, a poluição segue o fluxo dos carros e os ventiladores/exaustores podem funcionar corretamente.
Na foto aparece, na esquina da Rua das Laranjeiras, o prédio da Maternidade-Escola, então pertencente à Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, hoje UFRJ. A ladeira, à esquerda, dava acesso ao Morro da Graça onde existiu o externato do colégio Sacré-Coeur de Jésus (de 1935 a 1969), onde depois funcionou a firma Internacional de Engenharia. O objetivo do Sacré-Coeur era "transformar meninas em damas com forte capacidade reflexiva", baseado nos princípios da religião católica e com grande influência francesa (praticamente todas que ali fizeram todo o curso saíam falando fluentemente o francês). O lado feminino de várias gerações da família D´ estudou lá, bem como estimada comentarista  Nalu.
Dezoito operários que faleceram num desabamento durante os trabalhos de abertura deste túnel foram homenageados com o painel “Santa Bárbara”, concebido em 1964 pela artista plástica Djanira. Este painel ficava localizado em uma capela no forro do túnel, formada pelo desabamento do final dos anos 50. O desabamento de uma grande rocha formou uma caverna na abóbada e o Governador Carlos Lacerda resolveu homenagear os operários mortos. Só que, com a poluição, a capela ficou insalubre sendo abandonada. Nos anos 90 com a reforma do túnel, que também dividiu a galeria e possibilitou a passagem de cabos da Light (que custeou a obra) pela antiga galeria de ventilação do túnel, o painel foi retirado, restaurado e ficou à espera de um lugar para ser instalado. Os moradores dos dois lados do túnel queriam a instalação do painel em suas respectivas bocas, mas isto não aconteceu. O painel acabou sendo instalado no MNBA – Museu Nacional de Belas-Artes.
 

25 comentários:

  1. Pode ser que "eu esteja enganado", mas o Túnel Santa Bárbara foi aberto ao público apenas em 1964. Acredito que a data de 1963 se refere a uma "inauguração promocional" semelhante a que aconteceu no túnel Rebouças em 1965 quando aconteceu uma "carreata", da qual eu participei, mas que foi efetivamente inaugurado em 1967.

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  2. A primeira foto é mais uma obra-prima do Nickolas. Mostra os últimos dias de tranquilidade de Laranjeiras e Cosme Velho. A partir da abertura dos túneis o bairro além de ser vítima da especulação imobiliária com a substituição das mansões por altos edifícios virou também um bairro de passagem. Utilizar a rua das Laranjeiras é um inferno devido aos engarrafamentos.

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  3. Bom dia Dr. D', comentaristas e leitores.

    Tentando me localizar uma vez que a "profundidade" nas fotos parece distorcida em relação ao Google Earth, talvez devido à objetiva usada pelo fotógrafo, mas ao que tudo indica, na primeira foto o Aero-Willys transita pela Rua das Laranjeiras e a perpendicular a ela é a Rua Pinheiro Machado. A placa com os nomes foi deliberadamente girada por algum transeunte bem humorado.

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    1. Sim, o Aero está na Rua das Laranjeiras, como diz o texto.

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  4. Primeiramente destaco o poste de luz que tinham classe e eram muito bonitos. Acho também que o dito tunel matou o bairro de Laranjeiras
    inapelavelmente. Não sei se podemos chamar essa obra de progressista. Será que não havia outra maneira de escoar o transito?

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  5. Certamente a abertura dos dois túneis acabou com Laranjeiras e Cosme Velho. A ponte acabou com Niteroi e isso deve ter acontecido no mundo todo. Elevados acabaram com a Paulo de Frontin e com a Rua Bela e Figueira de Mello, embora eles não tenham virado bairros de passagem (só pelo alto...) e a especulação imobiliária tenha funcionado ao contrário. Deviam ter deixado como era.

    O Aero-Willys é de 1960-1961, da primeríssima safra (quase igual aos Aero-Ace americanos, de 1952) entretanto com o friso em Z (que saiu no Aero Bermuda, um cupê sem coluna, de 1955). Em 62, o friso ficaria reto, como nos modelos 52 (uma regressão estilística, sem dúvida!) e, em 63, apareceria o 2600.

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    1. Dieckmann, só para complementar, o Metro fez o mesmo em Copacabana, tornando a região compreendida entre a Princesa Isabel e a Praça Serzedelo Correa extremamente degradadas, e em especial a região do Lido, devido às estações Cardeal Arcoverde e Siqueira Campos .

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  6. Essa obra ocasionou o "corte de uma fatia" do estádio do Fluminense. Para o alargamento da Pinheiro Machado não havia outra alternativa. Percebe-se que a pista original que leva em direção ao Catumbi é bem mais baixa do que a nova. Esse "corte" se deu no ano da primeira foto, 1962.

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  7. As viúvas voltaram com força total e deve ser a proximidade do carnaval.Só comentam o que de ruim ficou com a implementação de obras mais que necessárias ao Rio de Janeiro,esquecendo por pura conveniência o que representou cada uma delas no seu local em termos de desenvolvimento e dinâmica em uma cidade que crescia naturalmente.Um dos comentaristas chega a citar que a ponte acabou com Niterói.Naturalmente está a chorar a vida em razão das barcas esquecendo que aquela obra foi um marco da engenharia e do desenvolvimento.A cada dia preciso ser mais que Do Contra.

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  8. Bom dia ! Sou de opinião que o que transformou, definitivamente, o bairro de Laranjeiras em bairro de passagem, foi o túnel Rebouças, que liqidou, de vez, com a tranquilidade, que ainda reinava, no trecho que vai do Tunel Catumbi-Laranjeiras até o Cosme Velho.
    Não entendi a colocação do Joel, no comentário das 9:54, no que toca à altura das pistas.
    O senhor Do Contra mostra, nitidamente, que é a favor da descaracterização das cidades, pois ele há de convir que todas essas obras que ele chama de serem de desenvolvimento e dinâmica, acabaram, de vez, com o que havia de beleza e tranqüilidade dos diversos bairros que foram "castigados" com essas infelizes intervenções. Vai ver que ele também foi a favor da descaracterização francesa da Av.Rio Branco. Mostra ele, com isso, que não tem a mínima sensibilidade para com o que é belo e acolhedor. Assim, senhor Do Contra, receba os meus votos de pêsames pela sua total falta de estética arquitetônica.
    Daqui há pouco, vocês vão ver, ele também vai se colocar a favor do insano desmonte do Morro do Castelo que poderia ter sido um belíssimo marco da fundação da cidade, não fôssem o espírito destrutivo de diversas mentes que habitaram a cidade naquela época...

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  9. Walter, se você observar, em frente ao Palácio Guanabara existe um canteiro central dividindo as pistas, e nele é possível ver que a diferença de altura entre as pistas é de quase meio metro. Ali ficava o muro do estádio do Fluminense, que era oval. Com o corte feito para a construção de uma das pistas da Pinheiro Machado, acabou tendo o formato atual. Eu tenho uma foto do estádio original nos anos 50 e a diferença é bem interessante

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  10. Boa noite a todos.

    Há pouco menos de cinco anos o bairro começou a ser dividido com a obra da Transolímpica, que não teve túnel para estes lados mas um traçado elevado com direito a acessos de entrada e de saída.

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  11. Agora eu entendi, Joel. eu estava pensando que você se referia ao viaduto, o que seria muito estranho. Está correta a tua observação !

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  12. Eu e meu irmão nascemos na Maternidade Escola de Laranjeiras, que aparece na foto. Minha família morava numa casa na rua Pinheiro Machado número 75, quase esquina com a travessa Pinto da Rocha, que fica em frente à rua Álvaro Chaves. Um quarteirão de distância da maternidade. Para cúmulo da coincidência (já escrevi aqui que houve muitas na minha vida) um namorado de minha enteada mais nova morou justamente naquele mesmo endereço, já transformado em um edifício havia muitos anos.

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  13. A placa da Engenharia de Fundações parece se referir à empresa ENGEFUSA, famosa na época. A L. Quattroni e a Estacas Franki também o eram.

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. A SURSAN fez tantas obras na cidade durante a década de 1960 que seria muito extenso listá-las. Como citei vária vezes aqui, entre 1964 e 1970 trabalhei numa empresa de construção civil que tocou inúmeras obras da SURSAN. Só eu participei de ações dela nos bairros de Botafogo, Maria da Graça, Cachambi, Thomaz Coelho, Cavalcanti, Engenheiro Leal, Freguesia, Taquara, Acari, Rocha Miranda, Copacabana, Terra Nova, Honório Gurgel, Olaria, Rio Comprido, Coelho Neto, Largo do Bicão. Isso o que lembro assim de estalo.

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  16. Vou narrar um caso ocorrido comigo, porém usarei jargão de topografia, que seria muito complicado explicar aqui. Perdoem. O fato ocorreu durante as obras de assentamento de linha de águas pluviais na rua Filomena Nunes, em Olaria. O feitor da obra era o “seu” Mansur, um negro alto e retinto, natural da cidade de Muzambinho, sudoeste de Minas, perto da divisa com São Paulo. Eu estava baseado em Maria da Graça mas atendia também a outros bairros.

    Um dia fui lá em Olaria, fiz um estaqueamento, dei o ponto e deixei o resultado com o “seu” Mansur para ele posteriormente colocar as réguas. A tubulação poderia ser assentada usando gabarito, cruzeta ou um misto das duas, o que era mais raro porém muito mais preciso porque não era afetado por variação no diâmetro interno ou na espessura dos tubos. No caso era usado gabarito, o que exigia cuidado por causa da catenária formada pela linha de nylon esticada entre as réguas.

    No dia seguinte à minha ida apareceu o fiscal da SURSAN justamente na hora em que o “seu” Mansur iria colocar as réguas. Aí o fiscal falou algo do tipo: “Quando eu chego aqui as réguas sempre tinham sido colocadas antes e estavam batendo. Quero ver agora se o topógrafo é mesmo bom e se elas batem, já que ainda estão sendo colocadas”. O “seu” Mansur pegou o papel com o ponto que dei, colocou as réguas de acordo com ele e elas bateram certinho, sem nem um milímetro de diferença. O fiscal ficou surpreso e mandou o “seu” Mansur me perguntar se eu não queria trabalhar na SURSAN. Quando voltei lá ele me falou desse convite. Porém na época eu tinha somente 17 anos e isso não seria possível. A partir daquele dia o fiscal deixou de conferir a colocação das réguas, confiando nos pontos que eu dava.

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  17. Bom dia. De oito anos para cá comecei a passar mais pelo Santa Bárbara e por Laranjeiras a caminho da Casa Roberto Marinho, desde 2024. Estive uma vez nas Casas Casadas. O Fluminense ganhou uma Libertadores.

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  18. Bom dia Saudosistas. Muito interessante os comentários do Mestre Hélio. Quanto as colorizações das fotos eram uma beleza e uma novidade, que deixava a todos maravilhados. Hoje com a IA muitas coisas maravilhosas são feitas através do uso da IA, principalmente a movimentação de personagens e a qualidade das fotos, pretendo se Deus quiser daqui a mais dez anos ver a evolução da IA no campo da fotografia.

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  19. Sim, Lino, muitas coisas maravilhosas e muitos golpes também. Mentes voltadas exclusivamente para o mal se aproveitam de tecnologias para enganar as pessoas.

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  20. Esses vídeos usando IA ainda apresentam muitos problemas. Um deles é a tradução errada de palavras ou a interpretação delas. Ontem eu vi um em que a empresa AT&T foi traduzida por "a tit". Há semanas eu vi um em que o nome de uma pessoa a cada vez era traduzido de maneira diferente.

    Outro erro até ridículo é quando tenta colocar movimento em cenas. Quando são só pessoas, não dá para questionar. Mas já vi vários casos em que uma via de mão dupla apresenta veículos. Aí a IA tenta colocar movimento neles. O resultado é que os que vão num sentido andam para a frente e os que estão na contramão andam de marcha-a-ré.

    Também vi casos de cenas pretensamente do Rio de Janeiro em que aparecem bondes de São Paulo ou em que os do Rio são gerados fechados em um lado.

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  21. Boa tarde a todos!

    Passei pouco pelo bairro, só de passagem mesmo. Semana passada foi a postagem do Parque Guinle. Preciso ir lá.

    E por falar em IA e Laranjeiras, o "laranjão norte-americano" não se cansa de criar confusão. Desta vez, divulgando vídeo racista usando a IA. Devia estar usando algum "medicamento forte" e fez suas "gracinhas", mas logo depois apagou a postagem. As "trumpices" desse cara vão acabar mal. Deve estar querendo criar cortina de fumaça para esquecerem o "caso Epstein".

    As trovoadas começaram, o céu está carregado. Que Deus proteja a todos nós!

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    1. Às 16h o dia virou noite e veio praticamente meia hora de pé d'água. Agora chove fraco mas ainda com muitos relâmpagos. Choveu muito nas zonas norte e oeste. A Globo entrou com plantão mas não disse a situação da zona sul.

      Sobre o laranjão, nada de surpresa. Ainda tiveram a petulância de culpar o subalterno da Casa Branca.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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