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sexta-feira, 6 de abril de 2018

TV EXCELSIOR



 
Na primeira foto, de 1953, vemos o Cinema Astória, em Ipanema, pertinho do Bar 20. Ficava na Rua Visconde de Pirajá nº 595 e foi inaugurado em 1942. Era um dos melhores cinemas de Ipanema e chegou a ter 2429 lugares. Funcionou até 1963. A seguir foi transformado nos estúdios da TV Excelsior, canal 2.
Tinha 2 andares, além de uns balcões laterais em dois planos, um belo "hall" de entrada e passava grandes filmes. O filme em cartaz na época da primeira foto era "Bela e Bandida", acho que "Montana Belle" no original, com Jane Russell e George Brent.
Já quando era a TV Excelsior tive o prazer de assistir a alguns "shows", entre eles o "Dois da Bossa", com Elis Regina, numa noite em que apresentava um "novo cantor/compositor" - Gilberto Gil. 
As duas fotos seguintes mostram o dia seguinte a uma ação do grupo ALN, em outubro de 1969, quando, após a troca de plantão policial à porta da TV Excelsior, os soldados da PM S.D.T. e H.G.M., ambos do 2º Batalhão, foram atacados às 7h10min por 3 rapazes de pistola em punho. Após uma pequena refrega os assaltantes tomaram dos PMs as metralhadoras INA e o capacete de um dos milicianos. Os assaltantes fugiram no Volks de chapa GB 32-94-51, encontrado mais tarde na Rua Miguel Lemos, em Copacabana. Eram, também, tempos complicados.
Após a TV Excelsior encerrar as atividades em 1970, voltou a ser um cinema, o Super Bruni 70. Um filme de grande sucesso no Astória foi  "Marcelino, Pão e Vinho": interessante é que em determinado dia o filme foi interrompido, com a chegada do menino Pablito Calvo (ator), um pouquinho maior e bem mais magro que no filme, carregado nos ombros e muito assustado com a manifestação do público que superlotava o cinema. Pablito Calvo foi um fenômeno de popularidade, dando entrevistas na TV. A relojoaria mostrada na primeira foto mudou-se para a galeria que foi construída no local anos mais tarde e pertence ao filho do proprietário original. 
Bom programa na época do Astória era pegar o bonde 13 - Ipanema, cruzar uma Visconde de Pirajá de paralelepípedos, quase deserta e sob um sob senegalesco, e saltar no ponto final, ali no rodo do Bar 20. Depois do filme, descer a Visconde de Pirajá em direção a Copacabana, passando em frente à Casa Reis, e terminar a tarde com um lanche no Bob´s da esquina da Garcia D´Ávila ou com um excelente sorvete do Morais. Ou então ir comer empadas no Calípso, que ficava ao lado do Zeppelin. Embora os paralelepípedos da Visconde de Pirajá fossem bem assentados o bom mesmo era andar de carro com as rodas sobre os trilhos dos bondes para evitar a trepidação causada pelos paralelepípedos.

32 comentários:

  1. Bom Dia! Vou aguardar o primeiro comentário que é sempre do Belletti.

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  2. O Astória me deixou muitas saudades bem como os outros cinemas de Ipanema da minha adolescência. Era um cinemão. E o sorvete do Morais, a sorveteria das crianças, era imperdível. Naquele tempo em que Ipanema era só felicidade, como dizia Vinicius, era comum ir no Morais caminhando após o jantar.
    68, 69 , 70, foram anos de muitos atentados com bombas no Rio. Depois a linha-dura do Medici botou pra quebrar.

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    1. O Médici agiu como um grande governante que foi, destruindo as ações armadas das organizações comunistas, enviando para a "calunga grande" muitos criminosos, apesar de ter deixado escapar alguns.(E algumas)...

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  3. Eu me lembro do prédio da TV Excelsior mas não do Cinema Astória. Não me lembro da Visconde de Pirajá ainda de paralelepípedos, pois na época em que eu andava diariamente por ela em 1970, a via já era "de asfalto". Eu devia ter uns cinco anos mais ou menos quando meus pais me levaram ao "Gelorama", pista de patinação no gelo que Visconde de Pirajá e que funcionava no local do antigo Cine Pax. Era um lazer nos moldes "europeus". Não podia dar certo. Embora me lembre bem, nunca andei de bonde na Visconde de Pirajá. Devido ao fato de estudar no Colégio Brasileiro de Almeida em 1970 e 1971, eu andava diariamente nessa rua e de muitos detalhes desse tempo. O Chaplin era uma tentação que não podia ser frequentada diariamente e o Bob's sempre era uma opção. Eram tempos tranquilos sem assaltos, tiroteios, e arrastões, como tem ocorrido na frequentemente na região. Quanto ao fato que envolveu uma ação de elementos subversivos, eram "tempos difíceis".### Nessa época, no local onde funciona atualmente o 23 Batalhão da P.M no Leblon existia um batalhão do Exército Brasileiro e em razão disso o policiamento executado pela Policia Militar em Ipanema e Leblon ficava a cargo do Segundo Batalhão de Botafogo. Uma outra observação é quanto ao termo "milicianos", utilizado no post para se referir aos policiais militares. O sentido do termo atualmente é diametralmente oposto ao da postagem, já que como "milícia" atualmente é um termo utilizado para denominar grupos paramilitares que atuam em muitos locais praticando cobrança de "segurança", pedágios, sinal de tv a cabo, distribuição de gás, controlando transporte alternativo, etc. A atuação das milícias é prevista como crime de acordo com Lei 12.720/2012, assim como respondem seus autores também pelos crimes descritos praticados isoladamente. Daí denominar policial militar como "miliciano" além de ser inadequado, também constitui crime de "Calunia", Art. 138 do C.P.

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    1. O parágrafo é transcrição de reportagem do Correio da Manhã.

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    2. Vc não sabe nada...MAM

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  4. Bom dia.

    Não cheguei a pegar a TV Excelsior. Nessa época algumas emissoras e jornais encerraram suas atividades, se estendendo até 1980, caso da TV Tupi.

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  5. Xará,hoje perdi a hora literalmente.E que muito preocupado com a remoção do meu ídolo para Curitiba o meu fuso horário foi para o espaço .Este camburão era o próprio transporte dos malandros da época .Muito bom o relato do gerente e não sei nada da TV Excelsior.
    FF: Ainda a respeito da remoção (gosto da palavra)do grande chefe,desde ontem muita gente no entorno do prédio onde ele se encontra.Uma espécie de vigília.Agora eu pergunto:e o trabalho?

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    1. Belleti, no trabalho desses "encantados" não se bate ponto !

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  6. Em 69 "a chapa estava quente". Em Novembro, uma ação cinematográfica da Oban sob o comando do delegado Fleury, Carlos Mariguela foi morto em São Paulo. Também os freis dominicanos Beto e Tito foram presos em um prosseguimento da mesma operação. Beto continua vivo espalhando a doutrina comunista e Tito se suicidou em virtude das torturas recebidas. Em 1970 foram criados os Destacamento de Operações Internas/ Centros de Operação de Defesa interna (Doi-Codi), sendo a filial do Rio de Janeiro localizada na Tijuca. Iniciava-se o Milagre Brasileiro. O Brasil seria tricampeão mundial no Mexico. Também foi época de grandes obras. O cidadão de bem vivia um grande momento de paz, sossego, e prosperidade .

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  7. E pensar que o maior cinema em atividade no Brasil, com apenas 1500 poltronas, está no interior do nosso estado:
    http://tinyurl.com/y7sepzw7
    E a réplica em escala menor do Metro-Tijuca também. Mais precisamente em Conservatória, um distrito de Valença.

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    1. A réplica se chama "Centímetro" e reproduz o Metro Tijuca em uma escala menor. Pertence ao delegado aposentado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Ivo Raposo Júnior.

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  8. Acabei de ler o comentário do Biscoito Molhado relacionado a indústria automobilística de ontem, hoje e do futuro.excelente. Relacionou situações dos próximos anos que não tinha a mínima idéia .Parabéns pelos conhecimentos.

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    1. Obrigado. Além de tudo, pretendi manter contrário qualquer comentário do contra.

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  9. Assisti a montagem dos equipamentos no Teatro da TV Excelsior e assisti a vários programas de auditório, como "carona" da equipe técnica. O "Times Square", levado ao ar diretamente do Teatro, era algo que até hoje me impressiona com a qualidade artística e cenográfica. E isso ao vivo !!!!

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  10. Viram o que os integrantes do MST fizeram no prédio da Ministra Carmem Lucia?Viram o moço agredido em Sampa pelos trogloditas do PT?Viram as agressões aos jornalistas?Depois aparecem como vítimas.O PT e suas vertentes agem desta forma. É o que digo,políticos são todos iguais,mas esta militância do PT é um bando.E tem gente que adora.

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  11. Hoje dá para comentar algumas coisas.

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  12. O trajeto do bonde Ipanema (na época ainda sem número) terminava na Praça General Osório (que tinha outro nome então). Depois ele foi estendido até o Bar 20.

    Por outro lado a Light, atendendo a pedidos de moradores da área entre a Praça Santos Dumont e o Bar 20, criou a linha Jardim Leblon, que fazia percurso via Jardim Botânico, Praça Santos Dumont, Bartolomeu Mitre, Dias Ferreira e terminava junto ao canal do Jardim de Alah porque ainda não havia a ponte sobre o canal. Quando a ponte foi concluída o percurso foi estendido até o Bar 20. Faltam detalhes nesse meu comentário porém não lembro onde eu os li há alguns anos.

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  13. Quanto às metralhadoras INA, lembro que tivemos instruções de uso delas no CPOR. No treinamento o carregador era municiado com 10 projéteis e o instrutor, capitão Carlos Alberto, desafiou-nos a dar tiro a tiro, e não rajada. Para isso era preciso apertar o gatilho rapida e suavemente. Tentei a proeza, mas não consegui. Minha performance foi mais ou menos esta: um tiro, um tiro, quatro tiros, um tiro, três tiros.

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  14. Já no treinamento de tiro com mosquetão .30" ocorreu algo engraçado: nosso pelotão era o 4º (havia 9 pelotões) e o instrutor de tiro era o tenente Blois, da Infantaria, um cara muito gozador e esporrento. Fomos divididos em três grupos de 10 alunos cada: um grupo atirava, outro ficava dentro de uma trincheira subindo e descendo os alvos após cada série de tiros, e o terceiro grupo ficava aguardando sua vez de praticar.

    Na vez em que meu grupo ia atirar, na ponta esquerda da linha de tiro estava um aluno de nome de guerra Geraldo, que tinha um sério problema de coordenação motora e talvez de algo mais. O tenente indicou a cada um de nós o alvo em que deveríamos mirar, já que havia também 10 alvos. Dada a autorização, disparamos os mosquetões, com cinco tiros cada. Quando os alvos foram descidos pelo grupo que estava dentro da trincheira, eles verificaram que o alvo mais à esquerda não tinha nenhum tiro e o que estava ao lado dele tinha 10 tiros. O Geraldo havia atirado no alvo errado.

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  15. Nos exercícios físicos, quando praticávamos Polichinelo o Geraldo não conseguia sincronizar os movimentos dos braços com o das pernas, e o resultado era um movimento totalmente desordenado. O tenente Blois, que era também instrutor dos exercícios, gritava: "Pô, Geraldo, você parece uma borboleta esvoaçante!". O resultado é que o apelido pegou para ele.

    Isso foi durante o chamado período básico, em que toda a instrução era de Infantaria. Quando fomos distribuídos pelas armas, eu escolhi a Artilharia e o Geraldo ficou na Infantaria. Aí perdi contato com ele.

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  16. Quanto ao meu comentário das 21:36h, acho que lembrei de mais algumas coisas: antes da ponte do Jardim de Alha, o bonde Jardim Leblon ia até a Delfim Moreira e a percorria até o canal do Jardim de Alah. Havia uma ponte de pedestres ali, então os passageiros que desejassem ir até o Bar 20 e imediações desembarcavam do bonde e atravessavam a ponte a pé.

    Então construíram a ponte na Ataulfo de Paiva e o trajeto deixou de ser pela Delfim Moreira e passou a ser pela Ataulfo de Paiva até o Bar 20.

    Mas continuo não podendo afirmar que tudo está perfeitamente correto.

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  17. Quanto aos anos de chumbo, lembro que na tarde do dia 25 de fevereiro de 1973, um domingo de sol radioso, estava eu de serviço no DOPS quando chegou o aviso de uma ocorrência: um delegado da OBAN (Operação Bandeirantes), de São Paulo, havia sido assassinado na esquina da avenida Nossa Senhora de Copacabana com rua República do Peru. Seu nome era Octávio Gonçalves Moreira Junior, de 33 anos de idade.

    Ele costumava passar os fins de semana aqui no Rio. Emérito torturador, ao retornar da praia foi emboscado por quatro terroristas armados de pistola, que lhe deram vários tiros à queima-roupa. Outros dois os aguardavam dentro de um Opala placa BI-1568. Segundo apurado, era um grupo formado por militantes da ALN (Aliança Libertadora Nacional), do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) e da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares).

    Fomos até lá. O delegado estava caído de costas no chão, e prefiro não descrever seu estado. Se não me engano, o comissário de dia do DOPS era o doutor Kalil Chueiri, que pediu para nos misturarmos na multidão que cercava o local e ouvíssemos o que pudesse interessar à investigação.

    Já no fim da noite, retornados à sede na rua da Relação, chegou o famoso delegado Sérgio Paranhos Fleury, que havia vindo de avião particular para levar o corpo do seu subordinado para São Paulo.

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  18. Para me redimir do relato dramático acima, vou agora contar um fato hilário. Primeiro, descreverei o ator principal: tratava-se do comissário Jayme de tal (estou omitindo seu sobrenome, embora eu saiba qual era). Ele era o mais detestado de todos os comissários do DOPS, por ser implicante, chato e metido a importante. Alguns fatos sobre ele:

    1) Todos os comissários tinham de trabalhar de terno, mas logo ao assumir o plantão colocavam o paletó no encosto da cadeira e ficavam de camisa social e gravata, pois não havia ar condicionado na delegacia, apenas ventilador. Já o doutor Jayme permanecia o tempo todo do plantão vestido com o terno, por sinal sempre o mesmo, de cor bege.

    2) Além disso, mandara fazer uma placa metálica prateada com o nome dele gravado em tinta preta, e colocava-a sobre a mesa, em destaque, para que todos a vissem. Só ele tinha isso.

    3) Usava na lapela uma estrela idêntica àquela que os xerifes tinham nos gibis de faroeste.

    4) Quando nem o delegado titular nem o substituto estavam na delegacia, gostava de entrar no gabinete do titular e ocupar a mesa deste, dando-se ares de importância.

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  19. Mas vamos ao fato: houve uma época em que estava na moda o envio de cartas-bomba para determinadas pessoas, que se tornavam vítimas da explosão ao abrirem a carta. O Secretário de Segurança então determinou que nos casos de aviso de carta-bomba quem deveria atender ao chamado era o DOPS e não a polícia civil. Uma noite o doutor Jayme estava de plantão (e eu também) quando pintou um telefonema avisando sobre uma carta-bomba e requisitando a presença do DOPS no local. Aí foi um pega-pra-capar: o doutor Jayme não queria de modo algum ir ao local e ficou discutindo com o interlocutor ao telefone. Como os escrivães iam para casa às 22 horas, eu assim o fiz enquanto ele se exasperava ao telefone. Não sei se ele acabou atendendo ao chamado, mas o fato é que dali em diante o apelido dele passou a ser Jayme Caganeira.

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  20. Alguns comentários de oito anos atrás puderam ser repetidos pouco depois, só alterando a sigla partidária por duas vezes em quatro anos, 2018 e 2022...

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  21. Voltando ao tema da postagem: lembro de haver assistido no cinema ao filme "Marcelino, pão e vinho". Depois inclusive foi lançado um álbum com cenas do filme, e eu o comprei. Lembro até hoje de alguns trechos da música-tema do filme: "... Marcelino, pega na toalha, no sabão e vai se lavar....."; "... Dois e dois são quatro / Quatro e quatro, oito / Oito e oito / Vinte e dois? / Calma, logo aprenderás...."

    Para aquela época de inocência e levando em conta o público-alvo, era um filme comovente. Gostei muito de assisti-lo.

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  22. Quanto aos carros andarem sobre os trilhos dos bondes, lembro bem disso. Os pneus "cantavam" um pouco e o carro às vezes dava uma derrapada. Por sinal, dizem que aqueles carrinhos manuais puxados por homens apelidados de "burros sem rabo" tinham a mesma bitola que os antigos bondes puxados a burro, qual seja 820mm. Isso facilitava puxar o carrinho ao colocar suas rodas sobre os trilhos dos bondes e evitar a trepidação do calçamento em paralelepípedo. A analogia com os bondes que rodavam sobre tais trilhos deu origem ao apelido "burros sem rabo".

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  23. Na época do Bruni 70, após a última sessão de sábado era comum ter shows de rock. O espaço em frente a tela virava palco e salvo engano vi os Mutantes e Rita Lee por lá.

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    1. Achei. Em 27.2.75 o JB noticiava que os Mutantes tocariam naquele dia e no 28 , meia noite e meia, no Super Bruni 70.

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  24. FF: dez técnicos demitidos em dez rodadas. A média está sendo mantida. Fernando Diniz vai assumir o clube de maior torcida do estranho estado do sudeste, para desespero de Juca Kfouri...

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  25. o futebol tem relação com o ozempic. se o efeito não for rápido descarta....

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