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terça-feira, 22 de maio de 2018

ALFÂNDEGA



 
As fotos são do prédio onde atualmente funciona a Casa França-Brasil, na Rua Visconde de Itaboraí.
Inaugurado em 1820 para sediar a primeira Praça de Comércio do Rio de Janeiro, muito pouco durou o que era então uma espécie de Bolsa de Valores da época naquele local. Decorridos quatro anos, já no contexto do Brasil independente de Portugal, foi transformado por D. Pedro I em Alfândega, que assim funcionou até 1944. Como última utilização antes de tornar-se a Casa França-Brasil, foi sede do 2º Tribunal do Júri, entre 1956 e 1978.
Encomendado em 1819 por D. João VI a Grandjean de Montigny, arquiteto da Missão Artística Francesa, a obra em si é um documento histórico importante. Trata-se do primeiro registro do estilo neoclássico no Rio de Janeiro, tendência que viria então a popularizar-se, dando à cidade, marcada por suas casas coloniais, um tom mais cosmopolita, à moda europeia.
Em 1938 o prédio foi tombado pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — atual IPHAN.
Esta obra de Montigny passou por diferentes usos, sendo que em  1946 chegou-se a pensar na sua demolição, segundo noticiou o “Correio da Manhã”: “O Ministro da Fazenda encaminhou ao da Viação, solicitando o seu pronunciamento, o processo em que a Prefeitura do Distrito Federal trata da demolição do antigo prédio da Alfândega no Rio, onde funcionam diversas repartições subordinadas àquela Secretaria do Estado”.
Em 1949 o Serviço de Subsistência da Marinha ocupou suas instalações.
Na década de 50, pouco antes do 2º Tribunal do Júri se instalar no prédio,  foi preciso o Banco do Brasil retirar os volumes (arquivos do Banco Ítalo-Germânico), sob sua guarda, que ocupavam o antigo prédio da Alfândega. Os volumes eram muitos e encerravam bens e valores dos chamados súditos do Eixo, sequestrados ao tempo da última grande guerra mundial e o Banco do Brasil era o depositário. O “Correio da Manhã” escrevia que “a guerra tinha acabado há nove anos. Não havia mais Eixo, e os ditos súditos, então considerados inimigos, já não o eram. Mas sobre os seus bens e valores incidia interminavelmente o confisco. Não se atava, nem se desatava. Para solucionar o caso compôs-se uma comissão. Foi ela, e o fatos o comprovam, um primor de inércia e burocracia. Por isso mesmo, absolutamente inútil.”
Em 1984 a atual vocação da Casa França-Brasil começou a ser traçada. O antropólogo Darcy Ribeiro, então Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, combinou recursos brasileiros e franceses no ano seguinte para restaurar a construção e resgatar as linhas arquitetônicas originais projetadas por Montigny. As etapas para a criação do centro cultural e o trabalho de restauração atravessaram a década de 1980.
Em 29 de março de 1990, foi inaugurada a Casa França-Brasil.
PS: como foi o Dieckmann que enviou a última foto imagino que já tenha identificado todos os automóveis...
 

12 comentários:

  1. Ainda bem que o prédio não foi derrubado. Compõe bem o local junto ao prédio do Banco do Brasil.
    Os carros antigos são um espetáculo à parte.
    E parabéns ao SDR por atingir mais de 200.000 visualizações. Por aqui sempre se aprende algo novo sobre o Rio de antigamente.

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  2. Devia ser um local bastante arejado e banhado com águas límpidas. Meu avô trabalhou durante 46 anos na Alfândega, tendo ingressado através de concurso em 1922 para o cargo de guarda portuário e se aposentado como Agente Fiscal do Imposto Aduaneiro, cuja denominação atual é de Auditor Fiscal do Tesouro Nacional. A natureza do cargo e da complexidade da atividade foram evoluindo no decorrer do Século XX, fazendo com que esse cargo seja um dos mais cobiçados atualmente no Brasil. Mas os tempos eram outros e bons empregos não eram tão inacessíveis como hoje em dia.

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  3. Meio fora de foco mas pertinente devido ao uso do prédio como "Tribunal de Júri": Tais tribunais no Brasil são canhestros, inadequados, burocratizados, e ineficazes, já que sua competência se restringe aos "crimes dolosos contra a vida", que em tese são quatro, mas que na prática se restringe a um.

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  4. Já estive no local,que parece bem mudado em relação as fotos.Fiquei curioso em saber o que estava relacionado nos valores dos súditos do Eixo e qual o destino final.A terceira foto é um show e o Biscoito está sendo aguardado com ansiedade.Na terceira fila,próximo a porta do prédio a direita já surgia um fusca.Seria a foto do começo dos anos 50?

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  5. Bom dia.

    Fui algumas vezes como centro cultural. A última foto está disponível em alta resolução no Flickr.

    https://www.flickr.com/photos/arquivonacionalbrasil/41454545902/

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  6. FF: morreu em SP o jornalista Alberto Dines.

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    1. Nossos intelectuais, homens que colocam a verdade acima do vil partidarismo, estão indo embora. Assisti durante muitos anos na Tv Cultura ao programa Observatório da Imprensa em que ele fazia a crítica das publicações na mídia. Brilhante, sensato, verdadeiro, conduzia seu
      excelente programa programa, do qual foi o fundador, dentro da nossa real história.

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  7. O SDRL superestima alguns colaboradores... Partindo do cantinho, aparece uma pontinha de Pontiac 50-51, só ele tinha aquele sobre-parachoques. Depois, um Renault Frégate, um Singer, um De Soto Diplomat e um Fiat 1100 ou Simca 8, todos 50-51, exceto o De Soto, que é só 51. Depois, vem Nash cinza, Studebaker, preto, Kaiser metalicão, Morris Oxford preto - escondidinho, mas eu peguei e um Austin A-40, os demais estão difíceis. Na linha de cá, dá para reconhecer um Citroën 11-BL, pós 47. Lá no fundo um Volkswagen bem velho repousa entre dois inglesinhos. Ver o bonde passando sossegado me faz bem, enquanto o caminhão Ford 1948 deve estar retirando as importações. A predominância de carros pretos é notável.

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  8. Testemunha ocular do almoço de inauguração da Casa França Brasil conta que, empolgado pelos vinhos franceses, na hora do speech de agradecimento a um dos patrocinadores, a Rhodia, Darcy Ribeiro propõe a instalação de um enorme Rodoro dourado sob a rotunda da casa, como reconhecimento pelos bons momentos proporcionados pela Rhodia (fabricante do produto usado como lança perfume no carnaval) aos foliões, na hora das prises.

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  9. O bonde que trafega na Visconde de Itaboraí é o Arsenal de Marinha. Na época da foto o prédio já estava bem castigado. Ainda nos anos 30, instalações da Alfândega, bem como a "Guarda-moria" já funcionavam no prédio situado na Rodrigues Alves. O livro comemorativo "Alfândega do Rio de Janeiro", patrocinado pela Receita Federal, e que tem entre seus autores Marcus Vinícius Pontes, atual superintendente regional da Receita Federal, esgota o assunto sobre a "Aduana brasileira" e sobre o velho prédio. A rica encadernação, as fotos, e obviamente seu conteúdo, fazem do livro um item indispensável para qualquer biblioteca.

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  10. Darcy Ribeiro nunca me enganou. Aliás dessa turma trazida por Brizola não poderia se esperar algo diferente. Tudo que aconteceu de ruim ao Brasil desde 1979 tem um nome...ff Começou a "babação" aos jogadores da seleção que cchegaram à Teresópolis. Uma seleção que não representa o Brasil e sim interesses de empresários, Rede Globo, Galvão Bueno, e outros. À exceção de uns três ou quatro jogadores, o resto é lixo. Roberto Firmino? Fred? Fernandinho? Estão de brincadeira! E ainda acham que vou bater palmas para essa palhaçada?

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  11. Corneteiro velho22 de maio de 2018 21:21

    Também não bato palmas para esta seleção e vou dar boas risadas se cair do cavalo como da ultima vez que levou sete no lombo.O rapaz Joel está certo e não representa o futebol que um dia teve Garrincha,Gerson.Pelé e tantos outros craques,pois agora é só dinheiro com empresários macomunados com dirigentes e esta CBF infestada de aproveitadores e grandes redes de publicidade na onda do berimbau a levar grana para seus cofres.Estes jogadores que vivem na Europa e não estão nem um pouco preocupados pois querem é faturar e pronto.O treinador Tite até tem boas intenções mas está sujeito a ver o pescoço esfolado.Vai pagar para ver e poderá ter surpresa desagradável.Não gosto do que está sendo feito e vou cornetar em verde amarelo.

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